Botao share

sexta-feira, 27 de junho de 2014


Os petistas que não gostaram da entrevista do Gilberto de Carvalho são aqueles que ainda acreditam que "Papai Noel existe"

No dia 23 de junho, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto de Carvalho, deu uma entrevista para a jornalista Natuza Nery, da Folha de São Paulo, na qual faz uma análise, na minha opinião sucinta e corajosa, sobre o papel do PT e do governo diante dos fatos ocorridos na atual conjuntura, especialmente em relação à Copa do Mundo no Brasil e ao sentimento da população em relação ao Partido e ao Governo na administração dos rumos do País.

O Partido, nos seus 34 anos de existência, se pautou por um comportamento diferenciado da velha política tradicional. Com o seu crescimento e a chegada ao poder fomos até certo ponto tomando rumos diferenciados daquele o qual nós nos pautamos na nossa linha de atuação política, seja como um filiado, um dirigente, um gestor ou como grandes personalidade do Partido. É lógico e evidente que vários comportamentos muitas vezes de caráter meramente individual fogem ao controle das regras disciplinares que norteam a vida partidária. Eis aí a razão do Gilberto de Carvalho ter posto os pingos nos is.

Aqui no Partido criticar, fazer autocrítica, chamar a atenção para os desvios não pode ser considerado "sincericídio". Pelo contrário, é sobretudo um dever e uma questão de lealdade para garantir a permanência e a confiança do conjunto da população num projeto que construímos às duras penas. Aqui não deve prevalecer o individualismo ou o personalismo, a começar do ex-presidente Lula até o militante no mais distante recanto do País. Seja qual for a função desempenhada dentro do Partido, nenhum de nós pode se arvorar como dono absoluto do PT porque este Partido pertence a centenas de milhares de filiados e é observado a olho nu pelo povo brasileiro.

Temos o direito de errar, mas temos, sobretudo, o sagrado direito, não só de reconhecer, mas de corrigir os erros, e não tem essa história de não poder criticar porque se trata de figurões abrigados no governo ou na legenda.

Cometemos sim erros e alguns desvios que, necessariamente, não refletem o comportamento da grande maioria dos filiados do nosso Partido. Combatemos veementemente os projetos de caráter pessoal ou de grupos -"igrejas". Infelizmente vivemos numa conjuntura aonde a maioria das velhas raposas políticas não se propõem a fazer uma profunda reforma política eleitoral neste País. Não podemos ter uma política de caráter ideológico numa legislação que permite de certa forma a criação de um conjunto de partidos que são verdadeiros balcões de barganhas. Isto vale para todos os governos. Diga-se de passagem, que esta é, possivelmente, uma das maiores heranças malditas que nós recebemos enquanto governo.

Num país para se ter uma democracia com corte ideológico e representativo não precisa de mais do que meia dúzia de partidos. E temos sim que reconhecer que vários setores da população, insuflados e influenciados pela grande mídia, nos consideram hoje iguais a qualquer partido. Cometemos erros, mas na minha opinião, não somos e nem seremos qualquer partido porque o grande conjunto de filiados não permite que o PT tome este rumo. Temos enquanto filiados/dirigentes a obrigação de reconhecer os erros, corrigi-los e pedir desculpas ao povo brasileiro dependendo da gravidade dos mesmos.

É assim o caminho para se construir uma democracia duradoura e um sério partido de esquerda. Parabéns, Gilberto de Carvalho!

Nenhum comentário:

Postar um comentário