Botao share

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Caiu a máscara: A conspiração tramada por Temer e seus corruptos para efetuar o golpe é reconhecida no mundo inteiro

Passados nada mais do que quinze dias da tomada do poder por um governo impopular ilegítimo e corrupto, a trama aos poucos vai sendo desmascarada pelos próprios golpistas, seja através da tentativa de desmonte do Estado para atender exclusivamente à ambição do mercado financeiro predador e internacional; seja através da tentativa de eliminar direitos adquiridos pela sociedade como um todo; seja através de um projeto entreguista de privatização nunca visto na história, começando pelo pré-sal; seja através de extinguir ministérios que estavam à frente de várias ações sociais, como por exemplo Cultura, Direitos Humanos, Igualdade Racial, Mulheres e Juventude. Tudo isso faz parte de uma ação combinada com a elite dos setores mais atrasados e conservadores da sociedade.

Está claro que a conspiração conduzida por Temer tem o intuito de assegurar às oligarquias o status quo sobre a corrupção sistêmica que foi utilizada desde a fundação da República, além de acordar com instituições que teriam o dever de zelar pela Constituição e pela lisura do Estado uma vista grossa, um cala boca, através do engavetamento de investigações e processos, práticas ocorridas em governos recentes antes da gestão petista dos últimos 13 anos. A própria revista britânica The Economist trata deste tema em reportagem publicada na data de hoje mostrando que foi dado “um jeitinho” na Constituição para afastar a presidenta Dilma sem nenhuma prova concreta de crimes. Aí fica a pergunta: onde estão os guardiães da Constituição?

Uma das provas cabais de que o processo de impeachment da presidenta Dilma não tinha absolutamente nada a ver com pedaladas ou questões fiscais está definitivamente comprovada nas primeiras gravações, pois outras virão, de Sérgio Machado com várias figuras políticas que comandam o Parlamento brasileiro. Pelo menos por enquanto, já que correm boatos de que no processo irão aparecer novos nomes. Além da trama política, as gravações chamuscam imagens de instituições até pouco tempo respeitadas pela sociedade, como o Supremo Tribunal Federal e outros órgãos, dando a impressão de não serem apenas conversas normais entre figuras responsáveis pelos poderes, conforme argumentou o presidente do STF, mas que passam sim a conotação de acertos e conchavos.

Vivemos uma das trajetórias mais difíceis da vida política do Brasil. Em parte, até a crise econômica serviu como pretexto para a montagem de uma trama política para derrubar o governo da presidenta Dilma. O centro de decisão política do governo interino está em boa parte perdido, tanto no campo político como no administrativo, na gestão das políticas públicas. Vários ministros estão sendo citados ou investigados em várias operações por corrupção e malfeitorias. Na verdade, não é surpresa porque estão seguindo o legado da direita e da velha oligarquia política que dominou o Brasil pelo menos nos últimos cem anos.

Além disso, o falastrão ministro da Justiça do governo Temer apregoa aos incautos que irá levar para o âmbito federal figuras que atuam na segurança pública do estado de São Paulo, que é marcado por toda a sorte de violência contra os cidadãos e que tem crimes hediondos ainda não esclarecidos, como é o caso da chacina de Osasco, o assassinato de torcedores corintianos, entre tantos outros crimes até então impunes. Para ilustrar, aqui em São Paulo os mais de vinte anos de governo tucano não construíram escolas, creches ou algo que beneficie à população de baixa renda, mas foi o campeão na construção de cadeias e penitenciárias para entupir de presos.

Ao lado disso, o abandono das políticas públicas que priorizam a defesa de gênero acende um alerta em todo o país quando assistimos à brutalidade monstruosa de casos como o estupro coletivo praticado por bandidos contra uma adolescente no Rio de Janeiro. O que me chama mais atenção é que os trinta e três monstros que estupraram uma criança são chamados pela mídia escrita, falada e pelos órgãos do governo como “trinta e três homens”. Que homens, eu pergunto?

Concluo este texto em que eu poderia dar vários outros exemplos sobre o descalabro que estamos vivendo aonde o governo e o Congresso Nacional começam a votar várias matérias, algumas delas encaminhadas pelo governo anterior e rejeitadas pela oposição, mas que tiveram inclusive a cara de pau de inflar o valor do ajuste fiscal de noventa bilhões para cento e setenta bilhões. Com certeza, se constitui em mais uma trama destinada para onde vão gastar.

Na verdade, temos um governo ilegítimo, corrupto e impopular totalmente repudiado pela população que tudo indica que enquanto durar – que na minha opinião será por pouco tempo -  ficará sitiado em Brasília porque não terá condições políticas sequer de inaugurar uma obra, diga-se de passagem, todas elas iniciadas durante o governo Dilma Rousseff.

Faço um apelo aos setores democráticos da sociedade brasileira, especialmente aos jovens, para que cerremos fileiras na organização de um combate direto e frontal a este governo golpista.


Francisco Rocha da Silva, Rochinha

Nenhum comentário:

Postar um comentário