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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um olhar sobre 2012


Ressaltar a importância da unidade partidária para homens e mulheres que militam num partido político, ainda mais em um partido como PT, deveria ser desnecessário. Em nossa história de 32 anos, são inúmeros os exemplos dos prejuízos que sofremos nas ocasiões em que entramos divididos numa disputa. A força que o PT tem na sociedade brasileira – por suas ideias, seus compromissos, sua história, suas lutas e seus governos – vale muito pouco nas ruas (e nas urnas) quando não conseguimos nos acertar dentro casa.

Infelizmente, sobretudo quando se aproximam os períodos eleitorais, algumas lideranças, com larga experiência política e administrativa, adquirem a incrível capacidade de ignorar esse pilar básico da política.

O PT é um partido extremamente democrático, onde todas as principais questões são debatidas, encaminhadas e votadas na base, o que inclui a definição de candidaturas para as eleições regulares. A disputa interna é tão legítima quanto saudável, porque ajuda a oxigenar o partido. Mas há limites. Ela não pode comprometer o projeto coletivo nem atender a interesses exclusivamente pessoais.

Não faz sentido, como ocorre em algumas cidades hoje, termos dois ou três pré-candidatos se engalfinhando publicamente, às vezes da mesma corrente, quando todos juntos não chegam, na maioria dos casos, a 10% da preferência do eleitorado.

Em outros locais, e não são poucos, assistimos a situações absurdas em que o prefeito do PT e o Diretório Municipal não conseguem estabelecer um nível mínimo de diálogo e de compreensão do jogo político – o que acaba comprometendo tanto a administração quanto o partido. Aí ocorrem dois problemas graves. De um lado, estão militantes e dirigentes petistas que se consideram donos da gestão, impondo nomes aos prefeitos e desconsiderando que um bom governo também se faz com alianças na política e com respeito à correlação de forças na sociedade. De outro lado, estão prefeitos que, depois de eleitos ou no decorrer do mandato, simplesmente viram às costas ao PT e ao programa do partido, desrespeitando, em última análise, a vontade soberana do eleitor.

Nesse contexto, lamento profundamente as administrações petistas que encerram agora seu segundo mandato e, depois de oito anos, não conseguiram construir nomes do partido para dar continuidade à gestão.

Ninguém ganha nada com esse comportamento, a não ser, claro, nossos adversários – que também tem sua força, suas manhas e suas artimanhas.

Não é por outro motivo que, no plano nacional e nas cidades onde somos fortes, a oposição e seus aliados na grande imprensa trabalham incansavelmente, noite e dia, para alimentar a cizânia entre nós. E é triste constatar que alguns petistas se entregam de peito aberto a esse jogo, sem se dar conta de quanto suicida ele é, não só para o PT e nosso projeto maior, mas muitas vezes para as próprias ambições de quem o pratica.

Da mesma maneira, é importante manter a boa convivência com os companheiros da base aliada do governo Dilma. Repito: o PT tem projeto nacional e não pode ficar refém de caciques e interesses regionais menores.

Sair fortalecido das eleições de 2012 é condição fundamental para um bom desempenho em 2014 e para a continuidade do processo de mudanças iniciado por Lula em 2003.

Aliás, ao invés de nos perdermos em disputas internas que não levam a lugar algum, deveríamos ocupar nosso tempo e nossa capacidade política para formular programas de governo que inovem na política local e que fortaleçam as parcerias com as grandes ações do governo da presidenta Dilma em cada município.

Já passamos dos 30. Está na hora de ter maturidade e humildade para entender os limites de nossa ação política e priorizar os objetivos maiores do partido e do país.

Francisco Rocha (Rochinha)

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