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quinta-feira, 10 de maio de 2012

A desfaçatez de Roberto Gurgel

Incomodado, o procurador-geral da República foi ontem ao Jornal Nacional tentar se explicar ou se justificar quanto às cobranças de parlamentares, inclusive da oposição, e setores da sociedade pelo fato de haver engavetado o inquérito da Polícia Federal que mostra as relações promíscuas entre o contraventor Carlos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM).

Na maior desfaçatez, Gurgel agarrou-se ao discurso da velha mídia para desviar o foco das atenções que recai sobre ele, em meio à enxurrada de escândalos provocada por Cachoeira e Demóstenes.

Em casos recentes, com bem menos dados e evidências, Gurgel não levou mais do que algumas horas para assacar sua pena acusatória contra outros personagens políticos citados em denúncias.

Se tivesse cumprido com seu dever quando ficou sabendo da gravidade dos fatos, em 2009, é muito provável que Demóstenes não fosse eleito senador, nem Marconi Perillo governador de Goiás nas eleições de 2010. E o esquema corrupto de Carlos Cachoeira, que, segundo as investigações, se alastrou por vários setores da atividade pública, talvez já estivesse debelado há muito tempo.

Mas Gurgel ficou quieto. Fez de conta que não era com ele. Por quê?

Gurgel deve, sim, explicações ao país. E não só por meio de notas à imprensa ou de táticas diversionistas – como na entrevista de ontem ao Jornal Nacional da rede Globo, em que incorporou o discurso da Revista Veja e acusou os citados no chamado mensalão de fazer pressão contra ele, por causa do julgamento desse processo  no STF.

Ora, o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Por acaso Gurgel é ministro do STF? Tem voto lá? Não, não tem. Que culpa tem o STF e os acusados no processo do “mensalão” se Gurgel não adotou as providências necessárias e assim contribuiu, mesmo que indiretamente, para que o esquema de Cachoeira, Demóstenes e outros continuasse funcionando e se ampliando?

Aliás, o depoimento do delegado da Polícia Federal Raul Souza, à CMPI do Cachoeira, na terça-feira (8/5), foi o que aumentou as suspeitas, ao declarar que o procurador poderia ter agido há dois anos. Destaco aqui, também, o comentário de um deputado da oposição que, após a fala do delegado, afirmou: “Ele (Gurgel) estava com uma bomba atômica na mão”.

Estranhamente – ou nem tanto – o depoimento do delegado foi omitido pelo Jornal Nacional da rede Globo de ontem...

O Brasil de hoje, graças ao alcance cada vez maior das redes sociais, não depende mais das Organizações Globo ou da Veja – e de suas penas ou canetas de aluguel – para saber o que se passa no país. Se já estava claro, antes, que Gurgel precisa se explicar na CPMI, agora ficou ainda mais evidente. Nenhum cidadão brasileiro está acima das leis e das instituições. Por mais que saiam por aí gritando “mensalão”, qualquer um pego com a boca na botija, deve ser investigado e punido, se necessário.

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