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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Aviso aos golpistas: o PT não aceita canga

Rezando na cartilha da velha mídia golpista, o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), afirmou ontem com todas as letras que o PT e o ex-presidente Lula são uma “ameaça à democracia” no Brasil. Referia-se à suposta pressão que nós, petistas, estaríamos fazendo sobre o STF e o procurador-geral da República para “melar” o julgamento do chamado “mensalão”.

Ao que tudo indica, Guerra perdeu de vez o medo do ridículo. Deve estar atordoado.

Quero lembrar rapidamente, apenas para não passar em branco, que não existe, no país, partido mais democrático do que o PT, com sólidas raízes nos movimentos sociais e cujas direções são eleitas diretamente pelos filiados; que o PT é de longe, segundo todas as pesquisas, o partido mais respeitado e mais admirado pela população brasileira; e que os governos Lula e Dilma tem aprovação de 80% do povo justamente por terem promovido avanços sociais e econômicos extremamente democráticos, com distribuição de renda e combate às desigualdades, sempre respeitando as instituições, as divergências e a diversidade, disputando a opinião pública no debate e no voto.

É claro que Sérgio Guerra sabe de tudo isso e deve se lembrar de quando foi citado, justa ou injustamente, como um dos envolvidos na CPI do orçamento, também conhecida como CPI dos Anões. Ele está só fazendo política rasteira, da pior espécie, na tentativa de desviar o foco das graves acusações que pesam contra caciques do seu de outros partidos da oposição e, quem sabe, encontrar um discurso fácil para os candidatos tucanos nas eleições deste ano. Acho que está perdendo tempo. Deveria virar o disco.

Se olhar para trás, o deputado verá que seu partido não ganhou nada com isso nas últimas eleições. E, se olhar com atenção para os que estão ao seu lado, descobrirá facilmente quem são os verdadeiros detratores da democracia no Brasil, aqueles que histórica e continuamente trabalham para manter privilégios, perpetuar maracutaias e derrubar governos legitimamente eleitos. Refiro-me à velha mídia na qual Guerra se sustenta para produzir bobagens com as de ontem.

Entremos no túnel do tempo. Foi essa imprensa golpista – com Carlos Lacerda e companhia – que levou Getúlio Vargas ao suicídio, tentou impedir a posse de Juscelino Kubistchek e se engajou na campanha para derrubar João Goulart, defendendo com entusiasmo a ditadura instalada com o Golpe de 1964.

O tempo passou, o povo foi para as ruas, o regime começou a se abrir, os militares foram voltando para a caserna, mas os golpistas civis, cada vez mais atuante nos grandes meios de comunicação, não perderam o vicio e estão soltos por aí. Tentaram fraudar a eleição de Leonel Brizola para governador do Rio em 1982, manipularam escandalosamente o debate entre Lula e Collor às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 1989 e apoiaram sem reversas (como ainda apóiam) a privataria tucana que dilapidou o patrimônio nacional e desmontou o Estado. Desde a primeira eleição de Lula, em 2002, trabalham diariamente para inviabilizar o projeto de mudanças iniciado a partir dali – projeto que, repito, tem apoio de 80% da população.

A democracia defendida por Sérgio Guerra e seus capangas (na política e na imprensa) é um sistema fechado e apoiado por uma pequena elite. Nela não cabem, por exemplo, nem movimentos sociais (que precisam ser atacados e criminalizados) nem direitos trabalhistas (que devem ser eliminados).

Mas a democracia tem avançado, apesar deles. As instituições brasileiras foram fortalecidas com os governos do PT, ganharam corpo, estrutura e, sobretudo, independência. Hoje há mais controle, transparência, fiscalização e investigação. A impunidade não é mais uma característica do sistema político brasileiro.

Os que ainda não perceberam isso esquecem que, somente no governo Lula, a Polícia Federal fez mais de mil operações, com 14 mil presos, sendo 1.700 servidores públicos – além de muita gente graúda como empresários, juízes, policiais e políticos, inclusive do PT. Perguntem ao deputado Sérgio Guerra quantas operações a PF fez no governo FHC. Se ele não souber responder, eu respondo: 28, apenas 28. Várias delas não se sabe o resultado. Perguntem ao procurador geral da época.

Diante desse quadro, a oposição, sem rumo e sem propostas alternativas para o Brasil, alia-se aos golpistas de plantão. Toda vez que se aproxima o período eleitoral, ou quando ambos (oposição e mídia) são pegos com a boca na botija, como agora, eles saem que nem loucos por aí gritanto “mensalão, mensalão”.

Não vai funcionar. No caso específico – o da máfia comandada pelo bicheiro Cachoeira, com tentáculos no meio empresarial, na política, no Judiciário, no governo de Goiás e em grandes veículos de imprensa, como a Revista Veja – não existe tática diversionista capaz de encobrir o que já foi apurado pela PF e que certamente, com todo o empenho da base de apoio aliada, será aprofundado na CPMI que está instalada no Congresso Nacional.

Quanto ao julgamento do chamado “mensalão” no STF, nada tememos. O PT sabe que o “mensalão” não existiu e confia na Justiça brasileira. Certamente, houve irregularidades na manipulação de recursos para campanhas eleitorais. Mas a alegada compra de votos de deputados, para a aprovação de projetos do governo, jamais foi comprovada. Como não foi comprovada a participação, no suposto esquema, de figuras centrais do processo, entre eles o ex-ministro José Dirceu.

É bom lembrar que dizem que houve compra de votos para aprovar a emenda que propunha a reeleição, patrocinada pelo governo FHC.

O PT não tem por que pressionar o STF e a Procuradoria Geral da República (PGR), mas o PT, com a responsabilidade de quem governa o Brasil há 10 anos, tem a obrigação, o dever, de apurar e levar às últimas consequências as graves denúncias e suspeitas que atingem tanto o Procurador-Geral Roberto Gurgel como, agora também, o ex-presidente do STF Gilmar Mendes. Não é o “mensalão” que está em jogo. É a integridade e a credibilidade de duas das maiores instituições brasileiras.

Os que se apressam em gritar “mensalão” querem na verdade colocar uma canga no PT e tentar tirar o principal assunto do momento do foco das atenções. Mas podem tirar o cavalo da chuva. Não vão conseguir.

quarta-feira, 30 de maio de 2012


Lula deve ser amordaçado?


A julgar pela oposição, Luiz Inácio Lula da Silva só tem liberdade para falar de futebol. O ministro Celso de Mello declarou que, se Lula fosse presidente da República, poderia enfrentar um processo de impeachment caso tivesse feito declarações e insinuações semelhantes àquelas que
o ministro Gilmar Mendes afirma que ele fez.
O caso é este. Um presidente da República não tem opinião pessoal. Tudo o que ele pensa e manifesta envolve o cargo que ocupa e pode
ser considerado uma forma de pressão sobre alguém.
Mas Lula é ex-presidente e tem o direito de dizer o que pensa para toda pessoa que tenha disposição de ouvi-lo.
Ex-presidente é assim. Se o Fernando Henrique pode falar a favor da legalização das drogas num pais infernizado pelo crack, embora muitos educadores considerem que essa simples medida pode estimular o consumo da droga, pergunto por que Lula não pode dizer o que pensa sobre a melhor época para o julgamento do mensalão.
Não pode, é claro, chantagear nem sugerir uma barganha, coisa que eu duvido sinceramente que tenha feito.
Mas eu acho que toda pessoa maior de idade e em pleno gozo de sua saúde mental que senta-se para conversar com um ex-presidente e um
ex-ministro do Supremo, do governo Lula e do governo FHC, como Nelson Jobim, sabe que a conversa não vai se limitar a futebol nem a mulher bonita. Vai se falar de política e é claro que, de uma forma ou de outra, vai chegar ao assunto do momento, que é o mensalão.
E é claro que quando Lula, Gilmar Mendes e Nelson Jobim falam desses assuntos, a conversa não é simples tertulia literária. Vem carregada
de duplos, triplos e quádruplos sentidos.
São profissionais da conversa. Muito pouco precisa ser dito porque tudo pode ser entendido.
O esforço para transformar esse triálogo atende a outra agenda. Consiste na tentativa permanente da oposição para criar um clima politizado em torno do julgamento do mensalão.
Essa é a questão. Na medida em que as partes já apresentaram suas armas, as estratégias para o julgamento estão cada vez mais claras.
A oposição aposta que um clima politizado, de denuncia, de indignação, será útil para obter uma condenação. Torce, também, por uma decisão no primeiro semestre, que poderá trazer benefícios nas eleições de outubro. Não é preciso ter diploma de marketing eleitoral para calcular que uma sentença do Supremo terá um valor de prova na visão de muitos eleitores.
O PT se esforça na direção contrária. Acredita que o exame das provas, a exposição serena dos pontos de vista pode ser favorável aos acusados.
Essa é a discussão.

Verdades incômodas sobre o mensalão

O leitor que tiver paciência de ler esta nota até o fim terá elementos melhores para julgar o debate envolvendo Lula e Gilmar Mendes.
Escrevi em nota anterior que o pano de fundo deste conflito envolve o ambiente político em torno do mensalão.
Uma das partes tem interesses em politizar o debate no ponto máximo. A outra tem esperança de convencer os ministros a apoiar-se em argumentos de natureza técnico, no exame das provas.
A leitura do relatório do delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha, disponível na internet, é rico em detalhes e bastante completo na abordagem.
Só para o leitor ter uma ideia da radicalização da situação. Tratado pela imprensa, o relatório já foi exibido como prova definitiva da existência do mensalão. Também foi apontado como prova do contrário.
Em suas conclusões, o relatório mostra que se o PT não pode estar feliz com as denúncias apuradas, a oposição não tem o direito de festejar por antecipação.
É por isso que o julgamento é aguardado com tensão. Todo mundo espera um proveito político mas ninguém sabe o que pode acontecer.
Ninguém quer prestar atenção ao relatório.
Zampronha juntou os fios dos empréstimos bancários e dos contratos de publicidade do Banco do Brasil e concluiu que houve sim desvio de dinheiro público para pagar os compromissos assumidos pelo PT. Os dados estão lá.
O PT pode alegar, corretamente, que o mensalão de Delúbio Soares é igual ao mensalão mineiro e até pode dizer que o esquema dos tucanos mineiros está melhor demonstrado. Tudo isso é verdade. Mas a culpa de Marcos Valério em Minas pode até ajudar a denúncia em seu devido lugar. Mostra que o esquema do PT tinha antecedentes.
Mas nada disso ajuda a demonstrar que ele era inocente quando se juntou ao PT.
Pelo relatório, petistas e não petistas que deixaram sua assinatura em algum documento oficial terão dificuldades muito grandes para demonstrar que são inocentes.
O problema, para a oposição, é que essas conclusões estão longe de demonstrar a culpa dos 38 réus. Pior ainda. Para quem transformou José Dirceu no cérebro e gênio do mal, a investigação da Polícia Federal é uma decepção.
Evitando mencionar hipóteses que estão na mente de muitas pessoas, mas não podem ser comprovadas com fatos, o relatório não apresenta uma linha contra Dirceu.
Embora Zampronha não dê entrevistas, é fácil concluir o que aconteceu.
A culpa de Dirceu não foi registrada pela equipe de policiais encarregada de apurar os fatos capazes de incriminá-lo. Não há provas contra ele.
Não há uma denúncia nem uma testemunha. O próprio Roberto Jefferson, que fez acusações políticas a Dirceu em 2005, não apontou um caso específico nem uma situação precisa. Aliás: quem voltar à entrevista de Jefferson a Renata Lo Prete, na Folha, irá encontrar palavras em que ele testemunha a reação de Dirceu de crítica ao próprio Delúbio. Jefferson contou a Lo Prete que, ao ser informado do que ocorria, Dirceu até deu socos na mesa. (Ele também disse que Lula chorou).
Puro teatro maquiavélico, você pode dizer. Coisa de tem treinados profissionais do crime. São todos farsantes, mentirosos…Esses políticos são todos iguais. Quem sabe?
Falando para os autos, Jefferson também não falou sobre o esquema de “compra de votos no Congresso” nem de “compra de consciências”. Jefferson repete nos vários depoimentos que deu à Polícia que jamais votou em projetos do governo em troca de dinheiro. Lembra que ele e sua bancada estavam de acordo com as propostas de Lula. Dá exemplos.
Fala que o problema é que os petistas combinaram e não entregaram recursos para a campanha de 2004.
Jefferson, neste aspecto, concorda com aquilo que Delúbio sempre disse. Era dinheiro de campanha.
Já estou ouvindo um grito do leitor do outro lado: “P…que p…!”
“Não é possível!”
“O PML enlouqueceu de vez!”
“Não percebe que a Polícia Federal faz o que o governo quer?”
Todos nós temos direito a uma opinião sobre o caso e seus protagonistas mas, acionada pela Procuradoria Geral da República, aquela que denunciou o governo pela montagem de uma “organização criminosa”, a Polícia Federal chegou a outro caminho.
Não demonstra o “mensalão”. Tampouco aponta para José Dirceu. Mas incrimina quem foi apanhado numa operação que implicava em desvio de recursos públicos. Não é pouca coisa, num país de altíssima impunidade. Mas não irá agradar quem acredita que estava tudo provado e demonstrado sobre a “quadrilha criminosa.”
Isso quer dizer que o Supremo irá seguir as recomendações da Polícia Federal? Nem de longe. Cada ministro tem o direito a suas convicções e próprias conclusões. O relatório da Polícia Federal pode inspirar alguns ministros, a maioria, a minoria, ou nenhum. Com certeza não será um julgamento unânime como a votação sobre cotas.
Não é inteiramente bom para nenhum lado. Nem totalmente ruim.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A força da imagem do PT


Recomendo a leitura de artigo de Marcos Coimbra, publicado na Carta Capital:

Ao contrário do que se costuma pensar, o sistema partidário brasileiro tem um enraizamento social expressivo. Ao considerar nossas instituições políticas, pode-se até dizer que ele é muito significativo.

Em um país com democracia intermitente, baixo acesso à educação e onde a participação eleitoral é obrigatória, a proporção de cidadãos que se identificam com algum partido chega a ser surpreendente.

Se há, portanto, uma coisa que chama a atenção no Brasil não é a ausência, mas a presença de vínculos partidários no eleitorado.

Conforme mostram as pesquisas, metade dos eleitores tem algum vínculo.

Seria possível imaginar que essa taxa é conseqüência de termos um amplo e variado multipartidarismo, com 29 legendas registradas. Com um cardápio tão vasto, qualquer um poderia encontrar ao menos um partido com o qual concordar.

Mas não é o que acontece. Pois, se o sistema partidário é disperso, as identificações são concentradas. Na verdade, fortemente concentradas.

O Vox Populi fez recentemente uma pesquisa de âmbito nacional sobre o tema. Deu o esperado: 48% dos entrevistados disseram simpatizar com algum partido. Mas 80% desses se restringiram a apenas três: PT (com 28% das respostas), PMDB (com 6%) e PSDB (com 5%). Olhado desse modo, o sistema é, portanto, bem menos heterogêneo, pois os restantes 26 partidos dividem os 20% que sobram. Temos a rigor apenas três partidos de expressão.

Entre os três, um padrão semelhante. Sozinho, o PT representa quase 60% das identidades partidárias, o que faz que todos os demais, incluindo os grandes, se apequenem perante ele.

Em resumo, 50% dos eleitores brasileiros não têm partido, 30% são petistas e 20% simpatizam com algum outro - e a metade desses é peemedebista ou tucana. Do primeiro para o segundo, a relação é de quase cinco vezes.

A proeminência do PT é ainda mais acentuada quando se pede ao entrevistado que diga se "simpatiza", "antipatiza" ou se não tem um ou outro sentimento em relação ao partido. Entre "muita" e "alguma simpatia", temos 51%. Outros 37% se dizem indiferentes. Ficam 11%, que antipatizam "alguma" coisa ou "muito" com ele.

Essa simpatia está presente mesmo entre os que se identificam com os demais partidos. E simpática ao PT a metade dos que se sentem próximos do PM DB, um terço dos que gostam do PSDB e metade dos que simpatizam com os outros.

Se o partido é visto com bons olhos por proporções tão amplas, não espanta que seja avaliado positivamente pela maioria em diversos quesitos: 74% do total de entrevistados o consideram um partido "moderno" (ante 14% que o acham "ultrapassado"); 70% entendem que "tem compromisso com os pobres" (ante 14% que dizem que não); 66% afirmam que "busca atender ao interesse da maioria da população" (ante 15% que não acreditam nisso).

Até em uma dimensão particularmente complicada seu desempenho é positivo: 56% dos entrevistados acham que "cumpre o que promete" (enquanto 23% dizem que não). Níveis de confiança como esses não são comuns em nosso sistema político.

Ao comparar os resultados dessa pesquisa com outras, percebe-se que a imagem do PT apresenta uma leve tendência de melhora nos últimos anos. No mínimo, de estabilidade. Entre 2008 e 2012, por exemplo, a proporção dos que dizem que o partido tem atuação "positiva na política brasileira" foi de 57% a 66%.

A avaliação de sua contribuição para o crescimento do País também se mantém elevada: em 2008, 63% dos entrevistados estavam de acordo com a frase "O PT ajuda o Brasil a crescer", proporção que foi a 72% neste ano.

O sucesso de Lula e o bom começo de Dilma Rousseff são uma parte importante da explicação para esses números. Mas não seria correto interpretá-los como fruto exclusivo da atuação de ambos.

Nas suas três décadas de existência, o PT desenvolveu algo que inexistia em nossa cultura política e se diferenciou dos demais partidos da atualidade: formou laços sólidos com uma ampla parcela do eleitorado. O petismo tornou-se um fenômeno de massa.

Há, é certo, quem não goste dele - os 11% que antipatizam, entre os quais os 5% que desgostam muito. Mas não mudam o quadro.

Ao se considerar tudo que aconteceu ao partido e ao se levar em conta o tratamento sistematicamente negativo que recebe da chamada "grande imprensa" - demonstrado em pesquisas acadêmicas realizadas por instituições respeitadas - é um saldo muito bom.

E com essa imagem e a forte aprovação de suas principais lideranças que o PT se prepara para enfrentar os difíceis dias em que o coro da indústria de comunicação usará o julgamento do mensalão para desgastá-lo. Conseguirá?

Marcos Coimbra
Artigo publicado na revista Carta Capital

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sobre as vaidades e a maldição dos projetos pessoais

Vivemos um momento de grande importância para a consolidação do projeto do PT. As eleições municipais são a base da democracia e da participação popular. Isso traz aos petistas e seus candidatos uma grande responsabilidade, maior até do que nas disputas em outros níveis.

É na cidade que se produz a ação política. É lá que a população vive; é lá que estão os problemas à espera de solução imediata.

O PT tem a obrigação de politizar o processo para que a população faça suas opções de maneira consciente – rompendo com o clientelismo, a compra de votos, as falsas promessas e o voto de cabresto.

O PT tem milhões de filiados, militantes e simpatizantes que, sem dúvida, serão capazes de produzir essa discussão, dos grandes centros às pequenas e médias cidades.

Certamente teremos momentos muito difíceis nestas eleições, como sempre. Se, no plano nacional, a oposição está aparentemente enfraquecida, nos Estados e municípios ela continua viva e forte. Mas podemos superar este e outros obstáculos, desde que a militância sinta firmeza no projeto e nos candidatos – e não tenha vergonha de defender nossas propostas e de desfraldar a bandeira vermelha e branca em qualquer ponto do Brasil.

A disputa pelo voto, no caso do PT, não pode ser feita por contingentes de cabos eleitorais ao estilo da velha tradição política – em que vale mais o interesse imediato do que a convicção política e ideológica.

São 32 anos de luta. Foi pelo trabalho de todos os petistas, na maioria anônimos, que chegamos até aqui. Não tenho dúvida de que, sem a força e a participação da militância, nem Lula nem Dilma teriam alcançado a Presidência da República.

Por isso, enganam-se os que pensam, pretensiosamente, que seus projetos e suas relações pessoais são superiores à força do partido (quando falo em “relações pessoais”, acho que não preciso citar nomes...).

Enganam-se também os que acham que a militância, forjada nas mais diversas formas de luta, esteja disposta a alimentar os que trabalham pela fragmentação e pela divisão do PT.

Nesse sentido, é imprescindível respeitar a direção partidária como força condutora do processo. Sem isso, multiplicam-se os cenários em que lideranças locais terminam correndo atrás de supostas tábuas de salvação – quase sempre com resultados ruins para o partido e mesmo para seus projetos pessoais.

É bom lembrar que nosso maior exemplo de valorização partidária vem de ninguém menos do que o companheiro Lula. Mesmo tendo a seu favor a popularidade, o carisma e a força do convencimento, Lula nunca transgrediu as regras e as decisões do PT.

Quero encerrar repetindo trechos de artigo escrito e publicado por mim em fevereiro, em que eu alertava para os perigos dos projetos excessivamente individuais. Infelizmente, o que escrevi lá atrás continua atualíssimo. Sugiro que leiam novamente:

O PT é um partido extremamente democrático, onde todas as principais questões são debatidas, encaminhadas e votadas na base, o que inclui a definição de candidaturas para as eleições regulares. A disputa interna é tão legítima quanto saudável, porque ajuda a oxigenar o partido. Mas há limites. Ela não pode comprometer o projeto coletivo nem atender a interesses exclusivamente pessoais.

Da mesma maneira, é importante manter a boa convivência com os companheiros da base aliada do governo Dilma. Repito: o PT tem projeto nacional e não pode ficar refém de caciques e interesses regionais menores.

Sair fortalecido das eleições de 2012 é condição fundamental para um bom desempenho em 2014 e para a continuidade do processo de mudanças iniciado por Lula em 2003.

Ao invés de nos perdermos em disputas internas que não levam a lugar algum, deveríamos ocupar nosso tempo e nossa capacidade política para formular programas de governo que inovem na política local e que fortaleçam as parcerias com as grandes ações do governo da presidenta Dilma em cada município.

Já passamos dos 30. Está na hora de ter maturidade e humildade para entender os limites de nossa ação política e priorizar os objetivos maiores do partido e do país.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Recife - Digital de João Paulo no abacaxi do PT:
http://t.co/ZOnrchWK

terça-feira, 15 de maio de 2012

Manifesto em Defesa de um Julgamento Justo

Para a sociedade brasileira 

A proximidade do julgamento da Ação Penal 470, conhecida por “processo do mensalão”, fez surgir uma campanha pública, com apoio de parte da grande imprensa, que promove a pré-condenação dos acusados e tenta pressionar o STF para que decida de acordo com os interesses políticos desse movimento.

Trata-se de um ataque irresponsável e inaceitável não apenas às instituições democráticas, mas também às garantias constitucionais e ao Estado de Direito.

Nós, abaixo-assinados, repudiamos toda e qualquer tentativa de manipulação e de julgamentos sumários, seja contra quem for. Os próprios ministros tem reiterado, em diversas entrevistas, que não pretendem submeter o processo jurídico a interesses políticos, nem ceder ao açodamento, nem julgar fora dos autos.

Confiamos na lisura, na transparência e na independência da Justiça brasileira. Estamos certos de que os ministros do STF decidirão com isenção e imparcialidade, sob a luz da Lei, das provas e dos testemunhos contidos no processo.

Não foram poucos os que tombaram para que a Democracia e os direitos da cidadania triunfassem em nosso país.

Não podemos permitir linchamentos públicos nem que os magistrados de nossa mais alta corte sejam alvo de campanhas intimidatórias.

É preciso respeitar o regimento do STF e o devido processo legal, sem ritos sumários e de exceção.

Na defesa de um julgamento justo, assinamos (por ordem alfabética):

Artur Henrique – presidente nacional da CUT
Durval Ângelo – deputado estadual PT-MG
Fátima Cleide – ex-senadora (RO) e dirigente nacional do PT
Francisco Rocha da Silva (Rochinha) – dirigente nacionald do PT
Gabriel Landi Fazzio – estudante de Direito, diretor de Memória da UNE
Henrique Fortuna Cairus – professor de Língua e Literatura Greca da UFRJ, do Conselho da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (Sbec)
Jefferson Lima – secretário Nacional da Juventude do PT
João Batista Barbosa da Silva – presidente do PT-PA
João Felício – secretário de Relações Internacionais da CUT Nacional
Joaquim Cartaxo – arquiteto, urbanista e vice-presidente do PT-CE
José Antonio Garcia Lima – secretário de Finanças da CUT-RJ
Juliana Borges – Secretaria Municipal de Mulheres do PT-SP
Maia Aguilera – estudante de Direito, ex-presidenta do CA 11 de Agosto – USP
Marcelo José Ladeira Mauad – diretor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo
Pablo Sérgio – dirigente do PT-RR
Pedro Igor Mantoan – estudante de Direito, da direção municipal da JPT-Sampa
Rafael Marques da Silva Jr. – vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Rodrigo Soares – presidente do PT-PB
Rossana Lana – jornalista, diretora de Comunicação da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de São Paulo (Arfoc)
Sérgio Mamberti – ator, secretário de Políticas Culturais do MinC
Sérgio Nobre – presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Tatiana Ribeiro – professora de Língua e Literatura Greca da UFRJ, coordenadora adjunta do PROAERA e coeditora da revista Clássica, da Sbec
Vagner Freitas – secretário de Administração e Finanças da CUT Nacional
Vitor Quarenta – estudante de Direito, diretor de Assistência Estudantil da UEE
Wagner Firmino de Santana – secretário-Geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Obs.: Esse manifesto é uma iniciativa do Movimento Universitário em Defesa do Estado de Direito. As assinaturas acima foram as primeiras coletadas pelo movimento. Para inserir sua assinatura, vá o link logo abaixo. Obrigado por seu apoio.

Os signatários

Este abaixo-assinado encontra-se alojado na internet no site www.peticaopublica.com.br que disponibiliza um serviço público gratuito para abaixo-assinados (petições públicas) online.
Caso tenha alguma questão para o autor do abaixo-assinado poderá enviar através desta página de contato

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A desfaçatez de Roberto Gurgel

Incomodado, o procurador-geral da República foi ontem ao Jornal Nacional tentar se explicar ou se justificar quanto às cobranças de parlamentares, inclusive da oposição, e setores da sociedade pelo fato de haver engavetado o inquérito da Polícia Federal que mostra as relações promíscuas entre o contraventor Carlos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM).

Na maior desfaçatez, Gurgel agarrou-se ao discurso da velha mídia para desviar o foco das atenções que recai sobre ele, em meio à enxurrada de escândalos provocada por Cachoeira e Demóstenes.

Em casos recentes, com bem menos dados e evidências, Gurgel não levou mais do que algumas horas para assacar sua pena acusatória contra outros personagens políticos citados em denúncias.

Se tivesse cumprido com seu dever quando ficou sabendo da gravidade dos fatos, em 2009, é muito provável que Demóstenes não fosse eleito senador, nem Marconi Perillo governador de Goiás nas eleições de 2010. E o esquema corrupto de Carlos Cachoeira, que, segundo as investigações, se alastrou por vários setores da atividade pública, talvez já estivesse debelado há muito tempo.

Mas Gurgel ficou quieto. Fez de conta que não era com ele. Por quê?

Gurgel deve, sim, explicações ao país. E não só por meio de notas à imprensa ou de táticas diversionistas – como na entrevista de ontem ao Jornal Nacional da rede Globo, em que incorporou o discurso da Revista Veja e acusou os citados no chamado mensalão de fazer pressão contra ele, por causa do julgamento desse processo  no STF.

Ora, o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Por acaso Gurgel é ministro do STF? Tem voto lá? Não, não tem. Que culpa tem o STF e os acusados no processo do “mensalão” se Gurgel não adotou as providências necessárias e assim contribuiu, mesmo que indiretamente, para que o esquema de Cachoeira, Demóstenes e outros continuasse funcionando e se ampliando?

Aliás, o depoimento do delegado da Polícia Federal Raul Souza, à CMPI do Cachoeira, na terça-feira (8/5), foi o que aumentou as suspeitas, ao declarar que o procurador poderia ter agido há dois anos. Destaco aqui, também, o comentário de um deputado da oposição que, após a fala do delegado, afirmou: “Ele (Gurgel) estava com uma bomba atômica na mão”.

Estranhamente – ou nem tanto – o depoimento do delegado foi omitido pelo Jornal Nacional da rede Globo de ontem...

O Brasil de hoje, graças ao alcance cada vez maior das redes sociais, não depende mais das Organizações Globo ou da Veja – e de suas penas ou canetas de aluguel – para saber o que se passa no país. Se já estava claro, antes, que Gurgel precisa se explicar na CPMI, agora ficou ainda mais evidente. Nenhum cidadão brasileiro está acima das leis e das instituições. Por mais que saiam por aí gritando “mensalão”, qualquer um pego com a boca na botija, deve ser investigado e punido, se necessário.

quarta-feira, 9 de maio de 2012


Reunião com Artur Henrique



Boa reunião com Artur Henrique, atual presidente da CUT. Colocamos em dia os assuntos políticos relativos ao PT e a CUT. Wagner, que será o próximo presidente da CUT não pode comparecer por compromissos em Brasilia. Daqui a quinze dias, haverá outra reunião com a presença dos dois para darmos continuidade a assuntos do encontro de hoje.

terça-feira, 8 de maio de 2012

VEJA: mais uma da velha mídia.


Apoiaram a ditadura militar de 1964, foi o mentor do pro - consulte, "explico". Praticaram fraudes para impedir a vitória de Leonel Brizola para Governador do Estado do Rio nas eleições de 1982 boicotaram a campanha das eleições diretas, fraudaram as imagens do ultimo debate do programa eleitoral das eleições presidenciais de 1989 no segundo turno. LULA x COLOR o candidato que vocês apoiaram. E hoje ocultam os verdadeiros fatos relativo a CACHOEIRA, DEMOSTINES e VEJA. E ainda pensam que vão continuar enganando o povo brasileiro.



O Globo - 08/05/2012

Blogs e veículos de imprensa chapa-branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista "Veja", na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta.
A operação tem todas as características de retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas, e de denúncias de esquemas de corrupção urdidos em Brasília por partidos da base aliada do governo. É indisfarçável, ainda, a tentativa de atemorização da imprensa profissional como um todo, algo que esses mesmos setores radicais do PT têm tentado transformar em rotina nos últimos nove anos, sem sucesso, graças ao compromisso, antes do presidente Lula e agora da presidente Dilma Rousseff, com a liberdade de expressão.
A manobra se baseia em fragmentos de grampos legais feitos pela Polícia Federal na investigação das atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pela qual se descobriu a verdadeira face do senador Demóstenes Torres, outrora bastião da moralidade, e, entre outros achados, ligações espúrias de Cachoeira com a construtora Delta. As gravações registraram vários contatos entre o diretor da sucursal de "Veja" em Brasília, Policarpo Jr., e Cachoeira. O bicheiro municiou a reportagem da revista com informações e material de vídeo/gravações sobre o baixo mundo da política, de que alguns políticos petistas e aliados fazem parte.
A constatação animou alas radicais do partido a dar o troco. O presidente petista, Rui Falcão, chegou a declarar formalmente que a CPI do Cachoeira iria "desmascarar o mensalão". Aos poucos, os tais blogs começaram a soltar notas sobre uma suposta conspiração de "Veja" com o bicheiro. E, no fim de semana, reportagens de TV e na mídia impressa chapas-brancas, devidamente replicadas na internet, compararam Roberto Civita, da Abril, editora da revista, a Rupert Murdoch, o australiano-americano sob cerrada pressão na Inglaterra, devido aos crimes cometidos pelo seu jornal "News of the World", fechado pelo próprio Murdoch.
Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia. Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento - sem o qual não existe notícia - têm destaque, pela sua importância. Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato. Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de "Veja" estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca.
Estabelecem as Organizações Globo em um dos itens de seus Princípios Editoriais: "(...) é altamente recomendável que a relação com a fonte, por mais próxima que seja, não se transforme em relação de amizade. A lealdade do jornalista é com a notícia." E em busca da notícia o repórter não pode escolher fontes. Mas as informações que vêm delas devem ser analisadas e confirmadas, antes da publicação. E nada pode ser oferecido em troca, com a óbvia exceção do anonimato, quando necessário.
O próprio braço sindical do PT, durante a CPI de PC/Collor, abasteceu a imprensa com informações vazadas ilegalmente, a partir da quebra do sigilo bancário e fiscal de PC e outros. O "Washington Post" só pôde elucidar a invasão de um escritório democrata no conjunto Watergate porque um alto funcionário do FBI, o Garganta Profunda, repassou a seus jornalistas, ilegalmente, informações sigilosas. Só alguém de dentro do esquema do mensalão poderia denunciá-lo. Coube a Roberto Jefferson esta tarefa.
A questão é como processar as informações obtidas da fonte, a partir do interesse público que elas tenham. E não houve desmentidos das reportagens de "Veja" que irritaram alas do PT. Ao contrário, a maior parte delas resultou em atitudes firmes da presidente Dilma Rousseff, que demitiu ministros e funcionários, no que ficou conhecido no início do governo como uma faxina ética.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O meu ponto de vista.

Companheiro Humberto Costa,


Parabenizo pelo trabalho do relatório que você apresentou na Comissão de Ética do Senado onde o assunto Demostenes Torres é, sem duvida, uma das melhores peças que ja li. Seu mandato é um orgulho para todos nós do PT.

Rochinha.