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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sobre as vaidades e a maldição dos projetos pessoais

Vivemos um momento de grande importância para a consolidação do projeto do PT. As eleições municipais são a base da democracia e da participação popular. Isso traz aos petistas e seus candidatos uma grande responsabilidade, maior até do que nas disputas em outros níveis.

É na cidade que se produz a ação política. É lá que a população vive; é lá que estão os problemas à espera de solução imediata.

O PT tem a obrigação de politizar o processo para que a população faça suas opções de maneira consciente – rompendo com o clientelismo, a compra de votos, as falsas promessas e o voto de cabresto.

O PT tem milhões de filiados, militantes e simpatizantes que, sem dúvida, serão capazes de produzir essa discussão, dos grandes centros às pequenas e médias cidades.

Certamente teremos momentos muito difíceis nestas eleições, como sempre. Se, no plano nacional, a oposição está aparentemente enfraquecida, nos Estados e municípios ela continua viva e forte. Mas podemos superar este e outros obstáculos, desde que a militância sinta firmeza no projeto e nos candidatos – e não tenha vergonha de defender nossas propostas e de desfraldar a bandeira vermelha e branca em qualquer ponto do Brasil.

A disputa pelo voto, no caso do PT, não pode ser feita por contingentes de cabos eleitorais ao estilo da velha tradição política – em que vale mais o interesse imediato do que a convicção política e ideológica.

São 32 anos de luta. Foi pelo trabalho de todos os petistas, na maioria anônimos, que chegamos até aqui. Não tenho dúvida de que, sem a força e a participação da militância, nem Lula nem Dilma teriam alcançado a Presidência da República.

Por isso, enganam-se os que pensam, pretensiosamente, que seus projetos e suas relações pessoais são superiores à força do partido (quando falo em “relações pessoais”, acho que não preciso citar nomes...).

Enganam-se também os que acham que a militância, forjada nas mais diversas formas de luta, esteja disposta a alimentar os que trabalham pela fragmentação e pela divisão do PT.

Nesse sentido, é imprescindível respeitar a direção partidária como força condutora do processo. Sem isso, multiplicam-se os cenários em que lideranças locais terminam correndo atrás de supostas tábuas de salvação – quase sempre com resultados ruins para o partido e mesmo para seus projetos pessoais.

É bom lembrar que nosso maior exemplo de valorização partidária vem de ninguém menos do que o companheiro Lula. Mesmo tendo a seu favor a popularidade, o carisma e a força do convencimento, Lula nunca transgrediu as regras e as decisões do PT.

Quero encerrar repetindo trechos de artigo escrito e publicado por mim em fevereiro, em que eu alertava para os perigos dos projetos excessivamente individuais. Infelizmente, o que escrevi lá atrás continua atualíssimo. Sugiro que leiam novamente:

O PT é um partido extremamente democrático, onde todas as principais questões são debatidas, encaminhadas e votadas na base, o que inclui a definição de candidaturas para as eleições regulares. A disputa interna é tão legítima quanto saudável, porque ajuda a oxigenar o partido. Mas há limites. Ela não pode comprometer o projeto coletivo nem atender a interesses exclusivamente pessoais.

Da mesma maneira, é importante manter a boa convivência com os companheiros da base aliada do governo Dilma. Repito: o PT tem projeto nacional e não pode ficar refém de caciques e interesses regionais menores.

Sair fortalecido das eleições de 2012 é condição fundamental para um bom desempenho em 2014 e para a continuidade do processo de mudanças iniciado por Lula em 2003.

Ao invés de nos perdermos em disputas internas que não levam a lugar algum, deveríamos ocupar nosso tempo e nossa capacidade política para formular programas de governo que inovem na política local e que fortaleçam as parcerias com as grandes ações do governo da presidenta Dilma em cada município.

Já passamos dos 30. Está na hora de ter maturidade e humildade para entender os limites de nossa ação política e priorizar os objetivos maiores do partido e do país.

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