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segunda-feira, 9 de março de 2015

Petrobras: A corrupção na estatal e o olho grande sobre o pré-sal

Estamos entrando numa nova fase da Operação Lava-Jato após a chegada da lista dos nomes pretensamente envolvidos em “corrupção” num esquema possivelmente herdeiro de anos a fio de malfeitos na empresa estatal.

A princípio, por conta da espetacularização do Sistema Globo e de setores da mídia, passava-se a sensação para todos nós que era a primeira vez que se tinha conhecimento de corrupção no Brasil. Ledo engano. Basta lembrar de algumas operações antigas e de outras mais recentes feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, tomando como exemplo os escândalos do Banestado, dos anões do Orçamento, da compra de votos para a reeleição de FHC, a privatização tucana em vários setores como o elétrico, telefonia, ferrovias, etc. Tivemos as operações Vampiros, Castelo de Areia, Sanguessuga, entre outras, sem se esquecer da CPMI da própria Petrobras instalada em 2007 e abafada por Sérgio Guerra, então presidente do PSDB na época, ao custo de 10 milhões de reais, conforme afirmou o próprio delator Paulo Roberto Costa.

Será que desta vez de fato estão querendo passar o Brasil a limpo? Na minha opinião poderia dizer que em parte sim e que em parte não. Os principais responsáveis pelas malfeitorias ocorridas na estatal são funcionários públicos concursados e com serviços na empresa há mais ou menos 30 anos. Isto nem a Globo e nem a mídia diz. Mas, com certeza, fariam grandes estardalhaços se fossem funcionários com cargos de confiança.

Tanto Paulo Roberto Costa quanto Pedro Barusco já deram a dica. Apontaram empresas que pagavam propinas a eles próprios na década de 90. Espero que as diligências que serão investigadas sob sigilo a partir de agora consigam desembuchar definitivamente este embróglio. No que toca ao recebimento de propinas, para qualquer leigo chega-se à conclusão de que a maior parte delas foi embolsada pelos próprios funcionários. E os políticos? Será que Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa, Alberto Yousseff ou qualquer outro, ao repassar as chamadas doações legais ou as ilegais diziam aos interlocutores, operadores ou recebedores, que estavam repassando doações provenientes de propinas de vários projetos que envolviam a Petrobras? Eis o X da questão.

Espero que o Supremo avalie com uma máxima atenção essa observação. Porque se operadores e recebedores não foram avisados de que era dinheiro de propina, qual é a culpa deles? No fundo o estardalhaço em relação à Petrobras é decorrente de fatos corriqueiros de muitos e muitos anos. É uma empresa, queiram ou não, das mais conceituadas no Brasil e no mundo, e hoje muito mais em decorrência da grande extensão do campo de exploração do pré-sal. A questão que está sobretudo em jogo, na minha opinião, são políticos e agentes financeiros do grande capital que tentam desidratar a empresa para encontrar o caminho da privatização e a entrega da exploração do pré-sal para as empresas norte-americanas.

Tudo que tem começo tem fim. O fio da meada foi desenrolado e neste caminho ainda ficaremos sabendo de muitas coisas que estão ocultas.

Já que o assunto está na ordem do dia, é fundamental que se investiguem todas as ramificações da empresa, e aqui eu cito especificamente três: aprofundar as investigações sobre a Refinaria Abreu e Lima, o Porto de Suape, em Pernambuco, e ir a fundo na apuração sobre o complexo chamado Comperj na cidade de Itaboraí, no Rio de Janeiro.

É importante que o Supremo faça um esforço para evitar que a chamada investigação sob sigilo não se transforme em fontes de vazamentos seletivos, como o que aconteceu de Curitiba para o resto do Brasil nas primeiras fases da Lava-Jato.

Ao final que todos aqueles que fizeram parte das malfeitorias que paguem o preço. Mas que a Justiça evite a politização e a individualização dos que são apontados na Operação.

Nos vazamentos seletivos passava-se para a população a percepção de que na divulgação da lista só iriam aparecer nomes de petistas. Fico triste com o conjunto da lista dos envolvidos. Mas, ao mesmo tempo, pela primeira vez, a PGR e o Supremo agiram com lisura, tanto no que toca à elaboração e recebimento da lista, quando todos ficaram no mesmo pé de igualdade em relação às denúncias, como também evitaram de forma profissional o vazamento que serviria de espetacularização midiática.

Lamentavelmente, alguns envolvidos procuram encontrar bode expiatório em seu próprio meio e esquecem-se que quando foram envolvidos em outros tipos de denúncias, PT e petistas foram extremamente solidários em todos os momentos. Não interessa ao PT e aos petistas lançarem ao mar todos aqueles que politicamente constroem uma gestão de governa exitosa e vitoriosa em 12 anos.

Espero que os mais exaltados façam uma profunda reflexão e parem de achar que existe uma “armação” por parte do PT e do governo para prejudica-los. Isto não ajudará em absolutamente nada.

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