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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

"O PSB traiu o PT"



Foto: Edição/247

A AFIRMAÇÃO É DO COORDENADOR NACIONAL DA COMISSÃO DE ÉTICA E UM DOS FUNDADORES DO PARTIDO DOS TRABALHADORES, FRANCISCO ROCHA DA SILVA, O ROCHINHA; PELA PRIMEIRA VEZ UM PETISTA DO ALTO ESCALÃO CONFIRMA A CRISE ENTRE AS DUAS LEGENDAS E EXPÕE ABERTAMENTE AS FERIDAS EXISTENTES; FERIDAS QUE ESTARIAM LEVANDO ATÉ MESMO O EX-PRESIDENTE LULA A REVER SUA APROXIMAÇÃO COM O PRÓPRIO PRESIDENTE DO PSB E GOVERNADOR DE PERNAMBUCO, EDUARDO CAMPOS

29 de Agosto de 2012 às 19:00
Paulo Emílio_PE247 – Traição. É desta maneira que muitos setores do PT vêm considerando a movimentação feita pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, para fortalecer a sua legenda e se cacifar rumo ao pleito presidencial de 2014. O desabafo vem de ninguém menos que o coordenador nacional da Comissão de Ética e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, Francisco Rocha da Silva, o Rochinha, uma das vozes mais escutadas pelos petistas. Rochinha também confirma que o clima entre os antigos aliados “já foi bom, mas hoje não é mais” e que o ex-presidente Lula estaria realmente revendo a sua relação com o governador pernambucano e com o próprio PSB , expondo pela primeira vez a crise que ameaça explodir entre os  dois partidos e que, tanto um lado quanto o outro, negam que exista.
“Não falo pela direção, mas como coordenador da Comissão de Ética e da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária dentro do PT. Muita gente tem encarado o posicionamento do PSB como traição. Sempre apoiamos o PSB e o recebemos em troca foi isto.  Esta situação vem de longe e não está restrita apenas ao Recife (PE) ou Belo Horizonte (MG), mas também acontece no interior de Pernambuco, da paraíba e de outros lugares do País. E é tão ou mais cruel que o comportamento de partidos tradicionalmente adversários do PT”, afirma o petista.
Esta situação, levada a cabo pelo PSB, teria levado o ex-presidente Lula a um profundo desgosto com o antigo amigo e aliado socialista. “Hoje , ele (Lula) está revendo tudo isto.  O Lula tem mágoa, desgosto. Eu , assim como outros, vejo como traição mesmo. Quando presidente, o Lula foi  84 vezes a Pernambuco. Ele batalhou para que a Fiat fosse para lá, em um esforço pessoal para que isso acontecesse. Aconteceu o mesmo com a refinaria, entre outras ações. E  a gratidão que recebemos por parte do PSB foi esta: traição”, dispara.
As tentativas de aproximação por parte de alguns setores do PSDB, rival histórico do Partido dos Trabalhadores, onde já se fala abertamente na composição de uma chapa para disputar a próxima eleição presidencial tendo Eduardo Campos encabeçando a chapa e um tucano como vice, também  elevaram a animosidade de Lula em relação ao antigo aliado.
As críticas sobram até para o hoje ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, que também conta com a proteção de Campos. “Entregamos a Codevasf para ele. Hoje recebemos na região do Sertão, ou mesmo em Petrolina, a terra natal de Fernando Bezerra Coelho, o mesmo tratamento que rebemos do PSB em Recife. Fernando Bezerra Coelho é o espelho do coronelismo naquelas regiões do Sertão”, diz o petista.
Sinais - Segundo ele, o PSB teria dado os primeiros sinais dos seus planos de poder e que poderia avançar sobre o PT quatro anos atrás, em Recife. “Na última eleição, o candidato de Lula era Humberto Costa e não João da Costa, que acabou sendo eleito prefeito. Na ocasião, Lula foi surpreendido quando Eduardo Campos entrou  com o  nome do socialista Milton Coelho , que integra a direção do PSB, no bolso do colete, para ser o vice na chapa majoritária. Esta dobradinha foi orquestrada pelo Eduardo Campos. É hipocrisia o PSB dizer que não participou”, afirma o coordenador.
Agora, nesta eleição, os problemas internos do PT foram agravados pelo lançamento da candidatura do ex-secretário estadual Geraldo Júlio – que tem como maior rival o senador petista Humberto Costa – , que tem o apoio do PSB e o engajamento pessoal de Eduardo Campos, acabou por levar a um racha entre as duas legendas em várias capitais do Brasil e expôs as fragilidades internas do próprio PT.  Tanto que hoje o PT só figura à frente nas intenções de voto em poucas cidades importantes. E até mesmo em municípios como o Recife, onde o candidato petista lidera a corrida sucessória,  as constantes quedas e o crescimento dos adversários fizeram com que a luz amarela do partido ficasse acesa constantemente.
“Diante da crise interna e para evitar uma cisma ainda maior eu fui o primeiro a procurar o João da Costa, a pedido de Lula, para que ele aceitasse o nome de Humberto como o indicado pelo partido. No meu caso pessoal, e isso não é nenhum recado, quando perco uma discussão no Diretório Nacional eu acato a decisão da maioria. Mas não foi o que se viu”, observa.  
“Quem mais falou mal da gestão de João da Costa não foi o Humberto Costa e nem João Paulo (vice na chapa petista). Quem mais falou mal da gestão atual do PT em Recife foi o PSB. E o PT, por ingenuidade ou arrogância, engoliu. Foi isso o que realmente aconteceu em Pernambuco. O problema está com o PSB e não conosco”, relata.
Apesar das fortes críticas aos socialistas, Rochinha diz que o PT está disposto a erguer a bandeira branca, desde que o PSB se disponha a fazer o mesmo. “Até porque o PT sempre teve no PSB um partido irmão. O PSB tem todo o direito de querer ser grande, de crescer. O que não pode é ser desleal. E o PSB caminha a passos largos nesta direção. Esta ansiedade de Eduardo Campos faz com pareça que ele tenha perdido os sentidos e o rumo político. E mais à frente isto pode se voltar contra ele mesmo. Ele precisa do PT como o PT também precisa do PSB”, analisa.
Esta necessidade de reaproximação, inclusive, já estaria sendo necessária. O coordenador petista diz que se os planos de Eduardo são alçar voos nacionais, ele deveria pensar nas “garras da direita do Centro-Sul do país. Ali, ele vai precisar muito do apoio do PT”, garante. Segundo Rochinha, as primeiras dificuldades já estariam acontecendo com a desconstrução da imagem de bom gestor e do ar de modernidade de Eduardo através da imprensa. “Este processo já foi iniciado. Revistas semanais, colunistas de jornal, vai e vem relembram o escândalo dos precatórios, acontecido em 1997, onde ele sempre é citado. Também o tacham de coronel travestido com ares da modernidade, entre outras coisas. Seria melhor para todos que a bandeira branca realmente fosse hasteada”.
Como em uma espécie de mais uma tentativa para colocar o assunto em panos quentes, o presidente do PT, Rui Falcão, tentou minimizar a situação. "Temos aliança com o PSB em várias cidades do Brasil. Além disso, o PSB faz parte da base do Governo Federal e espero que continue assim. O que houve em Belo Horizonte, por exemplo, foi uma ruptura que já estava acordada. Nós queríamos permanecer apoiando o PSB, mas eles decidiram seguir Aécio (Neves, senador, PSDB). Já no Recife houve um rompimento da Frente Popular", disse durante uma entrevista coletiva concedida em Petrolina, no Sertão pernambucano. Ali, o candidato petista Odacy Amorim, tem no socialista Fernando Bezerra Filho, filho do ministro Fernando Bezerra, o seu maior rival.
 Fonte: Blog 247
 *Colaborou Raphael Coutinho_PE 247

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