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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Em nota, Álvaro Dias não explica denúncias sobre seu patrimônio, mas homenageia o pai


25/12/2012 15:46

Por Redação - de Brasília

Álvaro Dias publicou nota em sua página na internet, na qual tenta explicar a origem de seu patrimônio
Álvaro Dias publicou nota em sua página na internet, na qual tenta explicar a origem de seu patrimônio
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) deixou o silêncio em que se manteve até esta terça-feira para tentar explicar, em nota publicada em sua página na internet, parte de sua fortuna, avaliada em R$ 16 milhões. Desde a última sexta-feira, Dias teve seu patrimônio contestado após receber uma punição, na Justiça, no processo que move contra ele a funcionária pública Monica Magdalena Alves, mãe de uma filha do parlamentar fora do casamento. A ação visa anular a venda de cinco casas em Brasília que, segundo a causa, também pertenceria à herdeira, menor de idade. Dias não teria pagado a pensão alimentícia da menina e poderá se tornar alvo de uma investigação da Polícia Federal.
O senador Álvaro Dias assumiu, após a renúncia do senador Demóstenes Torres por denúncias de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o papel de principal defensor dos ideais da extrema direita, no país. Moralista e dono de um discurso contundente nas denúncias aos desafetos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dias vê-se agora diante do mesmo pelotão de fuzilamento, na mídia, ao qual convocou na tentativa de alvejar a reputação da ex-secretária da Presidência da República, em São Paulo, Rosemary Noronha. É dele o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o que ele apelidou de ‘Rosegate‘, repercutido prontamente pela mídia conservadora no país.
– É um escândalo de baixo nível, que expõe a postura descabida de quem preside o país, antes e agora – disse ele, referindo-se ao antecessor da presidenta Dilma.
Em 2006, o patrimônio que Dias declarou à República, tão logo diplomado como senador, foi de R$ 1,9 milhão. Naquele mesmo ano, o senador não teria declarado aplicações no valor de R$ 6 milhões e, ao longo do período, ergueu cinco mansões na Capital Federal, avaliadas em R$ 16 milhões. Na nota, Dias tenta explicar os fatos acusando “abutres morais” que promovem “o achincalhe” em uma página de microblogs.
Leia aqui, no Correio do Brasil, a nota, na íntegra:
Patrimônio da Honestidade: a homenagem a meu pai!
25 de dezembro de 2012 – 12:00
O espírito do Natal contrastando com o achincalhe de alguns poucos abutres morais, especialmente no Twitter, leva-me a homenagear meu pai. Sem ter frequentado a escola, transformou-se em notável professor da honradez e do trabalho. Construiu significativo patrimônio material, mas o mais importante que legou a seus 10 filhos foi o da decência e honestidade.
Imagino se estivesse vivo qual seria sua reação nesta hora. Sua trajetória na construção desse patrimônio foi uma epopeia. Começou em 1938, portanto, muito antes do meu nascimento, quando ainda jovem chegou onde hoje se localiza Maringá. Saindo de Quatá-SP, na antiga jardineira, a viagem sobre quatro rodas se encerrava em Londrina, cerca de 100 quilômetros do destino. A partir daí no lombo de cavalos percorreu trilhas abertas na mata para chegar. Em Mandaguari a parada no único e pequeno hotel existente, depois a cavalgada até o fim da picada em Maringá.
Acompanhado por corretores desceu até onde se localiza hoje a UEM e foi adiante até o local escolhido. Decidiu por esse lugar porque encontrou água (pequeno rio) e soube que a linha férrea mais tarde passaria por lá. A região era inóspita, perigosa e afastava os desbravadores. Não foi difícil com algumas dezenas de réis adquirir extensa área de terras, o inicio da construção de um razoável patrimônio. Várias vezes foi aconselhado a vender, a selva era perigosa. Resistiu, persistiu! Aos poucos foi derrubando a mata e plantando café. As viagens se repetiam, nas mesmas e difíceis circunstâncias, a partir de Quatá onde a família ficava.
Em 1954 a mudança. Casa construída para receber mulher (minha mãe Helena) e filhos. Verdadeiro mar verde, os cafezais produziam safras incríveis. Foi o ponto de partida para a formação de novas fazendas de café, como a de Itambé que muito me impressionava ainda garoto, pela grandeza e beleza das suas lavouras. Logo a seguir Jesuítas, no Oeste do Paraná, etc.etc.. Silvino, meu pai, mandava os filhos estudar e ficava na sua batalha diária que começava sempre antes do nascer do sol. Vida dura de trabalho e só. Não conheceu o mar, não colocou o pé nas areias da praia e só viu Curitiba, nossa capital, quando da minha posse como governador.
A fazenda Diamante que formou em Maringá, transformou-se na Cidade Nova. Morreu aos 95 anos e pouco antes disso me disse: “a cidade chegou muito perto de mim, se fosse mais jovem iria embora para algum Estado emergente fazer o que fiz quando aqui cheguei em 1938 cheio de esperança”. Em nome dos seus oito filhos vivos, dois já se foram, as minhas homenagens neste Natal. Obrigado meu pai! Seus filhos aprenderam a lição, formaram-se em universidades, aumentaram o patrimônio material pelo senhor legado, (mais os que não estão na vida publica), mas sem esquecer de preservar a sua riqueza maior: a honestidade!
Por isso meu pai, em sua homenagem, aos que achincalham a honra deste seu filho, por ignorância ou má fé, lembro Mario Quintana, poeta gaúcho, ‘Eles passarão, eu passarinho”

Fonte. Correio do Brasil

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