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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PT: tempos de renovação

Publico abaixo a entrevista que concedi à reporter Tatiana Carlotti, do Blog do Zé Dirceu, durante o 2º Congresso da Juventude do PT, que aconteceu em Brasília entre os dias 12 e 15 de novembro:

A luta por maior participação dentro do PT sempre foi uma bandeira – mais do que legítima - da nossa juventude. Em setembro deste ano, durante o IV Congresso Nacional do partido, uma emenda apresentada por Francisco Rocha, o Rochinha, dirigente nacional e coordenador da Construindo um Novo Brasil (CNB), atendeu a essa reivindicação dos nossos jovens por mais espaço nos quadros da legenda.

Conhecida como “emenda Rochinha”, a proposta foi aprovada e tornou obrigatória a cota de 20% de jovens nas instâncias partidárias. Durante o II Congresso da JPT, encerrado no 15 de novembro, Rochinha concedeu uma entrevista exclusiva a este blog para explicar a importância da renovação para a vida partidária.

Que motivos te levaram a apresentar a emenda que amplia a participação da juventude no partido?


[ Rochinha ]  Após muitos anos na direção do partido, passando por diferentes etapas em vários órgãos do PT, eu não poderia chegar aos 60 anos, sem cumprir com minha responsabilidade de fazer com que o partido aproveitasse o momento dessa segunda geração de militantes. E, também, que por meio de seu estatuto – responsável pelas regras de formação das instâncias partidárias – garantisse, de fato, um percentual de representatividade da juventude, no puro sentido de sua idade.

Os jovens estão prontos para esse desafio?

[ Rochinha ] Se a justiça eleitoral já lhes dá o direito de votar aos 16 anos, eles não só têm o direito, mas a obrigação de fazer parte da direção do seu partido. Lógico que esse jovem precisa ter um período de preparo para estar à frente dessa grande responsabilidade. Outro ponto é que, hoje, com os avanços dos meios de comunicação e, também, diante da participação efetiva de vários setores - das mulheres, negros, índios, entre outros - sobretudo, depois dos oito anos do governo do presidente Lula, estava mais do que na hora de o PT fazer, também, sua renovação pelo estatuto partidário.

A partir da medida, como você imagina o PT no futuro?

[ Rochinha ]  Se tivermos unidade, com certeza, na preparação e gestão do próximo Processo de Eleições Diretas (PED),  contaremos, no mínimo, 16 jovens. E assim será nos demais PEDs. Daqui para frente, o partido, em sua grande maioria, estará formado por militantes na faixa dos 40 aos 45 anos, jovens ainda. Teremos, portanto, uma profunda renovação em um PT que realmente veio para renovar. E isso serve de exemplo para os demais partidos do país e para o mundo inteiro.

Quanto à formação desses jovens, como você avalia esse processo?

[ Rochinha ] A formação é outro grande desafio do PT. E, não é de hoje. Sobretudo, a formação política. Ela é um processo que precisa se adequar à realidade. Não é só a formação do ponto de vista da ideologia, mas formação em termos de companheirismo, de participação efetiva e não só do filiado exclusivamente, mas uma formação que abarque vários setores e que extrapole a militância petista.

Hoje, a participação da juventude na direção do partido vai fazer com que esse processo de formação vá além da seara partidária. Tenho dito isso todo o tempo, inclusive escrevi um artigo (leia). É preciso que a juventude do PT saia a campo. Que não fique focada simplesmente nos centros acadêmicos. Que os jovens petistas entrem na discussão junto com o jovem operariado nas fábricas, bancários, comerciários, faxineiros, enfim, ao lado de todos os que estão na faixa de 16 a 29 anos de idade.

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