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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O resultado do julgamento dos embargos infringentes foi um duro golpe no conservadorismo político brasileiro

São muitas as análises, de conteúdo bastante variado, sobre o resultado da votação no Supremo Tribunal Federal dos chamados embargos infringentes, o mais importante dos acontecimentos nos últimos seis meses ocorrido na conjuntura nacional. Tem opinião para todos os gostos. É lógico e natural que essas opiniões abranjam o espectro político, independentemente do grau de conhecimento e interpretação jurídica.

Deparo-me hoje com opiniões que vão de editoriais, abordagens de colunistas e de jornalistas que fazem cobertura na política nacional. No âmbito da mídia conservadora, o mote é procurar um bode expiatório para o resultado consagrado pela maioria dos ministros no julgamento. Possivelmente irão focar no voto do ministro Roberto Barroso a mesma acusação que fizeram ao ministro Ricardo Lewandowski. Esquecem os conservadores de plantão que na análise dos embargos infringentes já se computavam quatro votos contra a chamada "formação de quadrilha" desde o primeiro julgamento.

Me parece uma incongruência achar que o voto dos novos ministros tenha sido um ato de conotação bolivariana. A grande verdade é que os setores conservadores sofreram uma profunda derrota em prol da liberdade da justiça e do avanço do campo progressista.

O resultado por si só não resolve em definitivo as injustiças cometidas no bojo da Ação Penal 470, mas no desenrolar do embate do contraditório vieram à tona várias tramas articuladas por aqueles a quem interessava, até certo ponto, dar um golpe de mestre, sobretudo na condução da chamada dosimetria.

Tenho a sensação que, a partir deste fato, vários outros virão à tona na formalização do conjunto da Ação Penal 470. Para os setores do conservadorismo, tanto na política como na mídia, a extinção da qualificação do chamado ato de quadrilha foi um golpe fatal.

Espero que juristas progressistas e conhecedores das ações civil e criminal possam esclarecer o que virá a partir dos resultados dos embargos infringentes em relação a vários outros processos aonde possam ter sido cometidos as mesmas injustiças.

Uma coisa é certa: a partir de ontem ficou evidente que a velha mídia foi duramente atingida na sua pauta cotidiana sobre o chamado "mensalão do PT". Aguardo o comportamento da mesma sobre o início do julgamento do chamado "mensalão do PSDB mineiro" que foi a raiz de todos esses males. Sem falar em vários escândalos, como os casos de corrupção nos trens e metrô de São Paulo, que estão na ordem do dia do PSDB, mas que continuam ignorados nas pautas da imprensa escrita, falada e televisiva. E ainda tentam macular a imagem da Petrobras para encobrir os fatos que ela, a mídia, não aceita que o público tome conhecimento.

Para nós, é fundamental cada vez mais utilizar as redes sociais para contrapor uma imprensa que se transformou num partido político.

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