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terça-feira, 10 de março de 2015

A lista de Janot, a CPI e o tesoureiro do PT

A lista de Janot, a CPI e o tesoureiro do PT

A partir dos depoimentos da delação premiada, acompanhados de vazamentos seletivos na tentativa de incriminar o Partido dos Trabalhadores, pegaram como principal bode expiatório o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

É necessário esclarecer que o nome de Vaccari não consta da lista do procurador geral da República, Rodrigo Janot, entregue ao Supremo Tribunal Federal, mas por decisão daquela corte ele foi incluído para ser investigado.

Virou moda entre a oposição e setores da grande mídia utilizar os tesoureiros do PT para, a partir daí, criar espetacularizações sobre a questão de doações financeiras ao Partido como se pela lei vigente todos os partidos também não recebessem doações financeiras privadas.

Estamos muito à vontade para enfrentar este debate porque defendemos de forma enfática e direta o financiamento público para todas as campanhas eleitorais acompanhado de uma reforma política e eleitoral profunda, inclusive limitando, por lei aprovada no Congresso Nacional, a quantidade de partidos políticos no Brasil. Quem não quer e trabalha para isto não ocorrer é exatamente a mídia, que é beneficiaria de verbas de vinculação junto às campanhas, além dos interesses políticos e econômicos do mundo financeiro.

Todo o mundo político e a mídia em geral sabem que João Vaccari Neto, atual tesoureiro do PT, foi eleito no Processo de Eleição Direta (PED) no ano de 2010 e reconduzido ao cargo em 2014. Outro detalhe importante: No PT, o tesoureiro nacional do Partido não pode ser tesoureiro das campanhas presidenciais. Mas, para confundir a opinião pública, vários setores políticos ou midiáticos tentam passar como fato uma versão querendo mostrar que Vaccari é tesoureiro do PT desde 2003. Eu gostaria de saber porque, oficialmente, o PT não tem esclarecido este assunto através das suas ferramentas de comunicação. Assim como a bancada do PT age como se desconhecesse o fato.

Espero que a justiça procure arguir os delatores se de fato eles tem relação financeira de doações ao Partido com o João Vaccari como tesoureiro do PT a partir de 2003. Esta é uma mentira vergonhosa.

A sensação que eu tenho é de que essa espetacularização é uma tentativa de envolver os nomes do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma num assunto em que ambos foram os protagonistas em dar apoio e estrutura ao Ministério Público e à Polícia Federal para debelar qualquer tipo de corrupção. Alguém pode me informar se políticos, empresários e outras autoridades tenham sido alcançados pela mão da justiça antes de 2003? Pelo contrário, o que existia eram instituições que deveriam investigar, mas que se encontravam totalmente falidas e dirigidas por personagens de plantão prontos para engavetar processos e denúncias que poderiam lhes atingir.

Dirigentes do PT, quadros políticos e a bancada precisam enfrentar imediatamente esta discussão e não aceitar que uma mentira extremamente vergonhosa, explorada por adversários políticos e pela mídia, se transforme em verdade.

Por incrível que pareça, nos debates da CPI da Petrobras no dia de hoje o depoente me pareceu que veio orientado para citar exaustivamente o nome do Vaccari, sem provas,  passando a versão como um fato de que o tesoureiro do PT fazia parte das discussões sobre doações que eles nunca disseram ao Vaccari que era propina, segundo o delator, institucionalizada desde 2003.

Uma curiosidade que merece uma reflexão de todos nós e uma investigação profunda por parte da justiça. Se o delator Pedro Barusco diz que recebia propinas desde os anos 90, e que elas passaram a ser institucionalizadas a partir de 2003, será que ele não foi o grande mentor da ideia, já que o próprio declara que já recebia propina individualizada nos anos 90?

Cabe à justiça apurar com profundidade quem de fato foi o mentor e se realmente a prática se institucionalizou a partir de 2003, ou simplesmente mudaram de personagem. Espero que a verdade venha à tona.

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