Botao share

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Erro grave da Folha

Em e-mail à ombusdman da Folha, José Chrispiniano, assessor de imprensa do Instituto Lula, denuncia a irresponsabilidade do jornal.

Cara ombusdman,

Bom dia. Segue abaixo matéria da Folha de S. Paulo. Ela foi depois alterada, mas não importa, porque foi ao ar atribuindo de maneira irresponsável informações não checadas. Nenhum desses repórteres do jornal nos contatou (outros dois, Andreia Sadi e Bruno Boghossian nos contataram para checar). Eles checaram apenas com a assessoria de imprensa do TRF-4. Não checaram a autoria do Habeas Corpus. Já sabemos que a suposta regra de outro lado no Manual da Folha e da checagem de informações é relativa quando se refere ao ex-presidente Lula. Mas o jornal, na figura desses dois repórteres, passou agora de qualquer limite.

Atenciosamente,
José Chrispiniano


Depois de dar a notícia fantasiosa e tendenciosa sem checar as fontes, a Folha de São Paulo atenta contra a reputação alheia (Lula) e a única resposta sobre o seu grave erro é a expressão “Erramos”.

Aguardamos agora uma resposta do ombusdman

Aparte do senador Humberto Costa, líder do PT, ao acinte da oposição no plenário do Senado.






Conheça a nova resolução da Executiva Nacional do PT

Documento foi aprovado durante reunião da Executiva Nacional, nesta quinta-feira (25), em São Paulo



A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores definiu, durante reunião nesta quinta-feira (25), a nova resolução política da legenda, após uma análise da conjuntura recente do País.
No documento, o PT critica a tentativa da oposição e da mídia em criminalizar a legenda e atingir a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, volta a se posicionar contra a redução da maioridade penal, contra a reforma política em curso na Câmara dos Deputados e a favor do combate à corrupção.
“O PT, que sempre esteve na linha de frente do combate à corrupção, é favorável à apuração de qualquer crime envolvendo apropriação privada de recursos públicos e eventuais malfeitos em governos, empresas públicas ou privadas, bem como a punição de corruptos e corruptores”, diz o texto.
Além disso, no documento, o PT repele a negativa da revogação da prisão preventiva do ex-secretário de Finanças, João Vaccari Neto, e também sai em defesa da Petrobras e do pré-sal.
“Mais que nunca, é preciso deixar claro para a sociedade, sobretudo para os trabalhadores, os movimentos sociais organizados e os milhares de micros, pequenos e médios empreendedores, que nosso compromisso é priorizar a retomada do crescimento econômico de forma sustentável, com distribuição de renda, geração de empregos e com a inflação controlada”, afirma a resolução.
Durante a reunião, também foi aprovada a criação de cinco grupos de trabalho para mobilizar, nacionalmente, o PT e fazer a defesa do governo e da legena.
“Por fim, reiteramos nossa disposição de apoiar a participação em todas as iniciativas voltadas para a constituição de uma ampla frente democrática e popular em defesa da democracia, da questão nacional, das reformas estruturais e dos direitos dos trabalhadores”, finaliza o documento.
Leia a Resolução Política na íntegra.
A reunião da Executiva Nacional também resultou em uma Resolução sobre Mudanças Climáticas. Leia o documento.




terça-feira, 23 de junho de 2015

Nota de Solidariedade ao Presidente Lula

Luiz Inácio Lula da Silva, nosso querido Lula, é uma das raras e fantásticas lideranças que conseguem transcender os limites de sua origem social, de sua cultura e do seu tempo histórico. Ele figura no rol escasso dos líderes que rompem os limites, mudam a realidade, fazem a diferença na vida das pessoas, fazem História.
Lula se fez contra os terríveis limites históricos, econômicos, sociais e políticos que lhe foram impostos. É aquela criança pobre do sertão nordestino que deveria ter morrido antes dos cinco anos, mas que sobreviveu. É aquele miserável retirante que veio para São Paulo buscar, contra todas as probabilidades, emprego e melhores condições de vida, e conseguiu.
Lula é aquele candidato que não deveria ter vencido as eleições, mas venceu. Lula é aquele eleito que não deveria ter tomado posse, mas tomou. Lula é aquele presidente que devia ter fracassado, mas teve êxito extraordinário.
Lula é uma afronta às elites que sempre apostaram num Brasil para poucos, num Brasil de exclusão e de desigualdades. Lula é, sobretudo, esse fantástico novo Brasil que ele próprio ajudou a construir. O Brasil para todos os brasileiros. O Brasil da inclusão, da igualdade e da solidariedade.
No cenário mundial, ninguém põe em dúvida a liderança de Lula como exemplo no combate à pobreza, à fome e às desigualdades. Lula é, de fato, o grande inspirador internacional das atuais políticas de inclusão social, reconhecido por inúmeros governos de diferentes matizes políticos e ideológicos. 
Lula é o rosto do Brasil no mundo.
No Brasil, entretanto, há hoje uma sórdida campanha de deslegitimação dessa grande liderança. Uma campanha que dispensa argumentos racionais. Uma campanha baseada apenas no ódio espesso dos ressentidos.
Entendemos perfeitamente que alguns tenham medo de serem derrotados de novo por Lula em 2018. Mas esse medo não pode dar vazão a atitudes pouco republicanas e francamente antidemocráticas.

Tentam transformar suas virtudes em vícios e suas ações pelo Brasil em crimes. Insinuam de forma leviana, acusam sem provas, distorcem, mentem e insultam. No vale-tudo contra Lula, vale até mesmo usar o recurso torpe de expor seu defeito físico, o que revela incurável defeito de caráter.
Falta, sobretudo, respeito ao presidente mais bem avaliado da história do Brasil. Desrespeitar Lula é desrespeitar o povo brasileiro, pois sua ascensão pessoal se confunde com a ascensão social e política da nossa população antes excluída.
Tentam fazer hoje contra Lula o que fizeram contra Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Usam cínica e seletivamente da imprescindível luta contra a corrupção para tentar destruir um projeto nacional e popular que elevou o Brasil e o seu povo. Um projeto que propicia o efetivo combate aos desvios e que vem livrando o Brasil da grande corrupção da miséria e das desigualdades.
A bancada do PT no Senado manifesta sua total e irrestrita solidariedade ao grande presidente Lula, vítima de campanha pequena e sórdida de desconstrução de uma imagem que representa o que o Brasil tem de melhor: sua gente.
A Bancada também entende que Lula está muito acima dessa mesquinhez eleitoreira. Lula não será apequenado pelos que se movem por interesses menores e pelo ódio. Lula é tão grande quanto o Brasil que ele ajudou tanto a construir. Lula carrega em si a solidariedade, a generosidade e a beleza do povo brasileiro.

Para esse povo e por esse povo, Lula fez, faz e fará História.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

5º Congresso: PT divulga a Carta de Salvador



O documento foi elaborado a partir dos debates e resoluções aprovadas durante a segunda etapa do 5º Congresso Nacional do PT.

O Partido dos Trabalhadores lança nesta quarta-feira (17) a Carta de Salvador. O documento foi elaborado a partir dos debates e resoluções aprovadas na segunda etapa do 5º Congresso Nacional do PT, realizado entre os dias 11 e 13 de junho, na cidade de Salvador (BA).
Com a participação de centenas de militantes e dirigentes de todo o País, o PT renovou-se como protagonista das grandes transformações vivenciadas no Brasil nos últimos anos.
A partir da Carta de Salvador e de diversas resoluções a serem apresentadas nos próximos dias, o partido define seu posicionamento diante da atual conjuntura político-social do País e do mundo, e propõe novos desafios para continuar mudando a vida dos brasileiros.
“Um documento de compromissos históricos, de revigoramento de nossos princípios fundantes e de atualização de nosso projeto”, afirma o texto.
“Diante do cenário atual, em que o mundo sofre as consequências do terremoto da crise global do capitalismo, o PT vem a público apresentar propostas de superação das dificuldades do momento, ao tempo em que nos fiamos na determinação e competência do governo da presidenta Dilma para nos liderar nessa travessia”, traz a Carta.
Por meio do documento, o PT afirma reconhecer os avanços praticados e os erros cometidos, na intenção de sugerir novos caminhos a trilhar, para um futuro de “esperança, de progresso social e de paz”.
Acesse a íntegra da Carta de Salvador.
Fonte: www.pt.org.br

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A sençassão que tenho é que neste embrólho vai aparecer novidades do 7x1 para a Alemanha

 Justiça da Espanha abre processo contra Neymar por fraude e corrupção
 
 
Grupo de investimento DIS afirma que Barça e família de Neymar falsificaram contratos
A Justiça espanhola abriu processo contra Neymar para investigar sua transferência para o Barcelona, em 2013. O processo, que também inclui o presidente do clube catalão, Josep Maria Bartomeu, foi aberto a partir de denúncia da DIS, grupo que detinha parte dos direitos do jogador.
A informação é da rede de notícias Cadena Ser. A empresa alega que o Barcelona e a família de Neymar falsificaram contratos com o intuito de minimizar o repasse da transferência aos demais responsáveis pelo atacante. Neymar e família são investigados por corrupção e fraude.
Quando contratou Neymar, o Barcelona informou ter desembolsado 57,1 milhões para tirar o atleta do Santos. Posteriormente, o clube catalão admitiu que o gasto foi muito maior: 95 milhões.
Segundo a DIS, a manobra feita pelos representantes de Neymar em conjunto com o Barça representou desvio de 40 milhões de euros. O Santos respondia por 55% dos direitos do atleta. A DIS detinha 40%. Os 5% restantes pertenciam à Teísa (grupo de investidores).
Mesmo não tendo porcentagem na negociação com o Barcelona, a família de Neymar recebeu a maior parte da transação, conforme contrato firmado entre a N & N (empresa da família do atacante) e o Barcelona.
O documento mostra que os pais de Neymar ganharam 40 milhões de euros, enquanto o Santos (que tinha a maior parte dos direitos de Neymar) levou 17 milhões de euros. O blogueiro do UOL Rodrigo Mattos teve acesso ao contrato firmado entre Barcelona e a N&N.
A DIS afirma ter recebido pouco mais de 6 milhões de euros pela transferência, mas argumenta que deveria ter recebido mais de 35 milhões de euros.
A diferença do valor informado pelo Barcelona em relação ao valor real aconteceu, entre outros fatores, porque a diretoria catalã não contabilizou valores depositados à N&N desde 2011. O Barça dizia que os depósitos feitos a partir de 2011 eram "por "direito de preferência" na contratação.
O primeiro pagamento ocorreu em novembro de 2011, dias antes da final do Mundial de Clubes entre Santos x Barcelona. A N & N recebeu 10 milhões do Barça "a título de empréstimo", conforme contrato assinado. O documento apresentava que a família teria de devolver a quantia caso não fosse concretizada a contratação.
A Justiça espanhola, no entanto, entendeu que os depósitos caracterizavam clara intenção de ocultar a transação, burlando o fisco e outros envolvidos.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Documento final do 5º Congresso: Unidade, determinação e superação




A segunda etapa do 5º Congresso do PT, realizada no período de 11 a 13 de junho, em Salvador, Bahia, terminou com deliberações políticas importantes para a vida partidária, entre elas a manutenção do PED -  Processo de Eleição Direta.

Um Congresso no qual estavam aptos 794 delegados/as e foram credenciados 765, possivelmente um dos maiores percentuais de comparecimento em relação aos congressos anteriores. Além das definições internas debatidas no evento, o documento final deliberou sobre vários temas de importância política no tocante às questões nacionais em relação à conjuntura política e ao governo, entre elas o apoio, por uma expressiva maioria, em relação ao ajuste fiscal, mas fazendo ponderações sobre a implementação de políticas compensatórias às medidas econômicas.

Com relação ao PED ficou definido no Congresso que o Diretório Nacional terá um prazo de 90 dias para convocar um seminário político para debater e implementar uma reformulação, que consideramos necessária e urgente, no atual modelo de eleição dos nossos dirigentes municipais, estaduais e nacionais. O PED é uma inovação democrática colocada em prática pelo PT desde 2001, sendo, salvo engano, a única experiência do tipo dentre os partidos de esquerda de todo o planeta.

No que toca às questões das finanças do Partido ficou para o Diretório Nacional regulamentar as decisões sobre recursos privados e financiamento público das campanhas eleitorais, a partir do que for decidido no final da reforma política em andamento na Câmara dos Deputados. Um ponto importante foi o lançamento da plataforma para arrecadação financeira de pessoas físicas, sobretudo entre a militância, encaminhada pela Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento do PT e aprovada pelo conjunto do partido.

Aproveito para saudar mais uma vez os delegados e delegadas, os dirigentes e militantes presentes pelo sucesso do nosso evento e também parabenizar o corpo de funcionários/as pela organização do encontro.

Não posso deixar de ressaltar que setores da grande mídia ficaram durante dias estimulando a discórdia entre nós para que esse fosse um congresso de desunião e que produzisse resoluções de rompimento com o governo federal e demais forças políticas. A velha mídia plantou a cinzânia entre o PT e o governo para colher tempestade no Congresso, e baixou em Salvador de mala e cuia na expectativa de colher tempestade, mas erraram feio e voltaram frustrados e de mãos vazias.

Viva o PT! Viva os petistas e viva a Bahia!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Monteiro prepara aposta em um 'comércio mais livre'

Por Claudia Safatle e Rosângela Bittar

Monteiro: “Queremos ter uma postura mais agressiva, queremos nos
integrar a uma rede de acordos comerciais”

Limitado pelo esgotamento de recursos do Tesouro Nacional e sem a bonança externa que ajudou o Brasil até 2011, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, preparou o Plano Nacional de Exportação, que será anunciado pela presidente Dilma Rousseff no dia 23, com cinco pilares de sustentação: acesso a mercados mediante acordos comerciais; facilitação do comércio; financiamento, seguro e garantias;
melhora dos regimes tributários especiais e promoção comercial. Em síntese, a base do programa é um comércio mais livre.

Nesse conjunto há medidas específicas, como um reforço do Proex Equalização, que pode dobrar (hoje é R$ 1,5
bilhão); maior alavancagem do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que opera de forma muito conservadora;
além de mudanças no drawback e flexibilização nas regras do Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob
Controle (Recof), que beneficia pouco mais de 20 empresas, para que possa incorporar companhias de menor
porte.
A depreciação cambial, mesmo com as demais moedas tendo também se desvalorizado frente ao dólar, porém,
deixou o país em posição relativa melhor. "Com esse câmbio podemos compensar uma série de desvantagens
competitivas que o Brasil tem e que ainda vai carregar por algum tempo, ligadas à questão da infraestrutura,
baixa produtividade e sistema tributário".
O plano obedece a uma lógica de mais curto prazo, até que esses entraves estruturais sejam resolvidos. "Nós
sabíamos que estaríamos ingressando em um período de severas restrições fiscais", disse ele. "E antevíamos um
quadro em que muito provavelmente uma parte substancial dessas desonerações seria desmontada." Monteiro diz
acreditar que, nesse contexto, será possível construir as bases do programa, junto com o setor privado.
"Começamos a sentir que vários setores alguns,
por exemplo, que tinham colocado a exportação fora do radar
durante algum tempo, por vários problemas, voltaram a olhála".
Em uma conjuntura recessiva, as exportações se apresentam como a alternativa para as empresas operarem e,
segundo Monteiro, elas já estão se mobilizando para isso. Olhar para o mercado externo, porém, não é mais uma
opção conjuntural. Deve ser permanente e fundada em uma política de inserção global.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Valor: Ministro, o governo anuncia dia 23 o Plano Nacional de Exportações. Do que ele consiste?
Armando Monteiro: O Plano está estruturado em cinco pilares. O primeiro deles é a política de acesso a
mercados. Nós temos que ter uma política comercial ativa, que tenha um olhar sobre as diferentes regiões do
mundo, mas que não seja uma visão apenas regional. O segundo pilar é a facilitação de comércio.
Valor: Como?
Monteiro: Já temos o Portal Único de Comércio Exterior, que simplifica os processos e procedimentos
administrativos e aduaneiros ligados a operação de comércio exterior. O conceito do Portal significa trabalharmos
com a janela única. O governo passa a interagir com o setor privado com um ente unificado.
Valor: Acaba com os vários guichês?
Monteiro: Isso, fica um guichê único. Hoje o operador, para fazer uma exportação, tem que dialogar com três,
quatro órgãos diferentes. Nessas interfaces são feitas exigências diferentes e muitas ainda em papel. Nós vamos
passar a interagir como um ente só. Em uma ferramenta de transparência, chamada de Visão Integrada, o
exportador conseguirá ver onde está seu processo no governo. Tudo será eletrônico, sem papel.
Valor: Isso reduzirá o tempo de tramitação em quanto?
Monteiro: A média para a importação é de 17 dias; nós traremos para 10 dias; na exportação a média cairá de 13
para 8 dias. Com isso teremos a mesma média de tempo dos países da OCDE. E ao reduzir os prazos, nós estamos
falando de redução de custos. Esse será um dos temas que vamos tratar na ida aos Estados Unidos: como o nosso
portal vai dialogar com o dos americanos.
Valor: Qual é o terceiro pilar?
Monteiro: Financiamento, seguro e garantia, que é importantíssimo e muito sensível, por causa das restrições
fiscais. Temos o Proex, que é o programa de financiamento às exportações; e a equalização, que é um instrumento
importante sobretudo para exportar serviços e manufaturas. Ele dá as condições mínimas de aproximação com os
padrões dos países concorrentes.
Valor: A equalização, que é um subsídio, está sob restrição fiscal?
Monteiro: Nossa visão é que se existe um subsídio que tem relação custobenefício
muito favorável, é o ProexEqualização,
porque alavanca muito fortemente a exportação. A relação entre o que você gasta no Proex e o que
você faz de exportação é impressionante e alcança algo como 1 para 40.
Valor: Qual o orçamento do ProexEqualização?
Monteiro: A dotação é de R$ 1,5 bilhão, mas queremos ampliála.
É evidente que para fazer um plano de
exportação é preciso recalibrar os instrumentos, e há demanda. Nós queremos quase dobrar esse valor. Isso está
em discussão.
Valor: E na parte das garantias?
Monteiro: Esse é outro ponto importantíssimo! Você não exporta sem um sistema robusto de garantia. Tem o
FGE, o Fundo de Garantia à Exportação, que tem uma posição ultraconservadora. A exposição do FGE é mínima.
O fundo tem patrimônio de mais de US$ 16 bilhões e exposição que, agora, com a variação do câmbio é de 1 para 5.
Pelos parâmetros prudenciais internacionais podemos dobrar essa exposição, e temos essa expectativa.
Valor: Para completar, ministro, e o quarto pilar?
Monteiro: É algo também sensível nessa hora, mas está caminhando muito bem: o aperfeiçoamento de alguns
regimes tributários especiais na área de exportação. Tem o drawback, que é a desoneração de todos os insumos
importados ou adquiridos no mercado interno (o verdeamarelo)
utilizados no produto que vai ser exportado.
Hoje, as operações de drawback são feitas mediante registro de um ato concessório por produto, por operação,
junto à Secretaria de Comércio Exterior. Queremos fazer o controle por empresa, em uma espécie de débitocrédito.
Isso vai facilitar tremendamente sua utilização. O drawback ampara 25% das exportações brasileiras e é uma
ferramenta poderosíssima. E tem o Recof [Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle
Informatizado], que é um primo rico do drawback, porque ele é mais seletivo e coloca as empresas numa espécie
de linha azul. O que a gente quer fazer no drawback já é automático no Recof.
Valor: Mas terá alguma mudança nele também?
Monteiro: Vamos flexibilizar um pouco a regra de modo a alcançar empresas de menor porte. Hoje o Recof é
muito seletivo e nele só se enquadram vinte e poucas empresas. E o último pilar é a promoção comercial e, aí,
temos uma estrutura já relativamente bem montada, que é a da Apex, e temos a questão da inteligência comercial,
pois precisamos ter informações sobre os mercados, ter capacidade de entender algumas tendências, certo?
"Queremos ter uma postura mais agressiva, queremos nos integrar a uma rede de acordos
comerciais"
Valor: Voltando ao primeiro ponto, do livre comércio, do acesso a mercados, o governo agora está empenhado
em fazer acordos comerciais. O que mudou?
Monteiro: O que mudou são as dores do processo [de ajuste] e a necessidade de procurar mercado. Demos os
primeiros passos para os Estados Unidos, México e União Europeia. Tem a discussão de ampliação dos acordos
de livre comércio, ou obter, por exemplo, espaço para se ter uma maior margem de preferência tarifária.
Valor: Esse é o caso da negociação com o México, não?
Monteiro: No caso do México essa é uma questão presente. Nós temos um acordo de 2002, que só confere
preferência tarifária a 800 produtos. É pouco, porque há pelo menos 6 mil produtos identificados para ampliar a
corrente de comércio. Nós fomos ao México discutir esse acordo de complementação econômica e a nossa
disposição é considerar um universo de mais ou menos 3 mil produtos logo num primeiro momento. O objetivo é
o comércio integral. Agora, temos áreas em que não precisamos discutir tarifa. Por exemplo: o mercado
americano.
Valor: As barreiras são outras?
Monteiro: A primeira viagem que fiz como ministro foi aos Estados Unidos. Quis traduzir, nessa iniciativa, a
visão de que o mercado americano é extraordinariamente importante para o Brasil. O que importa não são tarifas,
que já são baixas, mas barreiras nãotarifárias,
de caráter regulatório. É uma agenda que a gente chama de
convergência regulatória ou de harmonização de normas técnicas.
Valor: Essas negociações vão avançar na visita da presidente aos EUA?
Monteiro: Vamos exatamente fazer avançar essa agenda de facilitação de comércio. O que eu estou querendo
dizer é que o acesso ao mercado está ligado também ao reposicionamento da política comercial. Queremos ter uma
postura mais agressiva, queremos nos integrar a uma rede de acordos comerciais e aos fluxos comerciais que têm
mais dinamismo. Dizse
muito, e em parte é verdade, que o Mercosul é uma certa trava, mas para o México e para
os países da Aliança do Pacífico não temos nenhum problema com o Mercosul. Com o México nós temos absoluta
abertura para fazer um acordo de livre comércio. Com o Chile, o Peru e a Colômbia já temos um cronograma de
desgravação. Com o Chile temos alíquota zero, praticamente, e com Peru e Colômbia, podemos ter em 2018 ou
2019.
Valor: Então o acordo do Mercosul e União Europeia sai?
Monteiro: A posição do Brasil, agora, é ofensiva. Estamos muito empenhados em dizer à União Europeia "Nós
queremos trocar as ofertas". Pelos dados anteriores, a UE considera que devemos fazer algo próximo de 90% da
corrente de comércio e que vai se desgravando [reduzindo gradualmente as tarifas] em um horizonte de 15 anos.
Temos, porém, alguns ajustes para fazer intrabloco.
Valor: Com a Argentina?
Monteiro: Sobretudo com a Argentina que, por ter indústria, é algo mais sensível.
Valor: O sr. disse que "as dores" do processo de ajuste da economia mudaram a disposição do governo para
um comércio mais livre. O câmbio também dá uma mão, não é?
Monteiro: Os anos de apreciação cambial produziram um efeito terrível, especialmente na indústria. Agora o
câmbio está nos oferecendo uma situação melhor não
que você tenha algo extraordinário, porque as outras
moedas também se desvalorizaram perante o dólar. Mas a nossa posição relativa melhorou com a flutuação. Com
esse câmbio podemos compensar uma série de desvantagens competitivas que o Brasil tem e que ainda vai
carregar por algum tempo, na infraestrutura, na queda da produtividade, no sistema tributário.
Valor: Nesse contexto, o papel do plano de exportação se torna relevante?
Monteiro: O plano tem um efeito mobilizador do setor empresarial. Para construílo
fomos conversar com o setor
privado e começamos a sentir que vários setores alguns
que já haviam colocado a exportação fora do radar por
algum tempo voltaram
a olhar o mercado externo.
Valor: Por exemplo?
Monteiro: Setores tradicionais, por exemplo o têxtil, de bens de capital, de cerâmica. O único crescimento que a
Abimaq registrou o ano passado foi exatamente na exportação. O Brasil exportou quase US$ 2,4 bilhões de
máquinas e equipamentos para os EUA. O setor automotivo, que ficou amparado nas altas tarifas de
importação...
Valor: Já foi mais exportador no passado, não?
Monteiro: No passado a indústria automobilística chegou a vender 800 mil unidades no mercado externo. Hoje
restou a exportação de umas 250 mil unidades para a Argentina. Olhando o cenário atual, se o setor automotivo é
mais moderno, se tem produtos de padrão mundial, o que falta para a indústria exportar? Faltava ela entender
que a demanda doméstica caiu. Os números estão aí: queda de 27% no último mês; e de mais de 20% na média no
acumulado de um ano.
Valor: Não seria o caso de exportar da base industrial daqui?
Monteiro: Há decisões que se dão intrafirma. Por exemplo: o EcoSport, da Ford, era vendido para o mercado
mexicano a partir da base brasileira e, ao longo do tempo, essa equação mudou. Poderíamos suprir parte da
demanda do mercado americano a partir da planta da Fiat no Brasil.
Valor: Essa é a saída para as montadoras no curto prazo?
Monteiro: Acho que a exportação é um canal óbvio. Agora, o Brasil tem que fazer muita coisa nessa perspectiva.
Primeiro, ter um olhar sobre o comércio exterior mais permanente. O comércio exterior no Brasil sempre foi uma
válvula conjuntural. Há vendas associadas a serviços e é precisa estruturar o canal de comercialização.
Valor: O plano tem metas?
Monteiro: Não. Pretendemos ampliar a base de empresas exportadoras, que é muito concentrada. Só 20 mil
empresas brasileiras exportam e, dessas, 40 empresas respondem por mais de 50% do comércio exterior. O desafio
é fazer com que a média empresa brasileira industrial e
a pequena, numa certa medida entre
na exportação. Na
discussão do plano, queremos valorizar a participação também das médias e pequenas empresas comerciais
exportadoras (tradings).
"Apenas 20 mil empresas brasileiras exportam e, dessas, 40 respondem por mais de 50% das
exportações"
Valor: Com a taxa de câmbio mais depreciada é possível produzir superávit comercial este ano?
Monteiro: Temos esse objetivo e já estamos identificando algumas coisas. Por exemplo: há certo surto de
substituição de importações já pelo efeito do câmbio em algumas áreas. É como se a indústria estivesse
recuperando espaços no mercado doméstico, porque as importações ficaram mais caras. Na balança comercial o
resultado que virá primeiro é esse, de substituição de importação.
Valor: Definido o Plano de Exportação, quais os seus próximos passos, ministro?
Monteiro: Política industrial.
Valor: Outra?
Monteiro: Eu defendo e vou continuar a defender a ideia do que é política industrial. Não é um pacto com a
ineficiência e não é reclamar proteção e subsídios. Acho que é preciso fazer uma aliança clara do setor privado com
o governo com o objetivo de fortalecer a indústria, porque em última instância todos reconhecem que a indústria é
um ativo importante. Se você olhar a experiência do que aconteceu lá fora, na Coreia, por exemplo, foi uma aliança
muito forte dos governos com o setor privado.
Valor: Há uma sequência de políticas industriais no país...
Monteiro: Sim. Nós tivemos três gerações de política industrial mais recentemente que tiveram lá a sua lógica,
mas o fato é que agora nós estamos desafiados a repensar a política industrial à luz das novas condições
internacionais. Nesse momento estamos discutindo amplamente com entidades, com o ambiente acadêmico, com
os setores, porque nós precisamos oferecer isso. As gerações de política industrial que nós tivemos estavam muito
presas a resultados macro.
Valor: E o que seria micro?
Monteiro: Por exemplo, um grande programa para elevar a produtividade da indústria.
Valor: Como?
Monteiro: Tem uma série de coisas aí, desde programas de extensão industrial e tecnológica, a ideia de criar
uma espécie de Pronatec Empresa,
para focar os programas de capacitação na verdadeira demanda, olhando a
produtividade da empresa. Tem setores da indústria mais tradicional que estão muito envelhecidos. A idade
média das máquinas em alguns setores alcança mais de 20 anos, 25 anos, enquanto que os padrões internacionais
são de oito anos, alguma coisa assim. Precisamos reduzir o custo dos insumos para criar pela base a
competitividade da indústria. E aí, se houver espaço para alguma desoneração porque
mão é uma questão para
os próximos seis meses, vamos ter processos horizontais de desoneração, associados à formação de preços da
indústria. E aí você lembra logo do custo da energia e de alguns insumos também, que a gente precisa ver.
Valor: A redução das tarifas de energia foise
embora com os aumentos mais recentes e ainda deixou uma
conta pesada.
Monteiro: Foise
embora, houve aí todo esse processo, mas não se pode deixar de olhar a questão do custo da
energia, se você quiser ter uma indústria competitiva.
Valor: Agora só pra gente terminar, sei que o sr. está com compromisso; política industrial vai ser o próximo
passo?
Monteiro: Eu acho que o próximo passo é a gente explicitar as linhas da nova política industrial. fonte

Em defesa prévia de Levy, Dilma diz que é injusto e errado tratá-lo como 'judas'

08/06/2015 
Estadão
1701808 2/3

Relação com o Congresso

“Vocês falam muito que a relação está difícil, mas temos tido um processo de discussão bastante efetivo e eu não diria que é tão diferente
do passado. Até agora, não tivemos uma derrota do tamanho daquela da CPMF (extinta em 2007), a mais grave derrota dos últimos
anos para o governo. O governo não está a reboque do Congresso. Pelo contrário. Temos relação independente e harmoniosa. Se você for
olhar, o Congresso, até agora, não se caracterizou por dar uma derrota ao governo. Pode pautar algumas questões que nós não
concordamos. Agora, isso é da democracia.”

Crise na Fifa

“Se tem problema na CBF, na Fifa, que comece a ser investigado. Quem tiver de ser punido, que seja. 

E que se coloque de forma clara que
estes organismos têm de ser transparentes e prestar contas, porque mexem com volume grande de dinheiro. Não vejo motivo (para
chegar à Copa no Brasil). O Brasil não é um país qualquer em matéria de futebol. Não precisamos pagar ninguém para trazer a Copa,
que foi a mais lucrativa que se tem notícia. Por aí eu não acho que é a questão, não. Mas que tem de investigar todas as decorrências e as
relações entre a Fifa e todas as Copas, acho que tem. Todas, sem exceção.”

Renúncia fiscal na Copa

“Todos os países deram. Não é esse dinheiro que teve problema. É a venda de publicidade e de transmissão, onde estão os maiores
volumes. Quem utilizou indevidamente os recursos, pegou dinheiro que poderia melhorar o futebol do mundo, inclusive o nosso, e usou
para seus próprios fins tem de ser investigado.”

Petrobrás

“Nós viramos uma página. A imagem da Petrobrás vai depender muito da vida dela daqui pra frente. A Petrobrás recuperou a
capacidade de produzir. Não que estivesse comprometida, mas não é fácil produzir présal.
Este ano a Petrobrás conseguiu duas coisas:
publicou o balanço após os problemas gravíssimos que a (Operação) Lava Jato levantou. Mas uma empresa que tem mais de 90 mil
funcionários, que ganhou o prêmio na OTC (Offshore Technology Conference, entidade do setor de energia) por inovação, pela
capacidade de extrair de áreas profundas, não está comprometida por cinco, seis, sete, ou sei lá quantos anos. A Petrobrás tem hoje todas
as condições, mas, obviamente, o mercado precisa ajudar.”

Lei das Estatais

“Eles (presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB) têm todo o direito de pedir a
informação quantas vezes quiserem. Mas eles não estão querendo nomear os presidentes das estatais, porque seria interferência em
atribuições do Executivo. Fiscalização é praxe. Qualquer um tem de ir dar explicação no Congresso, não tem problema.”

Terceirização

“Tem de regulamentar, mas não estou acreditando que vão votar a terceirização agora, porque no Senado não é a mesma coisa que na
Câmara. Eu não acho que é tão fácil. Eu não sou contra a terceirização. Você tem mais de 12 milhões de trabalhadores terceirizados que
precisam ter seus direitos protegidos. Porém, tem de cuidar para não acabar com a diferença entre atividade meio e atividade fim, 
porque aí você ‘pejotiza’ e informaliza o mercado de trabalho, que eu acho que é a grande característica ruim da lei.”

Redução da maioridade penal

“Eu não sou a favor por um motivo muito simples: onde ocorreu, ficou claro que isso não resultava em proteção aos jovens. Defendemos
um projeto de lei no qual puniríamos fortemente o adulto da quadrilha que usasse criança e adolescente como escudo. E o crime
hediondo praticado por menor tem de ter tratamento diferenciado. As medidas socioeducativas têm de ser prolongadas.” fonte

CARTA ABERTA AOS DELEGADOS E DELEGADAS DO 5º CONGRESSO DO PT




Companheiros e companheiras,


É com muita alegria que saúdo todos os delegados e delegadas

participantes desta segunda etapa do 5º Congresso do Partido dos

Trabalhadores, realizada em Salvador, Bahia.

O motivo de escrever o presente documento se deve à minha

ausência neste 5º Congresso do PT, por razões de caráter pessoal.

Esclareço também que esta Carta não é direcionada apenas aos

delegados e delegadas de uma só tendência, mas peço licença às

delegações que fazem parte de todas as chapas para dirigi-la ao

conjunto dos participantes deste evento. 

O Congresso do PT, por ser a instância de deliberação máxima do

Partido, é o momento ideal para se fazer reflexões, discutir e deliberar

sobre temas pertinentes da atual conjuntura, sejam relativos à questão

da crise mundial e os seus reflexos por aqui, ou referentes a questões

conjunturais internas voltadas para o Brasil, o PT, o governo e a

política.


O mundo vive uma grave crise desde os anos 2008/2009, que traz

consequências muito graves e atinge especialmente o mundo do

emprego e dos salários, além de criar uma onda migratória jamais

vista. A humanidade se encontra sem rumo, aonde milhares de

pessoas deixam para trás as suas raízes e procuram de forma

desesperada uma oportunidade de sobrevivência em outros países. O

Oriente Médio vive uma enorme instabilidade política provocada por

intermináveis guerras religiosas e conflitos políticos. O irônico é que

quando o Ocidente achava que aquela região poderia se transformar

em uma profusão de estados democráticos, o resultado foi exatamente

o contrário, pois continua a prevalecer ali os extremos da

radicalização, em parte por culpa da intervenção bélica ocidental.

A Europa, praticamente há uma década, não tem estabilidade do

ponto de vista do desenvolvimento econômico. Em vários países, que

antes eram exemplos de bem estar social, hoje o desemprego beira a

linha do absurdo, como se vê na Espanha, Grécia e em parte Portugal,

entre outros. Os Estados Unidos, apesar de ter a moeda mais forte do

mundo e uma sólida estrutura econômica, também vive um vai e vem

de médio a baixo crescimento, muito aquém daquilo que muitos

economistas previram.


Por outro lado temos os BRICS, com a China sendo a mola mestra

para segurar a economia mundial, seguida pela India, e onde os cinco

países tem dado exemplos significativos de resistência a esta crise

persistente. O Brasil teve avanços extremamente significativos na área

social e até mesmo no campo econômico, mas nos últimos tempos 

vivemos um reflexo bastante forte da crise do capitalismo, mas mesmo

assim bem diferente daquilo que apregoam os defensores do “quanto

pior, melhor”. O país vai se sustentando na média dos poucos países

do mundo onde o índice de desemprego é dos mais baixos entre as

grandes economias.


Quero aqui chamar a atenção dos delegados e delegadas que, em se

tratando da conjuntura nacional, é muito importante que o governo e o

PT se atentem para assuntos que são mais pertinentes em relação à

sensibilidade humana. Toco aqui nas questões da garantia do

emprego formal com carteira assinada, na recuperação dos salários,

do controle da inflação, dos investimentos na saúde e na educação, na

questão da segurança pública em que deve priorizar acordos com os

entres federativos, a questão da moradia e de avançar cada vez mais

no combate à miséria. Isso do ponto de vista das políticas sociais.

Do ponto de vista da nossa economia, é muito importante trabalhar as

questões estruturantes do País, sobretudo na desburocratização para

a gestão, além de resolver questões fundamentais na área da

infraestrutura e dos transportes, como os investimentos nos portos,

ferrovias, rodovias e hidrovias. Para isso, é fundamental que se

aumente a arrecadação, mas que se evite tributar bens essenciais que

atingem diretamente o abastecimento, medicamentos, materiais para a

construção de moradias e outros itens, além de ser necessário taxar

as grandes fortunas, especialmente as já declaradas no imposto de

renda, e taxar as grandes heranças. É inconcebível que em 12 anos

de governo, por razões inexplicáveis, até hoje não foi enviado para o

Congresso Nacional nenhum projeto de lei ou medida provisória sobre

tais questões, até mesmo para se conhecer quem é a favor ou contra.

Com relação à reforma política reafirmo aqui o que escrevi em um

artigo intitulado “Reforma política e eleitoral em andamento no

Congresso é um remendo do remendo” e publicado no blog


No que toca às questões internas do PT reafirmo que são problemas

que cabem a cada petista fazer uma reflexão ou autocrítica do seu

próprio comportamento ou desempenho como filiado/a. Se existem

crises no Partido, são crises criadas por pessoas, pois as instâncias

são conduzidas e administradas por seres humanos. Não adianta

procurar chifre em cabeça de cavalo ou listar bodes expiatórios

quando a culpa pelos problemas é somente nossa.

Por essas e outras razões que eu defendo enfaticamente a

manutenção do PED (Processo de Eleição Direta) e a representação

das cotas em todas as instâncias partidárias. Mas é preciso que as

deliberações do 5º Encontro sejam cabíveis de aplicação, discutidas e

aprovadas com os pés no chão, com racionalidade e não

simplesmente pela emoção. Me refiro aqui a boa parte do que foi

aprovado no 4º Congresso do PT, aonde valeram as boas intenções,

mas na prática não foi possível de se aplicar as deliberações às

operações.

Do ponto de vista do governo quero deixar claro que não existe

separação entre o Partido e o Governo. Independentemente de

acertos e erros somos o mesmo corpo e estamos no mesmo barco. É

um direito de qualquer filiado apoiar, criticar e discordar das ações do

Partido e/ou do Governo, mas é preciso ter um ponto de equilíbrio

para entender que se chegamos ao governo foi através do PT.

No que toca à questão do ajuste fiscal, todo e qualquer partido de

esquerda se sentiria e se sente incomodado com as decisões que

precisaram ser tomadas. Isso faz parte do ofício de um partido ser

governo. Sempre é bom lembrar que o governo Lula também teve os

seus momentos de ajustes que foram alvos de críticas de vários

petistas, mas nós superamos aqueles momentos de conflito e o

presidente Lula saiu do governo com uma aprovação popular de mais

de 80%. E eu espero sinceramente que o mesmo ocorra com a

presidenta Dilma. Inclusive os personagens da economia eram

praticamente os mesmos, a única diferença é que estavam sob o

comando do então ministro Antônio Palocci.

Nenhuma tendência interna do PT pode se arvorar em criticar

exageradamente o ajuste fiscal porque todos nós, com raras

exceções, estamos presentes no Partido e no Governo. Então, todos

nós temos telhado de vidro e não cabe a ninguém atirar a primeira

pedra. O momento é delicado e a fúria dos adversários tem o claro

objetivo de aniquilar com o PT e com o governo. Na minha opinião, o

que está em jogo tem um alvo: o ex-presidente Lula e as eleições de

2018.

Nestes últimos anos nós passamos por situações difíceis, mas

vivemos grandes alegrias, dentre elas ter tirado da pobreza extrema

mais de 30 milhões de brasileiros e ter elevado essas pessoas à real

condição de cidadãos; avançamos significativamente na questão do

emprego formal, concedemos aumentos significativos ao salário

mínimo e temos hoje um país reconhecido mundialmente por ter saído

do atraso e ter conquistado tantos avanços em tão pouco tempo.

Citando o grande compositor Paulo Vanzolini em seu memorável

samba “Volta por cima”, eu finalizo dizendo que cabe a todos nós,

petistas, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Viva o Brasil! Viva o PT! Viva o 5º Congresso e os petistas!



Salvador, Bahia, de 11 a 13 de junho de 2015


Francisco Rocha da Silva, Rochinha

quarta-feira, 3 de junho de 2015

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Defender Vaccari é defender o legado do Partido dos Trabalhadores e a democracia

Pessoas, histórias e lutas que não ficarão pelo caminho

Por João Mateus Jr.*



Conheço João Vaccari Neto há pouco mais de um ano. É pouco tempo para conhecer por completo uma pessoa, mas foi o suficiente para aprender muito sobre essa figura pública. Quando o conheci pessoalmente ele já estava secretário de finanças do Partido dos Trabalhadores (PT). O mesmo partido ao qual me filiei aos 14 anos de idade e no qual já não militava mais.
Muito embora já fosse figura de expressão nacional, com farta bagagem política e com mais tempo de PT do que eu possuo de idade, nunca se furtou ao debate de ideias, de diagnósticos e prognósticos políticos que realizávamos quase que invariavelmente ao nos encontrarmos (para desespero daqueles que por ventura acompanhavam os embates de ideias). Diz muito sobre o caráter de um homem o fato dele não se esconder atrás de seu cargo, nome ou história, e de tratar como igual alguém que poderia ser seu filho.
Sem medo algum de errar, atesto que conheci um grande homem, um esposo atencioso e um pai cuidadoso e presente.
Escrevo esse texto 24 horas após o nascimento do primeiro neto de Vaccari, fruto de sua filha única. Ele, lamentavelmente, não esteve presente nesse momento único vivenciado por sua família. O motivo que o fez estar ausente nesse momento sublime é conhecido: Vaccari está preso preventivamente pela conhecida operação “Lava Jato”.
A prisão de Vaccari Neto, solicitada pelo Ministério Público Federal e decretada pela Justiça Federal do Paraná, baseia-se em um tripé tão frágil que faria corar qualquer indivíduo minimamente isento. Meras ilações, suposições e conclusões precipitadas que não encontram qualquer alicerce em provas que as sustentem. Tudo baseado em delações premiadas de criminosos confessos, alguns deles flagrados com centenas de milhões de dólares no exterior e que com seus acordos de delação escaparam de duras penas de prisão.
A operação “Lava Jato” começou com a promessa de passar a limpo um dos graves problemas da nação: a relação promíscua entre o capital e o poder. Infelizmente, atinge um ponto melancólico no qual um réu confesso (e inclusive já condenado), flagrado com milhões de dólares em contas secretas no exterior, cumpre pena em casa e um homem acusado sem provas, privado dos seus direitos constitucionais, tem na pena de prisão preventiva a antecipação de pena que só os malabarismos midiáticos da Justiça Federal do Paraná permitem.
João Vaccari Neto não está preso por ser João Vaccari Neto. Ele está preso única e exclusivamente por ter sido o Secretário de Finanças do PT, numa medida desesperada do andar de cima da sociedade em criminalizar todo um partido e assim retirá-lo do poder. As elites conservadoras assistiram nas últimas quatro eleições os seus representantes serem derrotados pelas forças populares. Só os ingênuos acreditariam que essas derrotas seriam aceitas como parte do jogo democrático.
O PT foi construído com o sacrifício de muitos, forjado no seio da luta pela redemocratização. Em sua fundação tiveram papel fundamental operários, sindicalistas, intelectuais, estudantes, trabalhadores rurais. Esse agrupamento de atores políticos permitiu o nascimento de um partido com estrutura, participação popular e ideias único no País.
A eleição do presidente Lula permitiu colocar em prática muito daquilo que o partido defendeu historicamente. As engrenagens sociais da nação foram colocadas em funcionamento a todo vapor, e o País, que se acostumou a alijar do fruto do trabalho seus próprios filhos, passou a mudar.
Os governos federais do PT serão lembrados como aqueles no qual o trabalhador apresentou aumento real e continuado de renda, os estudantes de baixa renda foram às universidades antes frequentadas apenas pelos mais ricos, milhões de famílias conseguiram sua casa própria e outras tantas milhões deixaram a linha da miséria, o que resultou na saída do nome “Brasil” do famigerado “mapa da fome” da ONU.
Pela primeira vez em nossa história, o Estado tinha voltado sua atenção para os mais necessitados. E esse “crime” nunca foi aceito pela casa grande, pelos senhores do capital e seus bajuladores de plantão, todos devidamente acobertados e estimulados pela mídia tupiniquim caolha e entreguista. Ao ver-se rodeada nos aeroportos por pessoas que elas consideram inferiores, ao ver o filho da empregada doméstica cursando medicina na mesma universidade que seu filho, as forças do atraso iniciaram essa campanha de ódio contra o PT, que cega e permite que a lei e a constituição sejam afrontadas diuturnamente com o objetivo único de acanhar o governo e destruir com meios escusos o PT. O julgamento que vale para um partido é o das urnas, e nesse o PT passou com louvor.
Quando decretou a prisão de Vaccari baseado em um processo mambembe, a Justiça desafiou a todos aqueles que detém um mínimo de bom senso e coerência a levantar-se, independente de orientação política, em uníssono contra tal arbitrariedade. Afinal, a violação dos direitos básicos de um indivíduo é uma violação contra todos os indivíduos.
Ao ver, neste blog, a defesa de Vaccari ser realizada com unhas e dentes por seus amigos de longa data, tenho ainda maior a certeza de que ele é inocente. Caso não soubesse mais nada sobre ele, só o fato de saber que seus amigos lhe são fiéis já seria o suficiente para depositar voto de confiança nele.
Não queremos e não aceitamos nenhum tipo de privilégio ou tratamento privilegiado, mas também não queremos e não aceitamos ser tratados de forma pejorativa. Não há nos autos uma só prova contra Vaccari, nenhum motivo que justifique sua prisão preventiva.
Ninguém está acima da Justiça. Caso o Estado ache pertinente, que julgue Vaccari, mas que o faça com ele em liberdade. Ao término do processo, não nos restará dúvidas de que ele será inocentado e que a verdade virá à tona. Caso essa prisão preventiva seja mantida indeterminadamente, o dano a ele talvez seja irreparável.
Aguardamos ansiosos a libertação de Vaccari e a JUSTIÇA.
A defesa dele é a defesa do PT, dos avanços sociais e dos legados do presidente Lula.

Fonte da matéria