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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Encontros Setoriais Nacionais do PT nos dias 28 e 29 de abril de 2012.

Companheiros(as),

Neste final de semana serão realizados vários encontros setoriais do PT para escolher as suas coordenações nacionais. Eu, como coordenador da corrente CNB "Construindo um Novo Brasil" faço um apelo aos delegados e delegadas da minha corrente e das correntes que estamos fazendo acordos de parceria para,  através do voto cumprir e honrar os compromissos, sem VACILAÇÃO!
Eleger os nossos coordenadores ou coordenadoras é condição imprescindivel para contribuir na construção dos projetos políticos e sociais do PT.
Desejo a todos militantes um bom Encontro do PT. Estou acompanhando de perto... passo a passo. Abraços.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lula é Dilma e Dilma é Lula:

A rancorosa colunista da velha midia não engole o jogo da verdade.

...

Eliane Cantanhêde
"Volta Lula" ou "fica Dilma"

BRASÍLIA - O Datafolha brindou Dilma com duas excelentes notícias: sua popularidade bate recordes, mas o eleitor quer Lula em 2014.

O motivo de comemoração pela aprovação de 64% é óbvio: nunca antes na história do Datafolha um presidente chegou a tanto nessa mesma fase de governo.

Já a festa porque a maioria (57%) prefere Lula em 2014 a ela (32%) não tem nada de óbvia, mas talvez seja até mais importante: além de governar, de ser obrigada a demitir uma penca de ministros herdados e de ter de conviver com uma CPI, Dilma tem que administrar um dado político fundamental -o ego do padrinho.

A pesquisa ajuda a acalmar a ansiedade e a espantar os fantasmas de Lula, que, nas conversas com aliados, não para de reclamar da imprensa, da oposição e da "elite". Quanto mais Dilma acerta e cresce, mais ele alimenta a paranoia de que tentam "desconstruir a sua imagem".

Lula está absolutamente convencido de que foi o melhor presidente da história da humanidade, mas os adversários (entre os quais inclui a imprensa) não reconhecem. Insistem em dizer que o mensalão existiu, que ele impôs ministros que Dilma teve de defenestrar e que seu governo foi marcado por uma alegre convivência com fichas-sujas e oligarcas.

Ele não suporta ver a sua criatura se tornando mais admirada do que o criador. Sente-se injustiçado, senão perseguido, e reage com mágoa e rancor. Seu apoio à CPI é resultado desse sentimento: "doa a quem doer", ou seja, "doa ou não em Dilma".

O Datafolha é um bálsamo para as dores de Lula, que agora pode vangloriar-se pela escolha de Dilma como sucessora e continuar sentindo-se o "mais", o "melhor", o "mais amado", o "candidato dos sonhos".

Bálsamo para Lula, alívio para Dilma, que é cheia de dedos com Lula, ouvindo-o, reverenciando-o, mantendo-o no pedestal.

O resto é questão de tempo: até 2014, o "volta Lula" deve lentamente deslizar para o "fica Dilma".



No divã da Eliane Cantanhêde
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço.
http://migre.me/8Oy6b

 

domingo, 22 de abril de 2012

Trama do mensalão

Refrescando a memória e tentando entender.

Em 2005, o então senador tucano Marconi Perillo (hoje governador de Goiás) tratou de espalhar que tinha avisado Lula sobre a existência do suposto mensalão.

A pergunta que não cala é: quem avisou Perillo sobre o mensalão?

Seria o mesmo que tramou o "caso Waldomiro Diniz", em 2004, e a derrubada do diretor do Dnit, em 2010, tudo em parceria com uma famosa revista?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Homenagem ao aniversário do Ex-prefeito Celso Daniel.

Agradeço ao companheiro Marcola Marco Aurélio por ter encaminhado esta homenagem do Prof. Giba ao Celso Daniel, e quero me associar a este movimento, sempre lembrando do companheirismo e da minha amizade, que tive durante anos junto ao ex-companheiro e saudoso amigo Celso Daniel.


Uma década de saudade: Celso Daniel (1951-2002)

Por Gilberto Alvarez Prof-Giba.


É com pesar e ao mesmo tempo com esperança que escrevo sobre Celso Daniel, esse grande administrador público. Com pesar porque é triste lembrar, mesmo depois de uma década, do seu violento assassinato. Com esperança porque tenho certeza de que seu trabalho e compromisso social deixaram um legado de ética, transparência e competência pública dentro e fora do Partido dos Trabalhadores.
Este ano, completa-se uma década saudade, e, no dia 16 de abril, Celso Daniel faria 61 anos. Antes de qualquer coisa, Celso era um ser humano com imensa sensibilidade social, preparo intelectual e apreço pelas políticas públicas que de fato mudavam a vida das pessoas.
Como prefeito de Santo André (1989-1992, 1997-2000, 2001-2002), foi um dos primeiros no Brasil que pôs em prática nosso “modo petista de governar”, e o fez com um empolgante espírito de mudança e apoio popular. Foi de Santo André uma das primeiras experiências do Orçamento Participativo, do governo comprometido com a transparência pública, da ampla abrangência dos direitos sociais e, mais importante, da (des)inversão de prioridades que mais tarde caracterizaria seus governos. Assim, Celso se tornou referência político-administrativa nacional e internacional.
Seu governo foi inegavelmente marcado por seus princípios: sua estima pela participação popular, sua capacidade de articular políticas que beneficiaram todo o conjunto da população e, o mais visível, seu espírito visionário. Celso Daniel foi um sonhador e, mais do que isso, um idealista que, como prefeito, conseguiu materializar muito de seus sonhos.
No PT, ele sempre teve o reconhecimento e a admiração dos milhares de militantes, por seu empenho como administrador e por jamais ter perdido seus referenciais petistas. Em 2000, se reelegeu com mais de 70% dos votos, marca dificilmente atingida por qualquer político, e, no fim de 2001, foi escolhido pelo então candidato Lula para coordenar o programa de governo da campanha que mais tarde alçaria o primeiro operário à presidência da República. Infelizmente, ele não teve tempo para ver Lula subir a rampa do Palácio do Planalto e se tornar o melhor presidente da história do Brasil até então. Teve sua vida interrompida por um crime bárbaro, até hoje não esclarecido pela justiça. Celso foi sequestrado após um jantar, e seu corpo, cravejado de balas, foi encontrado numa estrada próxima a Santo André.
Certamente teria orgulho dos anos que se seguiram. Com Lula e Dilma, posso acreditar que o espírito de Celso Daniel está em paz, vendo o Brasil se tornar uma potência mundial, crescendo economicamente e distribuindo renda, tirando milhões de brasileiros da pobreza, com programas sociais reconhecidos no mundo todo, uma política de habitação que faz inveja aos países desenvolvidos e investindo pesado em Educação, Ciência e Tecnologia.
É lamentável que Santo André sofra hoje com a interrupção de diversos programas e ações do governo de Celso, internacionalmente reconhecido e admirado. Santo André precisa recuperar o legado de Celso Daniel, de compromisso social com administração de qualidade – essa é a melhor maneira de homenageá-lo.
O brutal assassinato de Celso Daniel não foi uma perda apenas para o Partido dos Trabalhadores, mas um prejuízo incalculável para a administração pública brasileira e a própria democracia.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O começo da vitória.

Os encontros do PT realizados neste final de semana (14 e 15 de Abril) para a escolha dos pré-candidatos(as) a prefeitos(as) e alianças política, em algumas captais e várias cidades por todo Brasil, foi uma verdadeira demonstração de unidade política, e democracia.

domingo, 15 de abril de 2012

CPI vs. Mensalão


Reproduzo abaixo texto de Marcos Coimbra que circula pela internet neste domingo:
CPI vs. Mensalão
Por Marcos Coimbra
Semana passada, o assunto político mais importante foi a criação da CPI do Cachoeira. Só se falou dela no Congresso e na imprensa.
De acordo com o requerimento para sua instalação, a comissão mista de senadores e deputados deverá investigar as ligações de Carlos Cachoeira com “agentes públicos e privados”. Poderá, portanto, examinar as relações do bicheiro e de seu grupo com parlamentares, governos estaduais, prefeituras e empresas.
p>É uma CPI inusitada, a começar pelo fato de ter sido proposta e bancada pelos partidos governistas. Normalmente, quem insiste na criação de CPIs são as oposições, para embaraçar o governo, gerar noticiário negativo e manter o foco da mídia em temas que o desgastem.  
Não por outra razão, o governo costuma convocar seus aliados para evitá-las.
Quem correu para que a nova CPI fosse instalada foi o PT, secundado pelo PMDB. Com o apoio dos maiores partidos, a proposta queimou etapas e a comissão deve começar a funcionar na terça feira.    
Ela recebeu o endosso de Lula, o que não é pouco. Mais que apenas por cálculo partidário, o ex-presidente teria motivos pessoais para querer que fosse criada. Consta que a vê como oportunidade para acertar as contas com adversários na política e na indústria de comunicação.
Pelo pouco que se conhece, até agora, da atuação de Cachoeira, parece que, em termos ideológicos, ele se alinhava preferencialmente com as oposições, seja na política nacional, seja em Goiás. Sua intimidade com Demóstenes Torres, o paladino do combate anti-petista no Senado, é reveladora dessa inclinação.  
Assim como a ligação umbilical que mantinha com alguns órgãos de imprensa assumidamente hostis ao PT e ao governo, como a revista Veja. Os dois viveram uma longa e mutuamente recompensadora parceria.
Não que essas afinidades inibissem o comportamento empresarial de seu grupo. Pelo contrário, na hora de ganhar dinheiro, Cachoeira não olhava as diferenças entre gregos e troianos. Políticos de vários partidos surgiram nas investigações da Polícia Federal.
Para Lula e o PT, o prejuízo da CPI expor os vínculos de correligionários - incluindo o governador do Distrito Federal - com os esquemas do bicheiro deve ter sido avaliado como inferior aos benefícios que poderia gerar.
Nas oposições, a CPI não encontrou defensores entusiasmados, mas tampouco teve adversários. Vendo que era inevitável, suas lideranças não lhe colocaram entraves. 
Com isso, teremos, nos próximos meses, o assunto Cachoeira em pauta. Quanto a se a CPI será capaz de gerar novidades relevantes, só saberemos à medida que avançar.
Muitos comentaristas acham que sua criação é uma espécie de manobra diversionista do PT. Na sua opinião, ela teria sido criada fundamentalmente - ou, quem sabe, apenas - para desviar a atenção da população do julgamento do mensalão.
A suposição se assenta em duas premissas. Em primeiro lugar, que o Supremo pretende - ou tem condições técnicas - de iniciá-lo logo. Se não, porque querer instalá-la rapidamente? 
Isso, no entanto, está longe de ser certo. Pelo contrário.
A outra é que a opinião pública estará interessada no julgamento. Se não, por que seria preciso distraí-la com algum estratagema?
Não é, porém, uma hipótese provável.
Embora temido por governistas e desejado por oposicionistas, o julgamento do mensalão - quando ocorrer - não tem  os elementos que criam os fatos de opinião relevantes: surpresa, extensão e drama.
O caso é velho, seu tamanho está delimitado, perdeu a emocionalidade.
Para a opinião pública, o julgamento já aconteceu. A vasta maioria inocentou o único que a interessava: Lula. E aqueles que o culparam também já deram seu veredicto. 
Com ou sem CPI, pouca coisa muda no modo como as pessoas vão acompanhar a decisão do Supremo.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Conforme prometido ao meu sobrinho Eric Paulino estou publicando abaixo um texto técnico-científico de sua autoria, que foi selecionado para fazer parte das discussões da Conferência Mundial de Serviço Social, que ocorrerá em Estocolmo, na Suécia, de 8 a 12 de julho. Os trabalhos selecionados serão publicados no livro-programa do evento.

Leiam e façam comentários:


A INSERÇÃO DO (A) ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL: notas para uma reflexão introdutória
Resumo:
O presente ensaio objetiva discutir a atual configuração da política de Assistência Social, bem como a inserção do (a) assistente social enquanto profissional assalariado. Para tanto demonstramos a centralidade dos Programas de Transferência de Renda Condicionados no âmbito desta política e a patente dificuldade de estruturação do Sistema Único da Assistência Social.  Tal configuração tem implicações diretas na inserção do (a) assistente social na Assistência Social.

Palvras-chave: Assistente Social; Assistência Social; trabalho.

Abstract:
This  essay aims to discuss the current configuration of the politics of social assistance, as well as the social work insertion as an employed professional. For this purpose, we demonstrate the centrality of the money transfering programs which are conditioned in this politics core and the evident difficulty of structuring of social assistance. Such configuration has direct implications in the insertion of the social worker in social assistance.

Keywords: social assistance; social worker; work


1.     Assistência Social na cena contemporânea
O mecanismo assistencial marcou profundamente a configuração da política de Assistência Social brasileira. O espectro do clientelismo esteve consoante com a “função” eleitoreira que a moldou em sua origem e durante longo espaço de tempo. A Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS),aprovada em 1993, a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) em 2004 e a Norma Operacional Básica do Sistema Único da Assistência Social (NOB/SUAS) em 2005 foram marcos importantes da organização político-intitucional da área.
O SUAS, enquanto estrutura de gestão e execução da política de Assistência Social,
[...] está voltado à articulação em todo o território nacional das responsabilidades, vínculos e hierarquia, do sistema de serviços, benefícios e ações de assistência social, de caráter permanente ou eventual, executados e providos por pessoas jurídicas de direito público sob critério de universalidade e de ação em rede hierarquizada e em articulação com iniciativas da sociedade civil (COUTO, YAZBEK e RAICHELIS, 2010, p. 38).


De fato a PNAS, o SUAS configuram-se como balizas fundamentais no sentido de conferir legitimidade e institucionalidade à Assistência Social neste país. Resultam de lutas intensas que tensionam e dinamizam o formato e o lugar que ela ocupa no campo da proteção social brasileira.
Entretanto, é necessário considerar algumas determinações macroscópicas que vêm mediando a forma pela qual esses movimentos lutam e o governo direciona.
O Governo Lula, contrariando as profundas expectativas da classe trabalhadora, demonstrou certa continuidade em relação ao governo FHC. Com projetos alternativos Lula acabou por sintonizar-se com o receituário neoliberal (ANTUNES, 2005).
Ainda que tenha sido sob seu governo que se aprova a PNAS implementa-se o SUAS e consolida-se avanços importantes na área, não se pode afirmar na mesma medida que o caráter focalista e seletivo tenham sidos excluídos do formato organizacional da política de Assistência Social.
Assumindo as tendências de corte neoliberal essa política tem, cada vez mais, se consolidado sob o prisma do emergencial, do assistencial. Ao invés da universalidade, cada vez mais a seletividade.
A seletividade foi se sobrepondo à universalidade com o advento do neoliberalismo, e, paulatinamente esse conceito de seletividade atrelou-se a concepção de focalização na pobreza, amplamente difundidos pelo Banco Mundial.
Esses conceitos foram e são centrais na formatação de Programas de Transferência de Renda Condicionados (PTC), os quais a partir do final dos anos 1990 e início dos anos 2000 passam assumir centralidade na política de proteção social aos “mais vulnerabilizados”.
No Brasil, é sob o governo Lula em 2003, que há a unificação de diversos PTC no Programa Bolsa Família, cuja centralidade no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Social e combate a Fome é explícita.   
Apontamos então que: a Assistência Social assume centralidade na atual conjuntura da Seguridade Social brasileira, entretanto, o corte focalista e seletivo, que caracterizam, sobretudo, os PTC, - programas para os quais se canalizam maior volume de recursos no âmbito da Assistência Social -, tem importantes implicações.
Essa realidade caracteriza-se pela complexa relação entre o Programa Bolsa Família e o SUAS. Por um lado, investem-se amplos recursos no primeiro e por outro insuficientes no segundo.
Sposati (2006) explicita que a implantação do SUAS e o caráter massivo do Bolsa Família culminaram em dois modos de financiamento federal: fundo a fundo para os serviços sócio-assistenciais; e o benefício de transferência direta para o cidadão.
O SUAS por sua vez, sua infra-estrutura e recursos humanos, padece ainda de sucateamento e precarização, com implicações diretas sobre as condições de trabalho dos profissionais que atuam na área, inclusive os (as) assistentes sociais.
Há uma significativa desproporcionalidade entre os recursos investidos no PTC e os investidos em todos os programas e serviços do SUAS. Uma nota técnica do MDS acerca da evolução do financiamento da Assistência Social no âmbito da União elucida nossa argumentação.
Vejamos. Os dados indicam um incremento real significativo, partindo de R$ 11,2 bilhões em 2002 para R$ 35,8 bilhões em 2009 (MDS, 2010). Quando se analisa apenas os dados relativos à programas, projetos e serviços sem contabilizar os programas de transferência de renda temos um achado significativo. Os dados indicam um aumento de R$ 2 bilhões em 2004 para R$ 2,7 bilhões em 2009, configurando aumento de 35% dos recursos no exercício de 2009 em relação a 2004.
Entretanto, se pegarmos os valores relativos ao PBF veremos explicitamente aquela discrepância que ressaltávamos. No ano de 2009 foi investido nesse programa especificamente, o montante de R$ 12,7 bilhões no atendimento a 12.370.915 famílias, o que representou um aumento real de 91,6% no volume de recursos aplicados e de 88,1% no número de famílias atendidas em relação ao ano de 2004 (MDS, 2010).
Ou seja, enquanto que para todo o complexo que constitui o SUAS teve-se um aumento de 35% do ano de 2004 à 2009 na alocação de recursos, sendo que para o PBF esse valor, considerando o mesmo intervalo de tempo (2004 à 2009) foi de 91,6%.
Poderíamos considerar que também os Estados e municípios, enquanto entes federados também entram numa parcela de financiamento do SUAS, entretanto, considerando  que maior parte de nossos municípios são pobres, podemos inferir que as dificuldades de estruturação do SUAS são evidentes.
Estudo realizado em 2009, pelos Programas de Pós Graduação das PUCs de São Paulo e do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal do Maranhão sobre a realidade da Política Nacional de Assistência Social nos municípios brasileiros, também nos trazem elementos elucidativos.  A pesquisa demonstra a prevalência de financiamento dos municípios e parcos recursos por parte dos Estados (SILVA e SILVA, ARAÚJO e LIMA, 2010).
Diante dessas rápidas considerações podemos afirmar que a centralidade dos PTC no seio da Assistência Social brasileira tem em paralelo um SUAS que padece da insuficiência de recursos que permita constituir-se enquanto uma rede de proteção social básica e especial capaz de dá conta das demandas que lhe são postas.
Outra questão relevante diz respeito a política de Recursos Humanos que vem sendo consolidada na área. A Norma Operacional de Recursos Humanos do SUAS (NOB/RH – SUAS), aprovada em 2007, tem como objetivo estabelecer parâmetros de constituição para as equipes profissionais no SUAS.
Não obstante, tem-se observado a inobservância das diretrizes ali tratadas. A não realização de concurso público, bem como as contratações temporárias, o número limitado de profissionais por equipamento social, os baixos salários, as condições estruturais de trabalho, a existência de profissionais com mais de um vínculo, etc.
Essa configuração da política em questão rebate diretamente nas condições de trabalho dos (as) assistentes sociais que trabalham na área.

2.     O SUAS e a inserção do (a) assistente social como profissional assalariado
Embora sendo regulamentada como profissão liberal, o Serviço Social tem se inserido,  sócio-ocupacionalmente, de modo majoritário, nas esferas Estatais. Face a expansão de espaços de execução dos diversos programas, projetos e serviços da Assistência Social, essa política tem requerido número cada vez maior de assistentes sociais.
Antes vejamos, as determinações impostas ao assistente social pela sua condição de trabalhador (a) assalariado (a), haja visto que: “[...] o exercício da profissão é tensionado pela compra e venda da força de trabalho especializada do assistente social, enquanto trabalhador assalariado, determinante fundamental na autonomia do profissional”. (IAMAMOTO, 2009a, p. 31).
Tem-se, pois, que, a prática do assistente social será diretamente condicionada pelas demandas particulares que cada instituição impõe. Mais do que isso, seus limites de alcance serão fundamentalmente limitadas pela sua condição de trabalhador. Isto significa admitir uma relação contratual, delimitada por parâmetros racionais, que estabelecem regras a serem cumpridas, delimitando desde às demandas até a jornada de trabalho. Nos mais variados espaços sócio-ocupacionais os empregadores “[...] estabelecem as condições em que esse trabalho se realiza” (Idem). 
 Enquanto profissional que demanda determinados meios e instrumentos de trabalho, visto não possuí-los, o assistente social apenas pode concretizar seu trabalho num determinado contexto institucional. É o empregador quem dispõe desses meios e instrumentos, isto é, é ele que organiza o processo de trabalho do assistente social, conforme nos aponta Iamamoto, (2008).
Considerando que o aparato institucional de trabalho do profissional de Serviço Social tem forte prevalência no âmbito das políticas sociais, e reconhecendo as profundas transformações de que foram objeto desde a empreitada neoliberal, ligeiramente se deduz que as condições de trabalho são afetadas.    
 No cenário da Assistência Social estas mudanças vinculadas as tendências particulares da política criam um ambiente complexo em que a tensão entre o projeto profissional e o projeto institucional é uma constante.
Nos municípios brasileiros, levando em consideração os profissionais de nível superior, os (as) assistentes sociais são maioria no âmbito da PNAS, (22,3%), enquanto que psicólogos são 11% e pedagogos 5,2% (SILVA e SILVA, ARAÙJO e LIMA, 2010).
A vinculação dos (as) assistentes sociais com a política de Assistência Social é histórica, cujas aproximações se deram de formas diferenciadas nos diversos contextos sociais e diferentes momentos profissionais.
Desse modo, a expansão do SUAS, com a implementação de equipamentos sociais como os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados da Assistência Social (CREAS), tem possibilitado a inserção de número significativo de assistentes sociais, entretanto, dadas aquelas circunstâncias que apresentávamos anteriormente (centralidade dos PTC com o baixo investimento na estruturação do SUAS) e as transformações processadas na esfera do trabalho, tal inserção vem se dando através de relações cada vez mais precarizadas.

A implantação do SUAS exige novas formas de regulação e gestão do trabalho e, certamente, a ampliação do número de trabalhadores com estabilidade funcional é condição essencial, ao lado de processos continuados de formação e qualificação, a partir do ingresso via concurso público, definição de carreiras e de processos de avaliação e progressão, caracterização de perfis das equipes e dos serviços, além da remuneração compatível e segurança no trabalho (COUTO, YAZBEK e RAICHELIS 2010, p. 58)


            Assim, fica explícito quão grandiosa e desafiante para o SUAS é a necessidade de construir parâmetros e possibilidades reais de constituir, consolidar e fortalecer equipes profissionais de referência já que: 
Por ser uma área de prestação de serviços cuja mediação principal é o próprio profissional (Sposati, 2006), o trabalho da assistência social está estrategicamente apoiado no conhecimento e na formação teórica, técnica e política do seu quadro de pessoal, e nas condições institucionais de que dispõe para efetivar sua intervenção (RAICHELIS, 2010, p. 761).  

É preciso considerar, portanto, que a inserção profissional dos (as) assistentes sociais no âmbito do SUAS, ainda que se constitua num saldo significativo para a profissão, precisa ser objeto de debate e luta. 


Considerações Finais
As reflexões aqui brevemente desenvolvidas permitem compreender que a assistência social assume centralidade na Seguridade Social brasileira, entretanto há fortes tendências à focalização e seletividade. O SUAS configura-se  como marco fundamental na regulamentação da área, entretanto padece de notórias dificuldades já que há uma profunda discrepância entre recursos direcionados aos Programas de Transferência de Renda e aqueles investidos no SUAS.
Os (as) assistentes sociais são cada vez mais requisitados a atuar nesta área, haja visto a expansão dos diversos equipamentos sociais que compõe a estrutura do SUAS. Entretanto, essa inserção é balizada pelas determinações mais amplas da sociedade, sobretudo pela configuração assumida pelas políticas sociais e pelas transformações no mundo do trabalho, já que a inserção do (a) profissional de Serviço Social se dá pelo estatuto assalariado.

Referências
ANTUNES. R. A desertificação neoliberal no Brasil: Color, FHC e Lula. 2. ed. São Paulo: Autores Associados, 2005. 
BRASIL. Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) 1993. Brasília: Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome, 2004.
BRASIL. Norma Operacional Básica (NOB/SUAS) 2005. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2005.  
BRASIL. Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único da Assistência Social – NOB-RH/SUAS 2007. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 
BRASIL. Política Nacional de Assistência Social (PNAS) 2004. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2005.
COUTO, B. R; YAZBEK, M. C. e RAICHELIS, R. A Política Nacional de Assistência Social e o SUAS: apresentando e problematizando fundamentos e conceitos. In: O Sistema Único de Assistência Social no Brasil: uma realidade em movimento. Berenice Rojas Couto (et al. ORGs). São Paulo: Cortez, 2010.
IAMAMOTO, M. V. O Serviço Social na cena contemporânea. Especialização à Distância para Assistentes Sociais. Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS; CEAD/UNB, 2009.
_________. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
Ministério do Desenvolvimento Social e combate a Fome. Nota técnica sobre Financiamento da Assistência Social no Brasil. Dezembro de 2010. Disponível em: http://www.mds.gov.br/gestaodainformacao/biblioteca/secretaria-nacional-de-assistencia-social-snas/guias/folder.2011-03-24.5945822549/news_item.2011-03-24.7533939336. Acesso em: 02 de março de 2011.
RAICHELIS, R. Intervenção profissional do assistente social e as condições de trabalho no Suas. In: Revista Serviço Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, 2010. N 104. P.750 à 752.
SILVA e SILVA, M. O. ; ARAÙJO, C. C. e LIMA, V. F. S. Implantação, implementação e condições de funcionamento do SUAS nos municípios. In: O Sistema Único de Assistência Social no Brasil: uma realidade em movimento. Berenice Rojas Couto (et al. ORGs). São Paulo: Cortez, 2010.
SPOSATI, A. O primeiro ano do Sistema Único de Assistência Social. In: Revista Serviço Social e Sociedade nº 87. São Paulo: Cortez, 2006. p. 96-122.



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Estão com medo do quê?


Uma semana atrás postei na rede social a seguinte frase: “Papagaio come milho, periquito leva fama”. E logo embaixo disse que a previsão era de que “a onça iria beber água”. Recebi inúmeras manifestações questionando por que motivo eu tinha usado essas expressões. Obviamente, eu não tinha a intenção de dizer nada. Tratava-se somente de uma provocação para despertar a mente para a atual conjuntura.

Hoje, o jornal O Globo traz em sua manchete a senha para decifrar minhas frases soltas: “PT quer abafar mensalão com a CPI do Cachoeira”, afirma o jornal.

A grande mídia quer requentar o “mensalão” e transformá-lo novamente em escândalo nacional, ainda mais agora, que o caldo começa a entornar para o lado dela.

É sempre necessário recordar qual foi o comportamento dos meios de comunicação no último debate presidencial das eleições de 1989, na famosa disputa entre Lula e Fernando Collor. Isso é o que eu chamo de “informar desinformando”.

Outro episódio pitoresco foi o sequestro do empresário Abílio Diniz, no bojo da mesma campanha eleitoral, quando o PT foi injustamente envolvido no assunto. Na época forçaram os seqüestradores presos a posarem para fotos vestindo camisetas do PT.

Os exemplos, de lá pra cá, se multiplicaram. Basta lembrar do episódio da bolinha de papel nas eleições de 2010.

Eu gostaria de saber qual é a preocupação da mídia com a instalação de uma CPMI para investigar os tentáculos do bicheiro Cachoeira. Estão com medo do quê?

A mídia e a “oposição” passaram esses anos todos pedindo CPI para tudo – sempre em nome da ética, da moral e dos bons costumes na política. Agora está evidente que, para eles, a investigação só vale quando os alvos são o PT e os governos do PT. Agora querem desqualificar a CPI, dizer que é vingança do PT, que o PT que “melar” o julgamento do “mensalão” etc.

Isso par mim tem um nome: desespero.

Mas fiquem tranqüilos. Não é do interesse da bancada do PT ou da base aliada transformar essa CPMI em um balcão de fomento de escândalos, como eles gostam de fazer. Nem queremos melar nada. Queremos, sim, trazer a verdade à tona.

Uma coisa são os fatos; outra, são as versões. Existe um fato concreto que são os malfeitos cometidos por um senador da República, que se comportava como um personagem na tribuna e transformava-se em outro ao descer o último degrau da mesma. Recordo-me, inclusive, do comportamento desse senador quando esbravejava contra o nosso saudoso companheiro, então presidente da Infraero, senador Carlos Wilson. Naquela época já nos seus últimos dias de vida, acometido pelo câncer, Carlos Wilson era atacado sem nenhuma complacência pelo “paladino da ética e da moral”. Talvez com um trabalho minucioso da CPMI, nós possamos saber quais as verdadeiras razões da fúria do Senador/Cachoeira em relação ao então presidente da Infraero.

Imaginem se esses fatos mais recentes – dos “mensalões” do PFL e do PSDB ás conexões Cachoeira/Demóstenes/Perillo – tivessem ocorrido com integrantes do PT ou da base aliada... É possível que, para a mídia, o pedido de impeachment fosse pouco. Talvez pedissem a queda da própria República.

Esta mesma mídia, que fomenta versões e esconde fatos, não foi capaz de levar aos seus leitores e assinantes um assunto que estava engavetado/adormecido desde 2009 – talvez porque não quisesse ver seus aliados (os partidos de oposição) chafurdando na lama às vésperas das eleições de 2010.

Daí a importância da regulamentação da mídia.

Lamento sinceramente que alguns petistas com função pública, institucional ou de direção passem perto de algumas ervas daninhas, sejam elas do meio político, social ou de comunicação.


Ainda sobre “mensalão”, nós, do PT, temos todo o interesse de que ele seja julgado o mais breve possível. Sabemos que os jornalões estão ansiosos para isso aconteça porque nos últimos tempos não estão tendo, da parte do PT e do governo, condições de procurar “chifre em cabeça de cavalo” – e esta pode ser a oportunidade de transformar tal assunto batido e rebatido em um escândalo nacional durante alguns dias.

Na minha opinião, a população brasileira já está vacinada em relação ao comportamento dos hipócritas contra o governo e o PT.

Portanto, que a verdade venha à tona. Aí sim, a onça irá beber água!

Francisco Rocha da Silva (Rochinha), coordenador da Comissão de Ética do Diretório Nacional do PT.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Presidente não se sustenta só com luta contra corrupção"- Valor Econômico

Argelina compara Brasil e Argentina: "Aqui se combina tudo, se concilia tudo, A limpeza ética praticada pela presidente Dilma Rousseff, desde que no ano passado começou a demitir ministros acusados de "malfeitos", associada ao recente desafio de domar aliados rebeldes no Congresso elevaram sua popularidade a nível recorde. Pesquisa CNI/Ibope divulgada na quarta-feira mostrou que a presidente é aprovada por 77% da população. Para a cientista política Argelina Figueiredo, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no entanto, Dilma Rousseff precisa "ir devagar com o andor" em sua cruzada. "Ela não pode fazer muito depressa", diz a pesquisadora, especialista no estudo das relações entre Executivo e Legislativo. "Nenhum presidente se garante só com uma bandeira anticorrupção", constata.
Argelina lembra que no presidencialismo um chefe de governo tem mais condições de se arriscar, mas Dilma precisa ter o cuidado de não entrar em rota de colisão com o Congresso. Deve se dedicar menos à gestão e mais à política. Em sua avaliação, a presidente, apesar de ter provocado uma turbulência com a troca de comando dos líderes do governo na Câmara e no Senado, de fato estaria tendo a cautela necessária - "não está botando para quebrar".
Por outro lado, pondera Argelina, as ameaças dos parlamentares nem sempre correspondem ao volume do alarido. Eles gritam muito, para ganhar alguma coisa, como já ocorria no governo Fernando Henrique Cardoso. A chantagem existe. Contudo não envolve só cargos e emendas parlamentares, mas também políticas públicas e interesses, como na votação do Código Florestal. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por Argelina Figueiredo ao Valor:
"Política não é necessariamente gogó, como Lula. Não pode gritar, humilhar. Mas não precisa pedir mil licenças"
Valor: Até que ponto o comportamento da presidente Dilma, de moralizar as relações políticas, é jogo para a plateia?
Argelina Figueiredo: Acho que ela está tentando fazer isso [moralizar] e está dizendo que vai fazer. Mas ela não pode fazer muito depressa. Porque se não vai ter a colisão. E colisão não é bom para nenhum dos dois lados. Se estão em jogo benefícios, emenda parlamentar, cargos etc, também estão em jogo políticas. Você não pode deixar de ver. A base da chantagem é: eu não vou votar com essa política. Vai dizer que o Código Florestal é pura chantagem e que não tem interesse nenhum?
Valor: O PAC tenta aplacar os problemas de infraestrutura no país, mas seu ritmo é muito lento. Essa poderia ser uma marca do governo Dilma, depois da conquista da estabilidade econômica com Fernando Henrique Cardoso e do avanço social com Lula. Diante do cenário de crise, Dilma encontrou na bandeira da moralização política uma saída para se distinguir de antecessores?
Argelina: Pode ser que ela esteja procurando o seu lugar. A erradicação da miséria é um aprofundamento da agenda do Lula e para nenhum presidente seria legal ser lembrado por ter consolidado um governo anterior. Pode vir a dar certo. Isso tem apelo grande para a classe média.
Valor: Que conselhos você daria para a Dilma?
Argelina: Devagar com o andor. E que é superimportante gestão pública, mas a presidenta não precisa estar diretamente envolvida na questão, que ela ache outra Dilma. O Abelardo Jurema [(1914-1999) ex-deputado federal, ex-senador e ex-ministro da Justiça de João Goulart] disse que o que faltou ao Jango foi um Jango no Ministério do Trabalho. Porque o [presidente] Juscelino [Kubitschek] teve maior estabilidade porque tinha o Jango no Ministério do Trabalho, por exemplo quando foi tentar implementar o Plano Trienal. Ele precisava ter um Jango que lidasse com o movimento sindical, de tal forma que ele não ficasse radicalizado. Então, a Dilma que arranje uma Dilma, que ela não vá para a gestão e fique na política.
Valor: Mas ela tem gosto ou habilidade?
Argelina: Política não é necessariamente gogó, que nem o Lula. Não pode gritar, nem humilhar as pessoas. Mas não precisa pedir mil licenças. Tem que ter uma atitude política. Saber que com político você tem que lidar politicamente e não administrativamente. Exigir eficiência é bom, e tem que ser feito, é parte da tarefa da presidente. Outra coisa é que nenhum presidente se garante só com uma bandeira anticorrupção. Tem que ter um apelo político.
Valor: Ela parece confiar essencialmente no apoio da opinião pública. É suficiente?
Argelina: Isso é pouco. Um presidente não se sustenta apenas com a luta contra a corrupção. Nem a oposição conseguiu se sustentar. Eu tenho a opinião - diferentemente das pessoas, naquele momento do mensalão e na eleição do Lula em 2006, que diziam que o brasileiro não se preocupava com corrupção - de que esta não é uma boa avaliação daquele período. Não é tolerância com corrupção isso. É simplesmente que corrupção não é a primeira preocupação. Mas você tinha combate. Nunca se viu tanta gente de classe alta ser presa como no primeiro governo Lula, e no segundo também. A Polícia Federal nunca teve liberdade de ação de prender quem ela achasse que devesse. A tolerância do Judiciário com a classe mais alta é conhecida da população. Por isso, a denúncia não pegou. Com o [ex-presidente Fernando] Collor, tanto o Congresso quanto a população se rebelaram.
Valor: De que modo o impeachment do Collor, em 1992, incentivou os presidentes seguintes a formarem sempre governos supermajoritários?
"[A hegemonia do partido presidencial] Não foi diferente no [governo] Fernando Henrique, só era mais sutil"
Argelina: O presidencialismo de coalizão é uma prática antiga do país. E as coalizões supermajoritárias já existiam na República de 1946. A média de cadeiras da base de apoio era maior do que hoje - e naquela época não havia reforma constitucional. Esta supermaioria dá ao governo flexibilidade. O governo ganha [a votação] e permite aos partidos que eles atendam às suas necessidades, como a do voto pessoal, de alguns parlamentares.
Valor: O PDT votou contra o governo em projetos que são muito caros à sua base eleitoral, parte dela ligada ao sindicalismo, como no salário mínimo e na Funpresp. Este seria um exemplo de que a turbulência na base aliada é mais complexa do que a demanda por cargos?
Argelina: Lógico. E isso tudo é confundido com chantagem à presidente. Na verdade, o partido tem a política geral, que seus integrantes apoiam, e o deputado tem que ter uma certa liberdade. E isso é um aspecto que explica por que há uma coalizão tão grande no Brasil. Há uma diferença entre presidencialismo e parlamentarismo. No presidencialismo, como você sabe que a vitória numa votação não é tão importante em termos de possibilidade de um voto de não confiança, o presidente pode se arriscar um pouco mais. Se o presidente tem uma coalizão relativamente grande, ele pode permitir que certos deputados votem contra o governo, porque eles precisam manter o nome em suas bases eleitorais. O Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que é um cara com base nos aposentados, não pode votar contra aposentado. Agora, isso está relacionado, claro, a quanto o deputado depende ou não do partido para ser eleito. Um deputado que não tem muito voto pessoal não pode fazer isso. Vai ter que ir contra a base dele.
Valor: É o jeito de lidar com um sistema no qual os parlamentares devem seu mandato tanto ao voto pessoal quanto ao partido?
Argelina: A grande característica no conjunto de instituições que se tem no Brasil, principalmente quanto ao sistema eleitoral, sempre defendo isso, é que você pode combinar as duas coisas. A rigor, qualquer coisa que se compare Brasil com Argentina, por exemplo, aqui se combina tudo, se concilia tudo, enquanto na Argentina, você vai pro pau. Em tudo. No Brasil, você mudou de monarquia para República e se mantiveram os membros do Judiciário. Na Argentina, dentro de um governo, há uma mudança radical.
Valor: É uma vantagem para o Brasil?
Argelina: Eu acho que sim. A política está no meio. O centro é o grande fator de estabilidade. Por que você teve a queda [do regime democrático] em 1964? O centro se rompeu. Você teve uma radicalização que foi o principal fator que levou ao golpe. Se você mantém o centro, sem mudar a política, não é bom, óbvio. Mas mudando... Acho que o que as pessoas não veem no Brasil é isso: o quanto o Brasil mudou de 1989 ou de 1985 para cá, em todos os indicadores.
Valor: A política contribuiu?
Argelina: Só pode ter contribuído. Pelo menos não foi obstáculo, como todo mundo dizia. As instituições políticas eram obstáculo para o combate à inflação; para o poder excessivo e a gastança dos Estados; para a distribuição de renda. Foi se derrubando, um a um, tudo. A educação melhorou, quer dizer, piorou porque houve uma inclusão total. O Brasil ficou de 1960 até 1980 praticamente com a mesma porcentagem de alunos em idade escolar no ensino médio. Quem começou a mudar foi o governo Fernando Henrique e, depois, se ampliou muito.
Valor: Seria difícil governar sem o PMDB?
Argelina: Por que o PMDB é um partido fundamental para qualquer governo de coalizão? Exatamente por ele ser um partido de centro e aceitar governos tanto de direita quanto de esquerda. É assim no mundo todo.
Valor: Isso é funcional para o sistema?
Argelina: É funcional e importante para a governabilidade. Todo governo entra querendo pegar o apoio do partido de centro. As pessoas não gostam de falar de ideologia no Brasil. E esse é um ponto que eu queria introduzir. Tem ideologia no sentido de que os partidos se distinguem pelas políticas que eles querem implementar, que eles falam para os seus eleitores. Porque o partido, por mais fisiológico que ele seja, na hora de se eleger ele não vai dizer o que um deputado disse: "Me eleja porque eu quero me locupletar". O cara pode fazer isso, mas o partido não pode. Precisa dizer algo que passe pelo eleitorado. Ele cria uma reputação em torno de algumas questões.
Valor: E qual é a do PMDB?
Argelina: O PMDB é o partido que tem garantido de uma maneira geral uma situação melhor, por exemplo, de salário mínimo, política social. É o partido da redemocratização que quer melhorar a situação do povo brasileiro. Ele passa isso. E ele faz, se você analisar o que eles apoiam dentro do Orçamento. Eles apoiam distribuição de recursos automáticos. O que todos os economistas desde o governo Collor vêm dizendo é que não se pode engessar o Orçamento. E o Congresso engessa. A situação econômica engessa de um lado e o Congresso de outro, garantindo dinheiro para políticas sociais, e para melhora do salário mínimo também. E com isso - e este é o ponto mais importante - quando o Congresso decide que o salário mínimo vai ser aumentado, ele decide depois que o governo manda o Orçamento e, portanto, ele tem que fazer um ajuste nas despesas de custeio, de pessoal, de Previdência, tudo isso é garantido uma parte constitucionalmente e outra parte legalmente. Quando ele faz isso, de onde sai, ou seja, onde ele perde? Em investimento, nas emendas parlamentares, porque o governo historicamente sempre executou menos as emendas individuais. Então você não acha que ele vai fazer isso [dar aumento de salário, por exemplo] sabendo que vai perder dinheiro? Sabe que está perdendo. E o PMDB sempre participou da coalizão que apoiou isso.
Valor: Mas a retenção das emendas individuais pelo Executivo sempre aparece como um dos motivos principais da insatisfação da base no Congresso.
Argelina: A base tem que falar muito mais, tem que expressar muito mais insatisfação para ter um pouco. Então, uma parte dessa insatisfação é versão. Uma coisa é fato, outra coisa é versão. Os analistas e cientistas políticos trabalham muito com versão. Eles [os parlamentares] gritam muito, e a gente não pode tomar essa gritaria pelo seu valor à primeira vista. Ela é maior. Isso já acontecia com Fernando Henrique.
Valor: Não há insatisfação?
Argelina: O que eu acho que a Dilma está fazendo agora? Botando limite. Ela tem que tomar cuidado. Como você disse, se ela estabelecer uma espécie de presidencialismo de colisão, vai por água abaixo. E uma outra coisa é que não há presidente gestor. O presidente é político. Ele tem que delegar a gestão, dar as linhas gerais, delegar, cobrar etc, mas tem que ter uma atuação política.
Valor: Mas Dilma não está rebaixando muito o caráter político da Presidência?
Argelina: Eu achava que com a saída dos dois líderes [do governo, na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR)], daquele jeito, ela estaria [rebaixando], como se dissesse: "Vou botar para quebrar". Mas não está parecendo que ela vai botar para quebrar. O que ela mostrou foi: "Aqui não dá para o PMDB fazer chantagem deste jeito". Ela vai enfrentar daqui a pouco o Jucá na Comissão de Orçamento, mas vai enfrentar de outra maneira. Vai ter tempo dele abaixar um pouco a crista. Dizem que ela é centralizadora, que quer saber de tudo, mas de toda maneira parece que agora ela está botando um limite aí, no comportamento político. O [novo líder do governo no Senado] Eduardo Braga (PMDB-AM), em uma entrevista, foi muito político ao dizer que o PMDB é um partido importante mas que está na hora de inaugurar novas práticas para o país. Nesse ponto, ele tem uma certa razão. O país está num crescendo, consolidando práticas políticas, e agora está na hora, porque a presidente tem o apoio da sociedade para isso.
Valor: Por que Lula não fez isso?
Argelina: O Lula abriu o caminho. A minha impressão é que ele combateu a corrupção por outro canal, entrou por uma coisa mais institucionalizada: Controladoria-Geral da União (CGU), Polícia Federal... A classe política brasileira apresentou um desafio ao Lula com o mensalão. Não se trata de falar se houve ou não houve. Óbvio que o partido não precisava comprar o presidente da Câmara que era do PT [João Paulo Cunha] para votar com o partido. Mas ele ]Lula] viu o que teria que enfrentar. O que os partidos fizeram? Vamos abaixar a crista do PT. E isso tem a ver com ideologia, para quem você quer governar.
Valor: Mas essa é uma ideia inversa à difundida: a de que foi o PT que procurou os partidos e parlamentares para comprar apoio.
Argelina: Ele fez isso, mas você acha que o PSDB não fez? Só que o PSDB não ameaçou os partidos. Não ameaçou nada. Eu sempre dou o exemplo do PMDB no Ministério dos Transportes, que foi um feudo controlado durante os oito anos do governo Fernando Henrique. E controlou a sub-relatoria da comissão de Transportes. O dinheiro de transportes, que era um terço dos investimentos do Brasil, foi controlado pelo PMDB de cima a baixo e a gente viu como as estradas acabaram no governo Fernando Henrique. Elas eram nada, continuam ruins, mas eram muito piores.
Valor: Além de cargos, o PMDB reivindica ao PT maior participação nas tomadas de decisão do governo. É natural que o partido presidencial ou do primeiro-ministro centralize o comando ou a queixa procede?
Argelina: A proporcionalidade entre ministério e número de cadeiras é bastante seguida nos governos de coalizão parlamentaristas. No presidencialismo, não é. Por causa da eleição direta no presidente, ele tende a ter esse papel mais importante da agenda do governo. Isso não foi diferente no Fernando Henrique, só que era feito de uma maneira mais sutil. Todo mundo falava e tem até um artigo da [socióloga e professora da FGV e da USP] Maria Rita Loureiro que mostra que a forma de Fernando Henrique controlar os ministérios era botar secretário-executivo do PSDB.
Valor: É uma estratégia semelhante à utilizada pela Dilma hoje...
Argelina: Pois é, não é uma anomalia. E era considerada uma coisa positiva porque dessa maneira o presidente conseguia uma unidade maior na política.
Valor: As emendas parlamentares deveriam ser impositivas?
Argelina: Eu sou a favor de ser obrigatória. E eu sempre digo que é um canal interessante de informação para o governo. Como o parlamentar está em contato com suas bases, ele sabe o que é necessário. Não vai dar uma coisa inútil. É um modo eficiente de distribuir recursos pelo qual o governo detém informação. De outra maneira, você teria que fazer um estudo muito detalhado da situação no país inteiro, o que representaria um gasto enorme, e seria algo meio tecnocrático. Talvez pudesse ser feito pelo deputado estadual, e não o federal.

Fonte: Jornal valor econômico de Segunda feira 9 de abril 2012.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Noticia publicada pelo jornal O Globo.

Haddad anuncia coordenador de sua campanha à prefeitura de SP
Vereador Antonio Donato, ex-secretário na gestão Marta Suplicy, vai ocupar o posto


SÃO PAULO - O vereador Antonio Donato será o coordenador geral da campanha do ex-ministro Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo. O anúncio foi feito pelo próprio pré-candidato na tarde desta segunda-feira e coloca fim a uma disputa entre grupos do partido pelo posto.
Presidente do Diretório Municipal do PT, Donato foi secretário das subprefeituras na gestão Marta Suplicy (2001-2004) e está em seu segundo mandato de vereador na capital paulista.
- O nome dele se firmou como uma pessoa sóbria, que quer o bem do partido, que coloca os interesses coletivos acima dos interesses individuais – afirmou Haddad, ao fazer o anúncio, durante visita à periferia da região Leste da cidade.
A decisão do pré-candidato foi tomada depois da reunião do conselho político da candidatura no último sábado. Até então, uma ala da CNB, a corrente majoritária no PT nacional, reivindicava dividir a coordenação com Donato, que é da tendência Novo Rumo, predominante em São Paulo. Mas no encontro, lideranças da CNB, como o deputado federal Ricardo Berzoini, defenderam a escolha de Donato para o posto.
Coordenador nacional da CNB, Francisco Rocha, o Rochinha, disse não ver problema na indicação de Donato.
- Quem tem de decidir o nome do coordenador é o candidato. Se for o Donato que Haddad escolher, não é problema nenhum- disse Rochinha.
De acordo com o dirigente petista, Haddad havia indicado, no primeiro momento, uma coordenação compartilhada entre Donato e o deputado Ricardo Berzoini, que pertence à CNB. Berzoini teria declinado do convite por questões familiares e, principalmente, por presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, segundo Rochinha.
O deputado federal Vicente Cândido, também da CNB, reivindicava a coordenação, mas seu nome enfrentava resistências. Ele é apontado pelos petistas mais próximos de Haddad como responsável por propagar a divisão interna do PT para ganhar espaço no comando da candidatura.
- Na verdade, o partido sempre esteve unido – afirmou Haddad.
Nos bastidores, os petistas admitem que o papel principal de dar as diretrizes da campanha petista em São Paulo caberá ao ex-presidente Lula, mentor e responsável por viabilizar a candidatura de Haddad.
O pré-candidato petista também anunciou que o deputado federal José de Filippi Júnior, que foi tesoureiro das campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010), será o coordenador da área de infra-estrutura do programa de governo. Haverá também um coordenador, ainda não definido, da área social.
Com os anúncios, resta apenas a nomeação do tesoureiro da campanha. De acordo com o candidato, essa definição só ocorrerá em julho. Os deputados federais Paulo Teixeira, ex-líder do PT na Câmara, e Candido Vaccarezza, ex-líder do governo, devem ajudar na coordenação da campanha.


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