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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Vice divergiu de Marina sobre pesquisa com célula-tronco.

BRASÍLIA — A atuação parlamentar do vice de Marina Silva, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), guarda fortes divergências programáticas com a presidenciável. A principal, as pesquisas com células-tronco embrionárias. Ele é radicalmente a favor. Ela é contra, aceitando apenas estudos com células-tronco adultas. Outro ponto é o cultivo e comercialização de transgênicos. Os dois temas foram tratados na Lei de Biossegurança, aprovada em 2005.
Na época, Beto foi um dos mais empenhados negociadores da votação do projeto encaminhado ao Congresso pelo presidente Lula no início de seu primeiro mandato. O vice de Marina tratava da liberação dos estudos com células-tronco como “questão de bom senso”. Agendou reuniões de especialistas no tema, como o médico Drauzio Varella e a geneticista Mayana Zats, da Universidade de São Paulo, com deputados e com o presidente da Câmara, na época, Severino Cavalcanti (PP-PE).
 
Este projeto é decisivo para o avanço das pesquisas com células-tronco que podem ser utilizadas na cura de pessoas com diabetes, câncer ou paralisadas por lesões na medula. Votar contra seria ignorar que o homem possui inteligência e que ela deve ser usada para o bem da humanidade — declarou Albuquerque quando o texto foi aprovado.
Marina, que era ministra do Meio Ambiente, militou contra a aprovação da lei e chegou a sugerir, dias depois da aprovação, que ela fosse revisada. Mas era voz isolada. O ministro da Ciência e Tecnologia, na época, era Eduardo Campos. Ele também participou das negociações e, na véspera da votação, foi para a Câmara dos Deputados pedir apoio.

Marina dizia que os pesquisadores não eram unânimes em afirmar que as células embrionárias apresentavam resultados mais eficientes no tratamento de doenças do que as adultas. Desde o início das discussões, em 2004; passando pela votação da lei, em 2005; e depois, em 2008, quando o STF foi provocado a opinar sobre a constitucionalidade do tema, Marina sempre sem manifestou contrária.

A enérgica defesa de Albuquerque foi o prenúncio de uma tragédia pessoal. Em 2007, o filho Pietro foi diagnosticado com leucemia mieloide, um tipo raro da doença, que mata oito a cada dez pacientes. A única chance de cura era transplantar a medula. A família recorreu a bancos de doadores no Brasil, Estados Unidos e na Europa. Entre busca de medula compatível, tratamentos e internação no hospital, foram 14 meses. Pietro morreu aos 19 anos.

FONTE: http://boainformacao.com.br

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