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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Um balanço preliminar da política entre 2010 e 2014.


Faltando poucos dias para terminar o ano de 2014, passo aos petistas e meus seguidores uma análise ainda preliminar do que ocorreu na política durante esses quatro anos.
O Brasil conviveu, e ainda convive, com os reflexos de uma aguda crise mundial na política e na economia; Na política tivemos anos bastante tumultuados em várias partes do mundo, indo desde o oriente médio com os movimentos populares enfrentando governos advindos da velha oligarquia religiosa (a chamada primavera árabe). Esses movimentos se expandiu por outras partes do mundo, inclusive, no berço da civilização da democracia, a Grécia.
Na economia, há anos a Europa e também os Estados Unidos, foram atingidos por uma forte crise de recessão econômica causando desemprego e atingindo benefícios sociais conquistados pela população. Neste capitulo o Brasil e outros países da América Latina não ficaram imunes. Aqui tivemos problemas na área da economia, sobre tudo na indústria, mas conseguimos garantir a conquista dos direitos sociais, conquistados pelos trabalhadores nos últimos doze anos especialmente na garantia do emprego e dos salários, os avanços sociais são INCONTESTAVEIS. 
Na política fomos, na minha opinião, incapazes de enfrentar a fúria dos chamados “grandes” meios de comunicação, hoje aparelhado por meia dúzia de família da alta elite brasileira que serviram de cavalo de Tróia para içar uma oposição sem programa, sem rumo e sem militância, é o retrato fiel da velha UDN de CARLOS LACERDA. O sistema globo composto por tv, rádios e jornais e seus aliados, montaram durante quatro anos janelas de notícias facciosas, mentirosas e covardes contra o governo e o PT para beneficiar está “oposição” e a elite preconceituosa, injusta e gananciosa que não aceitam os avanços sociais do Brasil nos últimos doze anos.
Tentaram por todos os meios, tumultuar o ambiente político e envenenar setores da sociedade contra um governo legitimamente eleito em 2010. Jogaram contra a vinda do Papa ao Brasil, as obras estruturantes e a copa do mundo e outros eventos tentando criar um ambiente que pudesse nos derrotar em 2014. Perderam todas!
Ganhamos a eleição e o Brasil continua na sua trajetória de avanços sociais, vamos superar os problemas na área econômica e trabalhar para vencer as eleições em 2018 indo até 2027.
Nessa semana começaram a veicular nos meios de comunicação as chamadas retrospectivas do ano de 2014 elaboradas sobre os interesses midiáticos dos donos da comunicação no Brasil. Atuam de forma vergonhosa e com disfarce as notícias venenosas que eles tentam passar aos ouvintes. Perca de tempo! O brasileiro está cada vez mais politizado e já não acredita mais nas mentiras do sistema globo e de outros meios de comunicação como acreditavam no passado.
Hoje, graças as redes sociais e aos bloqueios independentes. Temos espaços para enfrentar as mentiras, os disfarces e as calunias.

O BRASIL AVANÇA, CRESCE SOCIALMENTE E AMADURECE A SUA DEMOCRACIA.

BOAS FESTAS PARA TODOS OS BRASILEIROS.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Oposição e setores da grande mídia tentam paralisar as grandes obras estruturantes do Governo Dilma

Ao utilizar de maneira oportunista os fatos recentes envolvendo a Petrobras, a oposição e setores da grande imprensa tentam emparedar o governo com o objetivo de paralisar o avanço das grandes obras estruturantes que estão em curso por todo o país.

São obras de grande porte e de extrema importância que estão sendo construídas de norte a sul do Brasil. Só para citar algumas  podemos destacar a transposição do rio São Francisco, que já se encontra em fase de conclusão, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau; a retomada da ferrovia Transnordestina, a duplicação das rodovias BR-381, que liga Belo Horizonte a Vitória-ES; duplicação da BR-050 que liga Brasília até a divisa de Goiás e Minas e a ampliação do trecho da BR-040, que liga Juiz de Fora a Brasília, além da ampliação de portos e aeroportos em todo o país.

É importante destacar também a necessidade da retomada da construção de grandes barragens no Nordeste e continuação da construção de mais cisternas no semiárido. Quase 800 mil cisternas já foram entregues. Outro programa fundamental que precisa ser concluído é o Luz para Todos, para beneficiar o norte de Minas e algumas regiões do Norte e do Nordeste. 

Essas são obras cruciais para o desenvolvimento do Brasil e que não podem de maneira alguma sofrerem qualquer tipo de paralisação. Na minha opinião, o governo Dilma deveria utilizar o Batalhão de Engenharia do Exército para colaborar em várias regiões. Lembro aqui que a engenharia do Exército já concluiu um dos canais da transposição do São Francisco que estava sob a sua responsabilidade, além de atuar em obras importantes como a duplicação da BR-101 ligando Recife a Natal.

Paralelamente, é preciso fortalecer o BNDES para que ele continue estimulando o setor industrial e também a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil para ampliar o crédito, principalmente para priorizar a construção de moradias populares dentro do programa Minha Casa Minha Vida

Também pensando especialmente na questão estratégica do Nordeste, eu e o companheiro Joaquim Cartaxo, do PT do Ceará, elaboramos uma proposta que aponta prioridades e ações do governo federal para aquela região, que foi fundamental para a reeleição da nossa presidente Dilma Rousseff, além de eleger governos estaduais majoritariamente ligados ao bloco de centro-esquerda.

Essa proposta foi repassada ao ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, para que ele entregue nas mãos da presidente Dilma.


Leiam abaixo a íntegra do texto:

NORDESTE À ESQUERDA

A reeleição da presidenta Dilma provocou reações políticas e ideológicas diversas, dentre elas manifestações preconceituosas contra os nordestinos. Baixadas a temperatura da disputa e do pós-disputa imediata, os resultados eleitorais e políticos podem ser avaliados de modo menos passional e com grau de racionalidade maior. Daí, observa-se que a eleição para governador no nordeste ou melhor no semiárido brasileiro constituiu o território geopolítico que será administrado por governos do bloco centro-esquerda, majoritariamente. Território constituído pelos estados  do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Maranhão, extremo norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, que apresenta áreas com com paisagem típica de semi-deserto a áreas com balanço hídrico positivo, como a região de Gilbués, no Piauí.

Vejamos os partidos dos governadores eleitos nesses estados. Bahia, Ceará, Minas e Piauí - PT; Pernambuco e Paraíba - PSB; Alagoas, Sergipe e Espírito Santo - PMDB; o Rio Grande do Norte - PSD em aliança com o PT, derrotando as famílias Alves, Maia e Farias que tradicionalmente dominavam a política riograndense; Maranhão - PC do B, destituindo a família Sarney que controlava a política estadual há anos.

Esse resultado político demonstra a identidade do eleitor com os partidos de esquerda - PT, PC do B, PSB - e de centro - PMDB, PSD - que compõem a base aliada dos governos Lula e Dilma. Daí pode-se observar que o eleitor decidiu votar na presidenta e nos candidatos a governador cujos partidos possuem compromissos com o projeto democrático e popular, mantida as peculiaridades políticas de cada estado. 
Governadores que com a Presidenta Dilma compõem o Conselho Deliberativo da SUDENE e podem imprimir a esse órgão forte perfil democrático e popular. O Conselho Deliberativo é o órgão máximo de decisões estratégicas e estabelecimento de prioridades para o desenvolvimento da área de atuação dele e operacionalização de instrumentos de ação como Fundo Constituiconal de Desenvolvimento do Nordeste (FNE), Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), incentivos fiscais e financeiros federais. É responsabilidade ainda do Conselho apreciar a elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do Plano de Desenvolvimento do Nordeste (PDNE) e propor encaminhamentos relativos à regionalização, aperfeiçoamento, adaptação ou complementação dos programas e políticas públicas relevantes para o desenvolvimento sustentável da região.

Além da SUDENE, há outros órgãos que têm como atribuições especificas promover o desenvolvimento sustentável da região: 

a) Banco do Nordeste (BNB) - maior instituição da América Latina voltada para o desenvolvimento regional; executa o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e administra o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), principal fonte de recursos do Banco. Além dos recursos federais, opera outras fontes de financiamento nos mercados interno e externo, por meio de parcerias e alianças com instituições nacionais e internacionais, dentre elas o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O BNB opera também o maior programa de microcrédito da América do Sul e o segundo da América Latina, o CrediAmigo, assim como o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE), criado para estruturar o turismo da região.

b) Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) - realiza políticas federais de obras de proteção contra as secas e inundações, irrigação, assentamento de população em comunidades de irrigantes, fomento à piscicultura, assistência às populações atingidas por calamidades públicas, implantação de sistema simplificado de abastecimento de água (poço, bombeamento e pequena adutora) 

c) Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) - contribui para a promoção do desenvolvimento sustentável e revitalização  das bacias dos rios São Francisco, Parnaíba, Itapecuru e Mearim; mobiliza investimentos públicos para a construção de obras de infraestrutura destinadas à implantação de projetos de irrigação e aproveitamento racional dos recursos hídricos; investe na aplicação de novas tecnologias, diversificação de culturas, recuperação de áreas ecologicamente degradadas, capacitação e treinamento de produtores rurais, além da realização de pesquisas e estudos socioambientais e econômicos; contribui para o fortalecimento dos arranjos produtivos locais (APL) em comunidades rurais, especialmente em áreas tradicionalmente afetadas por longas estiagens, promovendo a inclusão produtiva de famílias por meio do fomento à apicultura, piscicultura, maricultura, ovinocaprinocultura, cajucultura, entre outras. 

Com a eleição da presidenta e desses governadores, surge a oportunidade político-institucional de promover-se a aceleração do crescimento econômico e intensificação do desenvolvimento social do semiárido. Para isso, é necessário vencer o desafio de articular e integrar os órgãos mencionados como principais instrumentos de implantação e financiamento do desenvolvimento em consonância com essa nova realidade política de centro-esquerda do nordeste.   

A direção nacional do PT e diretórios nordeste estão diante do desafio e da ocasião de contribuir de forma decisiva para que esse resultado eleitoral se aprofunde no sentido de fortalecer a política de centro-esquerda nos estados, articulando o poder público, a sociedade civil e a iniciativa privada. Para realizar essa tarefa partidária, é necessário que se implante um mecanismo de articulação permanente desses diretórios, coordenado pela direção nacional, com a atribuição de propor e acompanhar as ações partidárias e governamentais voltadas para o crescimento econômico, desenvolvimento socioambiental e valorização cultural da região. Da mesma forma, quem for ocupar cargos de direção, daqueles órgãos citados, precisa está em consonância com esse corte ideológico realizado pelas urnas, portanto dispostas atuarem seguindo orientação partidária, em especial os petistas. 

Por último, lembrar que as forças democráticas, progressistas e socialistas nordestinas que elegeram esses governadores têm história política e legado forjado nas lutas populares de combate às forças conservadoras do nordeste. São exemplo disso: Canudos, Palmares, Confederação do Equador, Caldeirão do Beato Lourenço, Cabanada, Balaiada. Além disso, há nomes compromissados com essas lutas como Celso Furtado, Miguel Arraes, Jorge Amado, Bárbara de Alencar, Rachel de Queiroz, Ariano Suassuna, Glauber Rocha, Humberto Teixeira, Castro Alves, Tom Zé, Lampião, Torquato Neto, Manoel da Conceição, José Genoino, Carlos Marighella  e tantos outros que orgulham o povo nordestino e brasileiro.

OBS: Como este é o último texto que escrevo neste final de 2014 aproveito a ocasião para desejar Boas Festas e um Feliz 2015 a todos os internautas.

VÍDEO BOMBA: O que a globo e setores da grande mídia escondeu e esconde.





quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O PSDB, que representa o maior partido de oposição, se transformou na velha e extinta UDN

Notícias veiculadas na imprensa no dia de hoje dão conta de que o PSDB entrará com uma representação no TSE contra a diplomação da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, tomando por base denúncias sem fundamentos e já esclarecidas sobre o papel dos Correios na distribuição de propaganda durante a campanha eleitoral.

A versão comentada na época era de que o suposto ato de beneficiamento da candidata do PT teria acontecido no interior de Minas Gerais, onde porém vários funcionários da própria instituição fizeram declarações que desmentiram a calúnia e desmontaram a trama. 

É lamentável que um partido que se diz pautar pelas liberdades democráticas tenha se transformado numa sigla com os mesmos objetivos que pautavam a velha UDN na época de Carlos Lacerda. 

E para apimentar a notícia de hoje aparece a intenção da denúncia, segundo os jornais, vinculada a um procurador eleitoral que tem estreitos vínculos com o PSDB.

É triste para todos, inclusive alguns tucanos que participaram da luta pela redemocratização do país, se submeterem a um jogo sujo em todo o processo eleitoral e depois dele. A presidente Dilma foi eleita legitimamente e só os abutres, juntamente com os grandes meios de comunicação, tentam minar uma decisão soberana do povo brasileiro. Tentam apenas porque não conseguirão. O Brasil, especialmente nos últimos anos, se consolidou como uma democracia sólida e permanente.

Ao PSDB que, segundo os mesmos jornais, planeja com isso incentivar fantasiosos movimentos futuros pela cassação da presidente eleita, deixamos apenas o recado de que o povo brasileiro não aceita mais golpes e ameaças à democracia. Esse tempo, felizmente, já passou!

Resposta do companheiro Valter Pomar á matéria do blogueiro Luiz Nassif sobre o PT

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Nassif: quando a relevância sobe à cabeça

A vitória de Dilma Rousseff é resultado de muito esforço coletivo. 

Tem especial relevância a contribuição dada por muitos comunicadores progressistas e de esquerda, entre eles blogueiros como Luís Nassif.

Cada blogueiro tem seu estilo e sua linha. 

Nassif, por exemplo, é capaz de perpetrar artigos como A perda de relevância do PT, divulgado no dia 16 de dezembro de 2014 pelaCarta Capital.

O artigo de Nassif está reproduzido na íntegra ao final deste e está também disponível no endereço  http://bit.ly/1AgE9oq

O artigo começa ao estilo de 9 de cada 10 artigos publicados pela grande imprensa a respeito do PT: falando de Lula.

Diz Nassif: "Lula tem dois enormes desafios pela frente. O mais distante são as eleições de 2018; o mais premente, é dar relevância ao PT."

Claro que alguém que concebe a política desta maneira, como extensão dos desafios de um indivíduo, seja lá quem for, só pode mesmo concluir que o Partido é irrelevante.

O papel de Lula é com certeza relevante. Mas vencer as eleições de 2018 e dar protagonismo ao PT são tarefas coletivas. Quem não percebe isto e quem não age em consonância com isto, contribui para nossa derrota, mesmo que pretenda o oposto disto.

Segundo Nassif, "nos últimos anos, o PT tornou-se um partido insignificante. Tem apenas um porta-voz, o presidente Rui Falcão, que em geral não se pronuncia em momentos cruciais. Intelectuais, personalidades públicas, juristas simpatizantes surgem em seu apoio quando a democracia é ameaçada, mas há muito deixaram de ter voz ativa no partido".

Além de bela, como é gozada esta nossa vida. 

Não há na história brasileira um Partido com o protagonismo alcançado pelo PT. Nos últimos 25 anos, polarizamos todas as disputas presidenciais. Nos últimos doze anos, vencemos todas as eleições presidenciais. Qual o critério para nos considerar um partido "insignificante"?

O PT tem defeitos? Certamente. Aliás, como dirigente do PT entre 1997 e 2013, sou responsável por parte destes defeitos. Mas entre reconhecer nossos defeitos e dizer que o PT "tornou-se um partido insignificante", vai uma distância enorme.

Sei que atacar a política, os políticos, os partidos e o PT virou o esporte predileto de muitos jornalistas, comentaristas e "analistas" da política nacional, especialmente os de coração tucano. Mas até neste esporte, é preciso um pouco de seriedade.

Não é sério, por exemplo, atribuir a uma pessoa a solução dos problemas do PT. Pelas mesmas razões, tampouco é sério atribuir a uma pessoa os problemas do PT.

Segundo Nassif, o "isolamento" do PT "tem muito a ver com a personalidade de Rui Falcão". E para criticar Falcão, Nassif faz um paralelo entre o que teria ocorrido no Sindicato dos Jornalistas nos anos 1980 e o que está ocorrendo no PT atualmente.

Sei dos Sindicato dos Jornalistas mais ou menos o mesmo que Nassif demonstra saber sobre o PT: muito pouco ou quase nada. 

Exemplo: quem conhece um pouco o PT sabe que viajar o país não "consolida estrutura de influência": trata-se apenas uma necessidade incontornável em um Partido nacional e diversificado. 

Outro exemplo: não é o presidente do Partido quem define a composição da direção partidária. 

E se "grandes nomes" foram rumo ao governo, isto é devido à concepção dominante em certos meios, segundo a qual o governo é mais "significante" do que o Partido.

Nassif, noves fora o desconhecimento acerca do PT e algum problema mal resolvido com Falcão, comete uma inaceitável fulanização dos problemas do petismo. 

Nossos problemas financeiros, organizativos, comunicacionais, democráticos e éticos não tem "muito a ver" com a "personalidade" de Rui Falcão, nem com as "personalidades" de Dirceu, Genoíno, Tarso Genro, Ricardo Berzoini, Marco Aurélio Garcia, Zé Eduardo Dutra, Lula e Dilma.

Claro que cada uma destas "personalidades" tem seu papel na nossa história, inclusive nos nossos problemas. 

Mas os grandes problemas do PT derivam da política, mais especialmente da estratégia e do respectivo modelo de organização e funcionamento adotado pelo Partido desde 1995. 

Se não modificarmos esta estratégia e o derivado padrão de organização e funcionamento, não haverá "personalidade" que nos salve.

Resumidamente, trata-se de retomar -- não apenas como discurso, mas como prática -- uma orientação que vem desde os anos 1980: para transformar o Brasil, é preciso combinar ação institucional, mobilização social e organização partidária, operando uma verdadeira “revolução cultural” no modo de fazer politica das classes trabalhadoras.

Um detalhamento destes problemas estratégicos pode ser lido em http://www.valterpomar.blogspot.com.br/2014/11/carta-sobre-o-pt-o-governo-e-assuntos.html

Outro texto que trata destes problemas está em http://www.valterpomar.blogspot.com.br/2014/10/comemoracao-e-luta.html

Claro que Nassif não é o único a desconsiderar a estratégia como a causa de fundo dos problemas do PT. 

Este erro é cometido até mesmo por gente muito diferente de Nassif. Lula, por exemplo, no discurso que fez no ato de lançamento do Congresso do PT, depositou nas "cotas" de jovens, negros/as e mulheres a responsabilidade por problemas que são essencialmente de outra natureza.

Nassif, entretanto, incorre em algo mil vezes pior do que adesinformação e uma perspectiva incorreta.

O problema principal é que, para Nassif, tudo já era: "O PT envelheceu, perdeu o viço dos movimentos sociais, a vitalidade intelectual, a dimensão pública. E, especialmente junto à juventude, a Lava Jato terá um poder corrosivo mil vezes maior do que a AP 470. Fica o País órfão de partidos, entre o PT, que perdeu a dimensão do nacional, e o PSDB, que tornou-se um partido golpista, com suas principais lideranças se permitindo ser coadjuvantes de revoltados online. E sem Marina, que continua chorando pelos cantos como uma hárpia autocompadecida".

O mais desolador em Nassif é a desesperança.

Desesperança compartilhada, aliás, por muitos que sonhavam numa aliança entre PT e PSDB.

Desesperança que as vezes resulta em textos alarmistas sobre o golpismo da direita, que desembocam em textos alarmantes justificando concessões à direita golpista.

A este respeito, ler os dois textos abaixo: 

http://jornalggn.com.br/noticia/armado-por-toffoli-e-gilmar-ja-esta-em-curso-o-golpe-sem-impeachment

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/161992/Nassif-Dilma-acerta-na-largada-do-segundo-mandato.htm

Quem insiste em manter uma estratégia de conciliação, fica mesmo sem muita alternativa para explicar o que está dando de errado, salvo por exemplo colocar a culpa em pessoas.

Não há dúvida: os problemas do mundo, do Brasil e do PT são imensos. Mas é possível enfrentá-los e resolvê-los, sob três condições. 

A primeira condição é buscar a solução não em indivíduos geniais, mas no coletivo, mais exatamente na conscientização, organização e mobilização da classe trabalhadora.

A segunda condição é buscar a solução não na conciliação, mas no enfrentamento com aqueles setores  políticos e sociais contrários à soberania. à democracia e à igualdade.

A terceira condição é não perder nem a esperança, nem a cabeça e muito menos o bom humor.  Em nome disto, aliás, peço licença para concluir citando uma "piada interna": contra quase tudo, contra quase todos e contra a maioria de nós mesmos, venceremos.




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Política

Opinião

A perda de relevância do PT

O PT envelheceu, perdeu o viço dos movimentos sociais, a vitalidade intelectual, a dimensão pública. E, junto à juventude, a Lava Jato terá um poder corrosivo mil vezes maior do que a AP 470
por Luis Nassif — publicado 16/12/2014 06:20


Lula tem dois enormes desafios pela frente. O mais distante são as eleições de 2018; o mais premente, é dar relevância ao PT.

A proposta de criação de um gabinete de crise ― composto, entre outros, por Gilberto Carvalho, Marco Aurélio Garcia, Luiz Dulci e Humberto Costa ― não se refere propriamente à crise política atual, mas ao próprio partido.

Nos últimos anos, o PT tornou-se um partido insignificante. Tem apenas um porta-voz, o presidente Rui Falcão, que em geral não se pronuncia em momentos cruciais. Intelectuais, personalidades públicas, juristas simpatizantes surgem em seu apoio quando a democracia é ameaçada, mas há muito deixaram de ter voz ativa no partido.

Esse isolamento tem muito a ver com a personalidade de Rui Falcão. Repete-se, em escala nacional, o mesmo que ocorreu com o Sindicato dos Jornalistas nos anos 80.

O Sindicato entrou na década com enorme peso devido à gestão Audálio Dantas e mesmo a de David de Moraes, que presidiu-o na infausta greve de 1979.

Na sucessão de David, montou-se uma frente composta por membros do recém-criado Partido dos Trabalhadores com a esquerda independente contra o Partidão. A frente elegeu Gabriel Romeiro e a chapa contava com diversos jornalistas de peso, mas não alinhados.

Rui era a liderança de fato por trás de Romeiro. E, durante todo o primeiro ano, seu trabalho foi o de ocupar todos os espaços do sindicato, focado muito mais em reduzir o espaço dos aliados do que dos adversários.

Ao final de um ano, todos os independentes ― que nunca haviam feito da política sua missão principal ― afastaram-se. Ficaram Rui e os chamados "tarefeiros" ― a jovem rapaziada pau para toda obra. Com a saída dos independentes, o Sindicato perdeu expressão e tornou-se desinteressante para Rui que, logo, depois de tê-lo utilizado como escada, se afastou.

Nunca mais o Sindicato foi sombra da expressão que havia adquirido na década anterior.

No PT, repetiu-se essa estranha autofagia. Primeiro, Rui tratou de viajar o País tentando consolidar uma estrutura de influência em cima da herança de José Dirceu ― com quem rompeu.

Quando sentiu o terreno consolidado, fechou-se, não deu espaço para mais ninguém e tratou de ocupar todos os espaços internos, deixando o partido do tamanho do seu presidente. As personalidades ligadas ao partido foram se afastando gradativamente. Grandes nomes já haviam saído rumo ao governo.

Aliás, essa autofagia ficou nítida nas disputas com Fernando Pimentel durante a campanha de 2010.

O PT assistiu inerte à eclosão das manifestações de junho de 2013. Perdeu o bonde dos novos movimentos, pois poderiam gerar novas lideranças, colocando em risco o predomínio dos jurássicos. Não se apropriou do intenso trabalho intelectual da Fundação Perseu Abramo, pois dali poderiam emergir novos rumos e, com eles, novas lideranças.

Agora, segundo notícias de ontem, a primeira missão do tal gabinete de crise será correr atrás da nova geração de movimentos que emergiu das manifestações de 2013.

Vai chegar tarde. O PT envelheceu, perdeu o viço dos movimentos sociais, a vitalidade intelectual, a dimensão pública. E, especialmente junto à juventude, a Lava Jato terá um poder corrosivo mil vezes maior do que a AP 470.

Fica o País órfão de partidos, entre o PT, que perdeu a dimensão do nacional, e o PSDB, que tornou-se um partido golpista, com suas principais lideranças se permitindo ser coadjuvantes de revoltados online. E sem Marina, que continua chorando pelos cantos como uma hárpia autocompadecida.

Materia do blogueiro Luiz Nassif sobre o PT

A perda de relevância do PT


Lula tem dois enormes desafios pela frente. O mais distante são as eleições de 2018; o mais premente, é dar relevância ao PT.
A proposta de criação de um gabinete de crise - composto, entre outros, por Gilberto Carvalho, Marco Aurélio Garcia, Luiz Dulci e Humberto Costa - não se refere propriamente à crise política atual, mas ao próprio partido.
Nos últimos anos, o PT tornou-se um partido insignificante. Tem apenas um porta-voz, o presidente Rui Falcão, que em geral não se pronuncia em momentos cruciais. Intelectuais, personalidades públicas, juristas simpatizantes surgem em seu apoio quando a democracia é ameaçada, mas há muito deixaram de ter voz ativa no partido.
Esse isolamento tem muito a ver com a personalidade de Rui Falcão. Repete-se, em escala nacional, o mesmo que ocorreu com o Sindicato dos Jornalistas nos anos 80.
O Sindicato entrou na década com enorme peso, devido à gestão Audálio Dantas e mesmo a de David de Moraes, que presidiu-o na infausta greve de 1979.
Na sucessão de David montou-se uma frente composta por membros do recém criado Partido dos Trabalhadores com a esquerda independente contra o Partidão. A frente elegeu Gabriel Romeiro e a chapa contava com diversos jornalistas de peso, mas não alinhados.
Rui era a liderança de fato por trás de Romeiro. E, durante todo o primeiro ano, seu trabalho foi o de ocupar todos os espaços do sindicato, focado muito mais em reduzir o espaço dos aliados do que dos adversários.
Ao final de um ano, todos os independentes - que nunca haviam feito da política sua missão principal - afastaram-se. Ficaram Rui e os chamados "tarefeiros" - a jovem rapaziada pau para toda obra. Com a saída dos independentes, como o Sindicato perdeu expressão tornou-se desinteressante para Rui que, logo, depois de tê-lo utilizado como escada, se afastou.
Nunca mais o Sindicato foi sombra da expressão que havia adquirido na década anterior.
No PT, repetiu-se essa estranha autofagia. Primeiro, Rui tratou de viajar o país, tentando consolidar uma estrutura de influência em cima da herança de José Dirceu - com quem rompeu.
Quando sentiu o terreno consolidado, fechou-se, não deu espaço para mais ninguém e tratou de ocupar todos os espaços internos, deixando o partido do tamanho do seu presidente. As personalidades ligadas ao partido foram se afastando gradativamente. Grandes nomes já haviam saído rumo ao governo.
Aliás, essa autofagia ficou nítida nas disputas com Fernando Pimentel durante a campanha de 2010.
O PT assistiu inerte a eclosão das manifestações de junho de 2013.  Perdeu o bonde dos novos movimentos, pois poderiam gerar novas lideranças, colocando em risco o predomínio dos jurássicos. Não se apropriou do intenso trabalho intelectual da Fundação Perseu Abramo, pois dali poderiam emergir novos rumos e, com eles, novas lideranças.
Agora, segundo notícias de ontem, a primeira missão do tal gabinete de crise será correr atrás da nova geração de movimentos que emergiu das manifestações de 2013..
Vai chegar tarde. O PT envelheceu, perdeu o viço dos movimentos sociais, a vitalidade intelectual, a dimensão pública. E, especialmente junto à juventude, a Lava Jato terá um poder corrosivo mil vezes maior do que a AP 470.
Fica o país órfão de partidos, entre o PT, que perdeu a dimensão do nacional, e o PSDB, que tornou-se um partido golpista, com suas principais lideranças se permitindo ser coadjuvantes de revoltados online. E sem Marina que continua chorando pelos cantos como uma hárpia autocompadecida. Fonte

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A repetida trama dos meios de comunicação, do capital especulativo e da elite contra a Petrobras


Por trás de tentar desmoralizar a Petrobras, através do monopólio de comunicação, do sistema financeiro especulativo e da direita está a ganância pela riqueza do pré-sal 


A Petrobras, considerada pelos brasileiros como um símbolo de orgulho da nação, vem nos últimos anos sofrendo gravíssimas ameaças à sua imagem e ao seu patrimônio, através de uma campanha sórdida dos meios de comunicação ligados a grupos que tem vinculação estreita com o sistema financeiro internacional e que apoia a direita brasileira. O objetivo é desgastar a Petrobras, afetar a sua reputação e o seu patrimônio para tentar ameaçar a evolução das pesquisas que promoverão a nossa independência na exportação do petróleo. Ou seja, o intuito é minar a nossa grande riqueza conquistada com a descoberta do pré-sal.

Está mais do que claro que toda esta trama tem intercâmbio com os interesses dos Estados Unidos, que não se conformam com o regime de partilha. Para isso, emissoras de televisão, rádios e jornais pautaram diuturnamente elogios à exploração do gás de xisto nos Estados Unidos e incentivam cada vez mais a baixa do barril de petróleo, que estava em torno dos 100 dólares para 60 dólares. Pura propaganda para tentar convencer os brasileiros da “inviabilização” da prospecção do pré-sal em águas profundas. 

Esse filme - pelo menos para os mais velhos - já foi visto desde o governo de Getúlio Vargas quando tentou-se e conseguiu-se fazer com que o Brasil tivesse significativos avanços, sobretudo na área industrial, já que até 1930 o país vivia da exploração do café com leite pelo colonialismo centrado exclusivamente entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. A elite brasileira continua com o mesmo atraso verificado na época de 1930. Pensa exclusivamente nos seus interesses, no lucro a qualquer preço à custa da exploração da mão de obra barata ou escravagista da maioria do povo brasileiro. Ela não se conforma como os avanços de conquistas sociais que o Brasil tem conseguido nas últimas sete a oito décadas. 

Temos o dever de lutar para avançar cada vez mais nos direitos sociais, na educação, saúde, no emprego, na qualidade da mão de obra, melhores salários e dar um passo definitivo para ser um país de primeiro mundo. E este é quadro real que nós vivemos no Brasil atual, apesar dos avanços citados. 

Quanto à questão específica da corrupção na Petrobras, nós queremos que a Justiça investigue a fundo, mas que as investigações não fiquem somente restritas à estatal, mas é preciso aprofundar as apurações também nas instâncias estaduais e municipais. Não é de hoje que uma boa parcela da elite brasileira formou grandes patrimônio se apropriando das benesses do Estado brasileiro.

A solução, na minha opinião, não é só incriminar empresários ou agentes públicos e coloca-los atrás das grades, mas é também, sobretudo, mudar de forma brusca, definitiva e permanente uma cultura patriarcal que ainda domina com muita força a máquina do Estado voltada para benefícios próprios.

Nós do PT, que nascemos combatendo a corrupção, queremos que seja tudo passado a limpo e que os malfeitores paguem pelos seus erros, doa a quem doer, mas não podemos deixar que prevaleça o interesse dos grandes monopólios aliados aos interesses do capital internacional para dilapidar a riqueza que pertence aos brasileiros. Que os inocentes sejam inocentados e que os culpados sejam punidos e paguem pelos seus erros.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Documento apreendido na Camargo Corrêa traz nova planilha com nomes de políticos tucanos e Michel Temer

A PF apreendeu na sede da empreiteira uma tabela dos anos 1990 que relaciona políticos, obras e valores em dólar – entre eles, o então senador tucano por São Paulo, Mario Covas, o vice-presidente da República e o tucano José Aníbal, suplente do senador José Serra, também do PSDB

DIEGO ESCOSTEGUY E FILIPE COUTINHO
09/12/2014 13h07 - Atualizado em 09/12/2014 14h47

Em 2009, a empreiteira Camargo Corrêa foi alvo da operação Castelo de Areia, que apurava suspeitas de corrupção e pagamento de propina a políticos para a obtenção de contratos com o governo. Na casa de um diretor da empresa, a PF apreendeu uma planilha cheia de siglas, nomes e números. Na ocasião, muitos atribuíram àquela planilha o caráter de prova definitiva de como o caixa dois da Camargo era gerido, interpretavam siglas e nomes como se fossem políticos a quem se destinava propina. Isso nunca foi comprovado, e a Castelo de Areia não durou muito. O Superior Tribunal de Justiça suspendeu a investigação em 2010 e anulou todas as provas, entre elas a tal planilha. A Procuradoria-Geral da República recorreu ao Supremo Tribunal Federal, mas o STF ainda não se manifestou. 
Há três semanas, no curso das investigações da operação Lava Jato, a Polícia Federal prendeu três diretores da Camargo Corrêa, acusados de participar de um esquema de corrupção na Petrobras. Na ocasião, apelidada pela PF de "Juízo Final", os investigadores também apreenderam na sede da Camargo uma outra planilha. Desta vez, uma tabela impressa, com nomes por extenso, em letra de forma. No documento, obtido por ÉPOCA (confira na reprodução abaixo), os executivos da Camargo registram seis colunas: município, tipo de obra, valor estimado, projeto, edital e parlamentar. Na coluna de parlamentares, surgem nomes de políticos e valores em dólares. Na coluna de obras, aparecem 12 delas, todas em São Paulo, ordenadas por prioridade. Os números somam, segundo o documento, US$ 260 milhões. Sete políticos são citados ao lado de valores. A PF suspeita que esses valores se refiram a propina paga a esses políticos, provavelmente entre 1990 e 1995. Não há, porém, nenhuma confirmação substantiva disso até o momento.

Documento apreendido na Camargo Correa na operação Lava Jato (Foto: época)

Entre os políticos relacionados na planilha, então o governador de São Paulo entre 1994 e 2001, Mario Covas (1930-2001); o atual vice-presidente da República, Michel Temer, deputado pelo PMDB nos anos 1990; o então deputado e depois prefeito de Araçatuba pelo então PFL, Jorge Maluly Netto (1931-2012); e o então deputado e atual suplente de senador eleito por São Paulo José Aníbal (PSDB).

O documento relaciona Temer a dois pagamentos de US$ 40 mil (o nome dele está grafado incorretamente, como “Themer”). Um dos projetos citados com o nome de Temer envolve uma obra de pavimentação em Araçatuba. Estimava-se o projeto em US$ 18 milhões. Ele estava listado como "contratado". Uma segunda menção a Temer está associada à duplicação de uma rodovia em Praia Grande. O projeto também era estimado em US$ 18 milhões. Nessa obra, contudo, a situação do projeto aparece como "em elaboração". Por escrito, Temer negou ter recebido valores da Camargo Corrêa. "As questões levantadas são completamente desvinculadas da atividade pública e sem nexo com o histórico do então deputado Michel Temer no parlamento", disse. "O vice-presidente da República jamais recebeu, em qualquer tempo, valores da construtora Camargo Corrêa." Temer disse ainda que não apresentou emendas parlamentares para obras de canalização e pavimentação em Araçatuba, ou para duplicação de rodovia em Praia Grande.
Na década de 1990, contratos da Prefeitura de Araçatuba com a Camargo Corrêa foram firmados, depois cancelados, por suspeita de superfaturamento. Em 1995, a área técnica do Tribunal de Contas de São Paulo encontrou falhas nos procedimentos para os pagamentos à Camargo, mas o contrato foi julgado regular pelos conselheiros. Dez anos depois, o então prefeito de Araçatuba, Maluly Netto, resolveu pagar o que a  Camargo não recebera pela obra, já que ela cobrava na Justiça pelo serviço. Maluly era deputado na década de 1990 e aparece na tabela ao lado da cifra de US$ 150 mil e do nome de Temer.

O então deputado tucano José Aníbal, hoje suplente do senador José Serra, aparece três vezes na lista. Os pagamentos a ele, segundo o documento, somam US$ 90 mil. O primeiro, de US$ 40 mil, relacionado a um projeto de "canalização, pavimentação e ponte" em Botucatu. O segundo pagamento (US$ 30 mil) e o terceiro (US$ 20 mil), a um projeto que envolvia canalização, pavimentação e a construção de uma barragem em Jundiaí.
José Aníbal negou veementemente qualquer relação com pagamentos da Camargo. Disse ainda que o documento é uma armação. "Não tenho o menor conhecimento disso, posso até levantar com minha equipe se é alguma emenda parlamentar. Mas meu nome referido a algum valor é uma difamação. Isso é um nojo, é absolutamente forjado. Não tenho relações dessa natureza. É uma fraude total. É preparado por alguém, com objetivo de prejudicar a oposição. Não ter datas dos projetos é um indicativo muito forte de que é uma armação. Tem muita gente interessada em embaralhar todas as cartas", afirmou.

Uma das hipóteses para os pagamentos descritos na tabela da Camargo envolve emendas parlamentares, um instrumento em que deputados e senadores destinam verbas do orçamento a projetos públicos, sobretudo obras. Em sua defesa, Aníbal pediu a seu advogado que mostrasse a ÉPOCA todas as emendas parlamentares de sua autoria, desde os anos 90. Nas emendas parlamentares de Aníbal, há uma de R$ 200 mil, em 1995, para uma barragem em Jundiaí, como descrito na tabela da Camargo Corrêa. Naquele momento, o sistema de acompanhamento de emendas ainda era precário, portanto não é possível saber se o valor foi mesmo desembolsado. No sistema, todas as emendas de Aníbal aparecem zeradas em 1995. A assessoria de José Aníbal afirmou que, em 1995, não houve desembolso de emendas em razão da troca da moeda para o real. Nos anos seguintes, não há emendas similares aos projetos descritos na tabela.
Em nota, a Camargo Corrêa afirmou que "desconhece a referida planilha, razão pela qual não pode comentar”. Fonte

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Regulamentação do Projeto de Lei do trabalhador doméstico parado na Câmara dos Deputados

Entre as matérias e os projetos de lei votados na atual legislatura, um de grande relevância e repercussão foi a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que garante direitos aos trabalhadores domésticos, e que já deveria estar regulamentado, mas se encontra parado na Câmara dos Deputados.

Por incrível que pareça é um projeto que abrange um contingente muito grande de trabalhadores e contribui de forma significativa para a melhoria das suas condições de trabalho e de vida, pois assegura direitos e distribui renda. Além disso garante definitivamente a aposentadoria formal à categoria.

Informações extraoficiais e pesquisas feitas pessoalmente dão conta de que existe uma forte pressão das patroas da elite dominante para que o projeto não avance e nem seja sancionado. Ao verificar discussões de grupos na internet constatamos que o assunto é pautado com preocupação pelas patroas ricas que se recusam a pagar os devidos direitos a seus empregados.

Cabe a nós, setores da sociedade, fazer um movimento nacional apelando aos parlamentares para que agilizem a regulamentação deste projeto, pois a pressão vinda da elite patriarcal mostra que ainda vivemos num país atrasado e preconceituoso socialmente. A regulamentação do projeto precisa ser definitivamente equacionada.

Todo o apoio aos trabalhadores domésticos!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Oposição derrotada em 2014 tenta desgastar o PT e o Lula já pensando em 2018

A oposição liderada especialmente pelo PSDB e ancorada nas asas do Sistema Globo de Televisão, inconformada com a derrota nas eleições de 2014 e já preocupada com 2018, tenta a todo custo desgastar a imagem de Lula e do PT.

Da nossa parte pretendemos fazer um bom governo para ajudar os brasileiros que ainda necessitam do Estado para melhorar as suas condições de vida; atuar na estruturação dos serviços prestados à sociedade (mobilidade social, aposentadoria, empregos, salários, saúde, educação) para garantir um futuro de bem estar. No que toca à economia priorizar o combate à inflação baixando-a aos níveis de 4,5%, avançar no crescimento do país, garantir qualidade de vida com a ampliação do acesso à cultura e ao lazer, especialmente para as camadas mais pobres e aos jovens.

A oposição e setores da velha mídia, cientes de que nós podemos continuar a realizar um bom governo no segundo mandato da presidenta Dilma, tenta mesmo sem militância e sem projeto atrapalhar os avanços que são necessários para construir um Brasil melhor e mais justo.

A mídia insiste durante 24 horas imputar ao PT atos ilícitos que ela própria sabe que nós combatemos historicamente desde a fundação do Partido. Dois temas passaram a fazer parte de todo o noticiário que é veiculado diariamente, sobretudo pelo Sistema Globo: a inflação e a corrupção. A inflação porque nós sabemos que é a pior chaga que atinge o poder de compra dos trabalhadores corroendo salários e provocando o desemprego. No que diz respeito à corrupção, sempre a combatemos com toda firmeza, diferentemente dos governos do PSDB e do DEM que praticaram esta chaga durante décadas e nunca deixaram ser investigada, e hoje tentam imputar esta mazela ao PT. 

Poderia citar aqui vários casos de corrupção envolvendo os governos do PSDB, como os do metrô e trens de São Paulo cujos desvios de verbas públicas ocorreram nos subterrâneos desde 1999 no governo Covas até 2009 nos governos Serra e Alckmin. E quem diz isso é a Polícia Federal, que hoje encaminha à justiça o indiciamento de no mínimo 33 agentes públicos envolvidos nestes malfeitos. 

Poderia citar também o mensalão do DEM em Brasília e mais as acusações referentes ao senador José Agripino, presidente do DEM, em atos ilícitos ocorridos no Rio Grande do Norte, que envolvem empresa que faz ou fazia a inspeção veicular, segundo relatos de promotores públicos e da própria mídia local. 

Os tucanos esquecem e a mídia esconde que foram eles os protagonistas do chamado mensalão mineiro e da lista de Furnas. Prova concreta foi a renúncia do ex-governador Eduardo Azeredo e do ex-senador Clésio Andrade para não serem levados, como agentes políticos, às barras do Supremo Tribunal Federal. Sem esquecer da lavagem de dinheiro feita por Pimenta da Veiga, indiciado pela PF, em Minas Gerais.

No caso da Petrobras nós fomos os primeiros a exigir uma profunda investigação e não somente isso, pois defendemos que todos os agentes públicos ou privados que praticaram ilícitos na empresa tenham direito à defesa, mas, se comprovados os malfeitos, paguem pelos erros cometidos.

Quanto às doações de campanha e/ou ao Partido, até parece que foi só o PT que recebeu e recebe doações. Se o PT recebeu foi de forma lícita, legal e em conformidade com a lei. Esquecem ou omitem que nos levantamentos das contribuições de campanha, o PSDB está no pódio com o recebimento de 12 milhões de reais das empreiteiras envolvidas. Em matérias jornalísticas publicadas hoje há a citação que o então candidato tucano ao governo de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin, recebeu de construtoras mais de seis milhões de reais. 

O surrealismo vai mais além: ontem, o deputado Mendonça Filho, que hoje pertence ao DEM e faz parte de uma família de políticos totalmente falidos politicamente no estado de Pernambuco, resolveu criar o tema “propina oficial”. Merece um troféu...a propina oficial vale só para o PT ou para todos os partidos que receberam doações das empresas investigadas?

Uma oposição que não tem rumo, militância e nem projeto fica diuturnamente tentando encontrar chifre em cabeça de cavalo para poder sobreviver politicamente. Que a Polícia Federal, o Ministério Público e outros órgãos de investigação vão fundo na apuração de toda e qualquer denúncia que aparecer e que atinja os órgãos que pertencem ao Estado e a toda sociedade. É importante extrapolar a esfera federal e ir para as esferas estadual e municipal, para deixar nenhum corrupto de fora. Para o bem do Brasil isso não é problema, ao contrário, uma solução.

Mas os indiciados vão para atrás das grades?

PF indicia 33 por cartel de trens em São Paulo.

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o cartel metroferroviário que operou em São Paulo entre
1998 e 2008. Foram indiciados 33 investigados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro,
evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório. Cerca de R$ 60 milhões dos alvos estão
bloqueados. O inquérito chegou à Justiça Federal na segunda-feira.

Entre os indiciados estão servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais do setor que teriam participado do conluio para obter contratos com o Metrô de São Paulo e a
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). "A vítima é a sociedade", avalia a Polícia
Federal.

As duas estatais "foram usadas, foram vítimas" do ajuste das empresas. O relatório final mostra que
ex-dirigentes foram enquadrados, como João Roberto Zaniboni, que integrou os quadros da CPTM
entre 1999 e 2003. Também foi indiciado o consultor Arthur Teixeira, apontado como lobista e
pagador de propinas.

O ex-governador e senador eleito José Serra (PSDB), intimado para depor como "investigado",
não foi indiciado. A PF não identificou ligação do tucano com o cartel, nem com crimes
transnacionais (lavagem de dinheiro e evasão). Serra foi citado por um ex-executivo
da Siemens, Nelson Marchetti, segundo o qual o então governador paulista, em 2008, o teria advertido para que a multinacional alemã não entrasse com ação na Justiça contestando a contratação da espanhola CAF na licitação para compra de 384 carros da CPTM. Serra desmentiu o executivo.
Em acordo de leniência firmado em 2013 com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), a Siemens revelou que o cartel agiu durante pelo menos uma década governos Mário
Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.

Delator

Em outubro de 2013, a PF tomou depoimentos de dois ex-diretores da Siemens, em delação
premiada. Everton Rheinheimer, um dos delatores, citou deputados como supostos beneficiários de
propinas do cartel. Os autos foram remetidos ao Supremo Tribunal Federal, que detém competência para processar parlamentares. Em fevereiro de 2014, o STF devolveu à PF em São Paulo a parte da investigação que não atinge autoridades com foro privilegiado. A PF deu início a uma longa bateria de depoimentos e laudos financeiros que confirmam o fluxo de recursos ilícitos em contas dos suspeitos.

Alguns investigados já haviam sido indiciados antes da remessa do inquérito ao STF. A outra parte foi enquadrada após o retorno dos autos. Os alvos foram indiciados a partir de envolvimento com ilícitos de competência federal os crimes transnacionais, evasão e lavagem, e os crimes conexos, cartel e violação ao artigo 92 da Lei de Licitações por mudanças de contratos.

A delação de Rheinheimer foi ratificada pelas provas reunidas no inquérito. A PF empenhou-se
em cumprir sua missão para não deixar sem resposta a sociedade sobre o cartel.
Os quase R$ 60 milhões dos investigados já tinham sido embargados pela Justiça em outubro de
2013, a pedido da PF. Os ativos continuam bloqueados.
O advogado Eduardo Carnelós, que defende Arthur Teixeira, rechaça a suspeita. "O sr. Arthur nunca
foi lobista." Zaniboni mantinha conta secreta na Suíça com saldo de US$ 826 mil. O dinheiro, segundo seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, já foi repatriado pelo próprio Zaniboni, com recolhimento de impostos. Ontem, uma delegação de procuradores e promotores brasileiros iniciou em Berna reuniões com o Ministério Público da Suíça. A meta é identificar o percurso do dinheiro encontrado em contas em Zurique. Fonte


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

PT processará Aécio Neves por acusação infundada, afirma Rui Falcão

Tucano, que enfrenta dificuldade para aceitar a derrota nas urnas, referiu-se ao PT como organização criminosa. Henrique Fontana, Humberto Costa e Lindbergh Farias criticaram afirmações no Senado
presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, informou, nesta segunda-feira (1º), que a legenda interpelará na justiça o senador e candidato do PSDB derrotado nas eleições presidenciais, senador Aécio Neves (MG), por ter chamado o PT de “organização criminosa”.
O tucano fez a declaração em entrevista transmitida pelo canal “Globonews” no sábado (29). “Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político. Eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está”, acusou o tucano.
“Já estamos interpelando o senador mineiro derrotado. Em seguida, processo crime no Supremo Tribunal Federal. O PT não leva recado para casa”, afirmou Rui Falcão, pelo Twitter.
De acordo com o líder do governo na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana (PT-RS), com as declarações, Aécio perde todos os limites da razoabilidade. Segundo ele, o candidato derrotado não tem o direito de partir para a agressão contra o PT.
“Alguém tem de dizer para o senador Aécio que ele não é juiz e que ele não tem o mínimo direito de agredir todos os eleitores da presidenta Dilma, do mesmo jeito que não tem o direito de agredir nosso partido”, defendeu.
Derrotado em exercício - Ainda segundo Fontana,  é preciso que o tucano aceite a derrota sofrida nas eleições presidenciais. “O senador Aécio Neves precisa compreender de uma vez por todas que ele perdeu a eleição, porque a presidenta Dilma foi reeleita com 54,5 milhões de votos. Ele tem que parar de contestar o resultado da eleição.”, diz o deputado.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), também repudiou a afirmação de Aécio Neves. Em sessão no plenário da Casa, o senador afirmou que as declarações “desastradas” reduzem a estatura política do tucano.
Para Costa, “a derrota subiu à cabeça” de Aécio. “O candidato derrotado, que tem se sentido cada vez mais à vontade na sofrível interpretação do papel de vítima do processo eleitoral, quer agora reinventar a história ao negar que tenha perdido a disputa para a presidenta Dilma”, disse Costa.
“É uma infame ópera-bufa, essa protagonizada pelo que chamo de candidato derrotado em exercício”, completou o senador.
Também no plenário, o senador Lindbergh farias (PT-RS) disse que Aécio Neves age como “mal perdedor”. “É hora de enterrar esse debate eleitoral. Aécio tenta radicalizar o discurso porque está perdendo espaço dentro do PSDB”, disse Farias
Por Mariana Zoccoli, da Agência PT de Notícias

PT aprova resolução de combate à corrupção

Partido defende investigações de denúncias de ilícitos na Petrobras e expulsão de envolvidos



O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, reafirmou, neste sábado (29), o compromisso da legenda na luta contra a corrupção. O partido aprovou, no segundo dia de reuniões do Diretório Nacional em Fortaleza (CE), uma resolução de combate à corrupção.
“Temos o compromisso histórico de combater implacavelmente a corrupção”, disse Falcão. “Mostramos atitudes já tomadas em contraste com o silêncio sepulcral dos tucanos, sendo no governo de Fernando Henrique Cardoso, nos 20 anos em São Paulo ou nos 12 anos em Minas Gerais”, explicou.
No documento, o Diretório Nacional do partido se mostra a favor do prosseguimento das investigações de denúncias de corrupção na Petrobras, dentro dos marcos legais e sem partidarismo.
De acordo com o presidente do PT, os petistas comprovadamente envolvidos nos ilícitos da Petrobrás serão expulsos. “Concluídas as investigações, queremos que os corruptos comprovadamente provados possam ser punidos. Se houver alguém do PT implicado com provas, ele será expulso”, afirmou.
Para Rui Falcão, a abertura do diálogo por parte da presidenta Dilma Rousseff foi concretizada no discurso feito no encerramento do primeiro dia de reuniões do Diretório Nacional do PT, em Fortaleza, nesta sexta-feira (28).
“A disposição de Dilma foi materializada de forma muito direta e correspondeu às expectativas que a direção do partido tinha sobre o comportamento dela em relação à sociedade e aos partidos”, falou o presidente nacional do PT.
De acordo com ele, Dilma reafirmou todos os compromissos feitos em campanha, principalmente em relação às questões econômicas. Além disso, segundo o presidente do partido, a presidenta reafirmou o protagonismo do PT no governo.
“O PT não será jamais linha auxiliar da oposição, mas também nunca será o beija mão da situação”, disse Falcão.
Sobre as manifestações contrárias ao resultado da eleição presidencial e aos pedidos de impeachment, destacados no discurso de Dilma como “golpismo”, Falcão disse haver uma grande “intolerância” contra a vitória petista nas urnas. Ao falar sobre a questão da mídia nas eleições, ele classificou o jornalismo feito pela revista “Veja”, da editora Abril, como sendo “de esgoto”.
“Não acredito que, embora aqui ou ali possa haver um inconformado com nossos 12 anos de governo, possa vir a ter algum atentado à democracia”, avaliou o presidente do PT. Segundo ele, a população tem participado de forma intensa da vida democrática do Brasil.
Leia a íntegra da resolução:
COMBATER A CORRUPÇÃO
Assim como demonstrou na vitoriosa campanha eleitoral da reeleição da presidenta Dilma Roussef, o PT tem agora o desafio de reafirmar a sua liderança no combate à corrupção sistêmica no Brasil. Para o PT, a luta contra a corrupção se vincula diretamente à democratização e à desprivatização do Estado brasileiro.
Foi durante os governos Lula e Dilma que se estabeleceram, como políticas de Estado, as principais políticas de combate à corrupção. Já no primeiro governo Lula, foram construídos os dois principais sistemas de combate à corrupção – a Controladoria Geral da União e a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), que reúne representantes dos principais órgãos públicos federais de prevenção, controle, investigação e punição à corrupção. No princípio de 2014, o governo Dilma fez aprovar a Lei 12.683 que estabeleceu, pela primeira vez, uma punição rigorosa penal e econômica às empresas corruptoras. Foi assim por coerência que, durante a campanha eleitoral, a presidenta Dilma assumiu novos compromissos em torno de cinco novas leis que vão apertar o cerco à impunidade da corrupção no Brasil.
Faz parte de suas tradições programáticas e tem sido cada vez mais enfatizado pelo PT, em campanhas públicas, a defesa de uma nova lei eleitoral que estabeleça o financiamento público das campanhas eleitorais e, em particular, a proibição do financiamento de empresas privadas às campanhas eleitorais. O financiamento empresarial das campanhas, ainda mais sem uma regulação e controle, distorce profundamente a representação, em desfavor de todos os setores populares, oprimidos e explorados. E tem o efeito de criar vínculos de interesses privatistas e ilegítimos, renovando a cada eleição os circuitos da corrupção. Esta proibição é, portanto, fundamental para o combate à corrupção.
Ao contrário dos governos petistas, não se sabe de nenhuma medida importante tomada pelos governos FHC no combate à corrupção. Ao mesmo tempo, propostas de CPI para investigar escândalos ocorridos nos oito anos de mandato foram barradas, inclusive quando era presidente da Câmara o atual senador Aécio Neves, candidato derrotado na última eleição e presidente do PSDB. O mesmo padrão tem se repetido, ponto a ponto, nos já vinte anos de governo do PSDB no Estado de São Paulo e nos doze anos de governo do PSDB em Minas Gerais, tornando-se uma marca registrada dos governos tucanos: corrupção, acobertamento e impunidade.
É, pois, uma afronta à inteligência e à consciência cívica dos brasileiros o PSDB, em conjunto com o sistema de mídia monopolizada, se apresentar como o campeão da luta contra a corrupção, acusando o PT de ser o partido responsável por um alegado aumento da corrupção no Brasil. Se hoje a corrupção aparece mais, ao contrário do passado, é porque ela, pela primeira vez na história do país, está sendo sistematicamente combatida.
Ao apoiar de forma decidida as investigações em curso sobre a corrupção na Petrobrás, o PT vem a público manifestar também as suas exigências de que ela seja conduzida rigorosamente dentro dos marcos legais e não se preste a ser instrumentalizada, de forma fraudulenta, por objetivos partidários. Além disso, defende a Petrobrás como empresa pública, responsável por conquistas extraordinárias do povo brasileiro na área da energia, da criação de novas tecnologias e novos futuros para o país. Os trabalhadores da Petrobrás não podem e não devem ser culpados por quem se utilizou dela para fins ilícitos e de enriquecimento. Além de recuperar patrimônio que lhe foi roubado, a Petrobrás sairá deste processo fortalecida em sua governança pública e na sua capacidade de prevenir desvios de recursos.
Cabe ao Ministério da Justiça zelar para que aquelas autoridades imediatamente encarregadas das apurações zelem pelo devido respeito ao processo legal. Estarreceu a todos os brasileiros a divulgação de que algumas delas postaram na internet materiais de campanha em favor do candidato do PSDB à Presidência e insultos ao ex-presidente e à presidente atual do país. A impessoalidade exigida de agentes públicos, violada neste caso, exigiria o imediato afastamento dos implicados.
É inaceitável que um processo de delação premiada, que corre em segredo de justiça, seja diariamente vazado para órgãos da imprensa, sempre de oposição editorial ao governo Dilma, como já denunciou inclusive o Procurador Geral da República. O próprio TSE já julgou como caluniosa uma gravíssima operação de vazamento seletivo de informações ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais e publicado pela revista Veja. Feitas sempre de modo seletivo, estas informações atribuídas e sem provas têm servido de forma sistemática a uma campanha orquestrada por órgãos de mídia contra o PT.
É igualmente inaceitável que a palavra de criminosos corruptos, inclusive já condenados outras vezes, seja aceita como verdadeira mesmo sem prova documental. A liberdade de expressão não pode ser confundida com o exercício interessado da calúnia e da difamação: sem a primeira, não se constrói a democracia; com o segundo, é a própria democracia que corre perigo. Todo acusado – seja de que partido for – deve ter o direito de defesa e ser julgado com o devido processo legal.
Da parte do PT, manifestamos a disposição firme e inabalável de apoiar o combate à corrupção. Qualquer filiado que tiver, de forma comprovada, participado de corrupção, deve ser imediatamente expulso, como já afirmou publicamente o presidente do partido. Ao mesmo tempo, aprofundaremos a luta pela reforma política, em particular pela proibição do financiamento de candidaturas eleitorais por empresas.