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segunda-feira, 6 de agosto de 2012


O Procurador conta estória e alimenta a velha mídia sensacionalista

Na minha opinião, a peça acusatória da Ação Penal 470 lida pelo procurador Gurgel na apresentação aos ministros do Supremo Tribunal Federal confirma a tese de um julgamento meramente político do caso chamado “mensalão”. E me deixa, como brasileiro comum, perplexo, quando o principal representante do Ministério Público faz uma longa exposição durante cinco horas com um somatório de acusações sem apresentar dados técnicos ou contábeis sobre o que ele chama de utilização de “recursos ilícitos”.

Me apego ao conhecimento, até onde me é permitido, para fazer aqui algumas observações:

- Como pode um conjunto de pessoas formar uma quadrilha contraindo empréstimos em agências bancárias explicitamente identificadas;

- Como pode uma quadrilha se dirigir até agências bancárias e se identificar para a retirada de saques de recursos mandados por empresas juridicamente constituídas e seus integrantes apresentarem identidades e assinarem recibos;

- Como pode um Procurador dizer que quantias foram transportadas em carros fortes sem citar as empresas transportadoras e os destinatários na ponta, já que ele disse que essa dinheirama teria sido distribuída a parlamentares para que votassem a favor de projetos do governo;

- Como pode se explicar que parlamentares da bancada do PT, que era e é a segunda maior da Câmara dos Deputados, precisassem receber quantias em dinheiro para votar a favor do governo, se esses deputados eram e são governo. Quais os nomes? Pelo que sabemos não consta o nome de nenhum deputado do PT ou de outras legendas, seja nos depoimentos à CPI, à Polícia Federal, ou em conversas gerais ou individuais, que tenha sido sequer mencionado por tal comportamento;

- Como pode acusar figuras públicas de formação de quadrilha ou de chefe de quadrilha sem apresentar uma única prova técnica, seja ela verbal, testemunhal ou por escrito. Refiro-me especialmente ao meu amigo e companheiro, o ex-deputado, ex-ministro e ex-presidente do PT, José Dirceu. É algum crime um chefe da Casa Civil conversar ou até mesmo se reunir em seu gabinete com representantes das mais diferentes forças políticas, sejam eles da situação, da oposição ou de movimentos sociais, em grupo ou individualmente? Existe alguma prova de que essas reuniões teriam o intuito de formar quadrilha? É curioso lembrar que o delator do chamado “mensalão”, ao deixar o hospital após alta médica, afirmou que o assunto entre ele e José Dirceu já estava exaurido e que o seu único desejo na época era evitar a candidatura do ex-ministro à Presidência da República. Segundo ele, este foi o maior serviço prestado por ele à nação brasileira. Na realidade, talvez seja esta a prova mais contundente para, de uma vez por todas, desmistificar a fantasia do “mensalão”.

Mas, lamentavelmente, a retórica do Procurador alimenta a ansiedade da velha mídia escrita e televisiva no sentido de tentar confundir a opinião pública sobre um assunto que necessita ser didaticamente explicado para que se tenha o mínimo de compreensão dos fatos até para se fazer um juízo de valor minimamente correto.

Insisto que o Congresso Nacional, independemente do resultado do julgamento, deve oferecer à nação uma profunda reforma política eleitora, judiciária e crie uma agência específica com a participação de setores da sociedade para regulamentar os meios de comunicação no Brasil.

Na minha opinião, a consolidação da democracia no Brasil passa por todas essas reformas. Especialmente no Judiciário, quando a Suprema Corte deveria ser um fórum de interpretação das leis e os julgamentos, independentemente dos foros privilegiados, deveriam caber a outras instâncias. É triste ver e conhecer, como eu conheço, pessoas na condição de funcionários de partidos ou de parlamentares que estão sendo julgadas por uma corte de última instância sem condições de recursos para a defesa dos seus atos, se é que assim podemos chamar, cometido meramente a mando de seus superiores. E mais lamentável ainda assistir a uma mídia hipócrita, sensacionalista, expor a vida e a reputação moral e profissional de alguns funcionários que tem se comportado pela lisura e pelo caráter no exercício de suas funções. Infelizmente, a velha mídia incorre na virulência de publicar uma galeria com fotos dessas pessoas sem o julgamento estar concluso. Registro aqui a minha total solidariedade a todos os funcionários vítimas desta tese fantasiosa.

Setores da imprensa brasileira andam a passos largos na mesma direção traçada pelos tablóides sensacionalistas, criminosos e irresponsáveis que mancharam a imagem do Reino Unido. No fundo, a tentativa é de achovalhar o PT, seus filiados e militantes e a história de um Partido que, independentemente dos seus erros, sem dúvida nenhuma, juntamente com o presidente Lula e agora com a presidenta Dilma, tem prestado relevantes serviços ao País. Só os idiotas não aceitam. O futuro dirá!

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