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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O resultado do golpe parlamentar para impor Temer no poder acabou por criar uma marionete e levar o país ao caos

Quem acompanha a história da política no Brasil sabe que a representação dos três poderes da República são, com raras exceções, párias nascidos das piores oligarquias aqui existentes. O nosso país, que nasceu da miscigenação de índios, negros  e invasores de algumas nações europeias, deveria ter orgulho da sua origem, mas, ao contrário, a chamada elite que se diz “branca” num país em que não existem brancos, também tem um DNA e uma cabeça norte-americanos.

Com o advento da monarquia e da velha República, as elites se apossaram do poder do Estado e sugaram as suas riquezas desde a extração do ouro e dos recursos naturais, através da utilização da chibata, de índios e dos escravos negros africanos, construíram grandes fortunas e criaram um aparthaid tropical denominado de casa grande e senzala.

Finge-se e propaga-se pelos meios da mídia burguesa que o Brasil não tem preconceitos, mas tudo não passa de uma dissimulação, pois dificilmente uma figura da chamada elite “branca” convive nos mesmos recintos habitados pelos negros pobres. A chamada elite “branca” se concentra em redutos fechados, seja na cidade ou no campo e desfruta de serviços de primeiro mundo, enquanto a população negra é empurrada para os redutos mais periféricos, tanto nos lugarejos como nas metrópoles. Este é o Brasil real. Daí advém a elaboração de leis em grande parte garantidas na Constituição brasileira aonde os pobres tem seus direitos e garantias praticamente reduzidos a zero. Assim, se compõem este estado chamado República Federativa do Brasil.

No Executivo, desde a proclamação da República, somente um único operário teve as condições pelo voto direto e universal de chegar lá. Os demais eram oriundos da elite e da burguesia brasileira. Alguns raros do Nordeste, sendo os demais advindos do reduto chamado politicamente de “café com leite” (São Paulo e Minas).

O nosso parlamento seguiu a mesma rota. Sempre foram eleitos os endinheirados e sucessivamente os mandatos são passados de pais para filhos, netos e assim por diante. E o arcabouço jurídico que rege a justiça no país também tem à frente figuras advindas de famílias afortunadas.

O momento que nós estamos vivendo representa em boa parte todo este histórico até aqui resgatado de maneira resumida. Mas eu espero sinceramente que o brasileiro tome para si a condição de cidadão e que, sem ódio e qualquer tipo de aparthaid, consolide a democracia para o bem estar de todos nós brasileiros.

Francisco Rocha da Silva, Rochinha

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