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terça-feira, 24 de maio de 2016

responsável 'É possível dialogar com o PSDB sobre reforma política', diz Edinho Silva

Rochinha: "Discordo frontalmente com Edinho Silva e na minha avaliação ele esta sem sintonia com a base do partido".


Alberto Bombig
O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) Edinho Silva afirma que a atuação do PT como oposição a Michel Temer não pode se dar na linha do chamado quanto pior, melhor. Segundo ele, os petistas devem abrir canais de comunicação com o PSDB em busca de reformas importantes, como a política.
Edinho, que é ex-presidente do PT-SP e deve disputar a Prefeitura de Araraquara (SP) este ano, avalia que o debate em torno do parlamentarismo precisa ser levado a sério a partir de agora no País e que ainda não está na hora de o partido falar em candidatura a presidente em 2018. A seguir os principais pontos da entrevista dele ao Estado.
Como o PT deve enfrentar o debate da ética?
Nós temos de fazer uma avaliação dos erros que nós cometemos. Nós reproduzimos, grosso modo, o modelo político de financiamento eleitoral existente no Brasil. Esse foi o nosso erro. Em síntese, tirando as acusações de enriquecimento pessoal, as demais são do modelo de financiamento político e partidário, que pega a todos. Nós temos de dizer o seguinte: o PT, que tinha uma expectativa de fazer diferente, reproduziu o mesmo modelo de financiamento político e partidário. O PT tem de levantar a bandeira da reforma político-partidária de forma muito consistente e não fazer disso só um discurso. Temos de dialogar com forças políticas que são, muitas vezes, antagônicas a nós. Em alguns momentos, vamos ter afinidade com o PSDB, muito mais do que com o PMDB, com que há tempos atrás nós chegamos a discutir o assunto. Em outros pontos, podemos ter afinidade com o PSOL, com a Rede. 
Edinho Silva, ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social
Edinho Silva, ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social
Mas ainda há possibilidade de PT e PSDB dialogarem?
Em relação a algumas reformas, sim. Se o PT quer restabelecer o diálogo que nós perdemos com uma parcela da sociedade brasileira, essas bandeiras da reforma, independentemente do desfecho no Senado, há pontos da reforma político-partidária sobre os quais é possível dialogar com o PSDB, sim, como é possível dialogar com o PDT, o PMDB. 
Foi o quando o PT liderou o "Fora FHC"...
Ali criou-se uma polarização, um antagonismo que distanciou os dois partidos, mas eu penso que tem ambiente para o PT se sentar e dialogar com o PSDB. Uma reforma fiscal e tributária, por exemplo. O PT terá de ser o oposição com a difícil tarefa de debater todas as iniciativas que o atual governo tiver. Não pode debater só do ponto de vista do confronto parlamentar. Ele vai ter de qualificar cada intervenção que ele fizer, é isso que a sociedade quer.
O sr. acha, então, que a sociedade não entende mais o que o PT fez com FHC e o que o PSDB fez com Dilma?
Não entende. O que o PSDB ganhou com a oposição pela oposição? As pesquisas mostram que o senador Aécio Neves não é alternativa eleitoral. Eles erraram muito. A sociedade brasileira espera que o PT hoje seja oposição ao governo interino, mas que apresente propostas.
E se, eventualmente, alguma proposta de Temer estiver em acordo com o que pensa o PT?
Nós temeremos de ver. O PT não pode ser oposição pela oposição porque é um partido que governou o Brasil por 13 anos. Mas, neste momento, o que pode sair desse pacote de reforma que vem aí pode ser algo que arrebente com vitórias históricas da sociedade brasileira. O que foi feito no Brasil, e é grave, foi um ataque frontal ao presidencialismo. A presidenta Dilma foi afastada politicamente. Quando você utiliza o afastamento de uma governante para superação das crises política e econômica, você está utilizando um instrumento do parlamentarismo. No médio e no longo prazos, isso vai reacender o debate do modelo de governo. O sistema presidencialista sai enfraquecido, afrontado, desgastado. O debate do parlamentarismo estará colocado novamente no Brasil.
O PSDB nasceu com proposta do parlamentarismo. Esse pode ser mais um vaso comunicante entre os dois partidos?
É uma pauta que estará colocada. Temos de ver o decorrer dela, como o PT vai se posicionar.
É possível o PT defender o parlamentarismo tendo Lula com chances de vencer em 2018?
Não é hora de falar em candidatura. O centro neste momento deve ser a defesa de Dilma e um processo de discussão e reformulação interna do PT. Penso que 2018 será consequência de tudo isso.
Qual a avaliação do sr. do afastamento da presidente Dilma?
Estamos falando de uma mulher honrada e honesta, que do ponto de vista de caracterização do impeachment, não cometeu nenhum crime de responsabilidade. O quadro de afastamento da presidente foi construído não só nas últimas semanas, mas nos últimos meses. Não tenho nenhuma dúvida de que a queda de popularidade se deu por conta da crise econômica e da agenda do ajuste econômico que ela teve de implementar. 
De que forma a Lava Jato influenciou o processo?
Tornou-se um fator importante na construção do ambiente que culminou no afastamento da presidenta, mas principalmente pelo aumento da instabilidade política e por cadeias produtivas importantes terem sido atingidas, paralisando e aumentando o desemprego, com impacto em regiões importantes do País.
O que o sr. tem a dizer sobre a citação a seu nome pelo delator Ricardo Pessoa (dono da UTC)?
Eu fui convidado para ser o coordenador da campanha da presidenta quando a Lava Jato já estava em pleno andamento, para que eu pudesse blindar, proteger a campanha da presidenta Dilma desse processo que já estava contaminando boa parte da esfera empresarial do País. O que me surpreendeu é que se criou uma tese de que toda doação para a campanha da presidenta Dilma foi resultado de um processo de pressão, ou seja, eu fazia pressão para que os empresários doassem, isso foi uma tese que se criou. Em relação ao Ricardo Pessoa, se você pegar a fita da delação, não o que está documentado, mas a gravação do depoimento dele, ele mesmo me isenta, dizendo que jamais se sentiu pressionado por mim, que doaria de qualquer forma, inclusive faz elogios à minha postura, diz aos procuradores que eu sou um “gentleman”. As doações que saíram dessas contas correntes para a campanha da presidenta são ilegais, e as que saíram para os demais candidatos são legais. Como você pode identificar o dinheiro que está numa conta corrente é ilegal? 
O sr. incluiria aí a delação do Otávio Azevedo Marques (da Andrade Gutierrez)?
Eu procurei o Otávio Azevedo como procurei dezenas de empresários brasileiros, o papel de um coordenador financeiro é buscar contribuição financeira, no Brasil e em qualquer país do mundo. Eu procurei a Andrade Gutierrez, não fui recebido pelo Otávio, não entendi se havia algum problema político. Eu saí do prédio e ele veio atrás de mim, passei uma hora dentro do prédio sem ser recebido por ele. Eu disse que tinha um outro compromisso e não poderia ficar mais, o que era verdade. Uma semana depois, ele ligou para o Giles Azevedo (assessor da presidente afastada), pediu uma audiência com o Giles no comitê de campanha em Brasília, portanto ele vai espontaneamente e se reúne com o Giles. Eu sou chamado ao final da reunião, quando ele tenta se explicar por que não me recebeu, e disse que faria uma contribuição de campanha. Disse que doaria R$ 10 milhões naquele momento e outros R$ 10 milhões se parcelado. Disse que estava com problema de bônus eleitoral e afirmou que se a campanha terminasse com alguma dívida, ele trabalharia para ajudar a sanar essas dívidas. A campanha não terminou com dívida, eu nunca mais conversei sobre dívida eleitoral com ele, os R$ 10 milhões iniciais ocorreram, os outros R$ 10 milhões eu me reuni umas duas vezes com ele para tentar conversar sobre o fluxo. Doou no mesmo patamar de outras empresas, como a própria OAS, a Odebrecht, não fez nada diferente, e ainda era uma doação semelhante à campanha do Aécio. Aí ele diz que eu pedi R$ 100 milhões para ele em doações. Eu nunca pedi isso, seria um absurdo, jamais trabalhei com esse patamar de doação por empresa, ele disse que eu mencionou sete empresas que doariam R$ 100 milhões cada uma. Nunca tive esse tipo de diálogo com ele e quero que ele apresente quem são esses sete empresários, local e dia em que estive com eles. Isso é mentira, nunca existiu. 
O que o senhor acha dessa tese do Temer de separar as campanhas?
Eu posso tranquilizar o vice-presidente Michel Temer de que mesmo se não houver separação, nada de irregular será encontrado nas contas de campanha. Ele pode ficar bem tranquilo quanto a isso, ele me conhece e conhece a minha postura. Eles sabem que nada de irregular vai aparecer. 

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