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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Investidores temem que entrada de Marina Silva tire Aécio do segundo turno

RIO — Para investidores, a entrada de Marina Silva (PSB) na corrida presidencial após a morte de Eduardo Campos só interessa se servir para pôr Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. Mas bancos e corretoras temem que a popularidade da candidata suplante o próprio tucano, levando ao duelo direto entre Marina e Dilma. Na avaliação de grande parte do mercado, esse seria o pior cenário para seus interesses, o que fatalmente provocaria quedas na Bolsa e retirada de investimentos.
Enquanto o PSB não decide se vai mesmo lançar Marina como candidata, o mercado reage com cautela. Segundo Rogério Freitas, sócio da gestora Teórica Investimentos, a indefinição acrescentou ainda mais incerteza ao xadrez eleitoral, o que traz volatilidade às ações.

— Ainda está cedo demais para fazer análises muito concretas sobre o futuro eleitoral. A verdade é que, no curto prazo, ficou mais difícil acertar depois dessa tragédia — acrescentou.
Os analistas tentam antecipar os cenários futuros, mas admitem que o mercado ainda está “no escuro”.
— A candidatura de Marina traria a certeza de que teremos segundo turno, mas ainda não sabemos se isso seria bom para Aécio. É provável que ela atraia o voto dos indecisos, mas não dá para saber se ela vai tirar pontos de Dilma ou do tucano. Essa é a grande dúvida do mercado hoje — observou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
Banqueiros e investidores são, em sua maioria, críticos à política econômica de Dilma Rousseff. Por defender uma agenda econômica liberal e ser apoiado por economistas que gozam de prestígio no mercado — como Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e fundador da Gávea Investimentos —, o tucano foi adotado pelo segmento. Não à toa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem reagido com bom humor a pesquisas eleitorais desfavoráveis a Dilma.
Por isso os investidores estão ansiosos para saber como Marina irá alterar a posição de Aécio na disputa. Mais do que nunca, disseram os analistas, o mercado está a reboque dos institutos de pesquisa, que já começam a ir a campo para medir o impacto da morte de Campos no eleitorado.

O consenso é que um eventual segundo turno entre Dilma e Marina seria muito mal recebido pelos investidores, avaliou Figueredo. Isso provocaria, por exemplo, desvalorização de ações na Bolsa, previu Marcelo Castello Branco, economista da Saga Investimentos.
— Para o PIB, a gente faz conta, mas política é a coisa mais difícil de se colocar no preço dos ativos. Se Marina jogar Aécio no segundo turno, a tendência é haver valorização. Mas até sabermos qual será a tendência eleitoral daqui para frente, teremos muita instabilidade — acrescentou Castello Branco.
Mas alguns investidores acreditam que o sucesso de Marina pode acabar sendo favorável para o mercado. Na opinião de Rogério Freitas, sócio da gestora Teórica Investimentos, a agenda econômica da candidata é bastante parecida com a de Aécio.
— Os dois têm bastante coisa em comum nessa área. Assim como Aécio, ela defende a independência do Banco Central, um desempenho fiscal mais positivo e a volta do tripe macroeconômico — disse Freitas, referindo-se ao receituário ortodoxo de controle da inflação, câmbio flutuante e metas de superávit primário, a economia feita para pagar juros da dívida. — Além disso, Marina é próxima de economistas muito respeitados pelo mercado, como André Lara Resende e Eduardo Giannetti. A maior parte do mercado está pessimista, mas acredito que pode ser uma boa surpresa para os investidores.

Fonte: O Globo On Line

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