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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A juventude do PT e o futuro do Brasil


Em três décadas de existência, o PT tem demonstrado vitalidade para enfrentar e superar os desafios que se colocam diante do partido, seja na organização interna, seja no contexto maior da construção da democracia no país.

Estamos agora diante do desafio da renovação, da abertura para as novas gerações. Por mais importantes que tenham sido e ainda sejam aqueles que, como eu, estão nessa briga desde o início, não se pode negar o fato de que as pessoas (e às vezes também as ideias) envelhecem.

Bandeiras e convicções históricas, aquelas que nos identificam e fortalecem, devem sempre ser reafirmadas. Mas é preciso investir em novos quadros, descobrir novas perspectivas, apostar em novos sonhos, trazer efetivamente ao debate quem está chegando agora, para que o partido, este sim, não envelheça, para que continue antenado com os anseios da sociedade brasileira, uma sociedade em permanente transformação, sobretudo após os oito anos de governo no presidente Lula.

Nosso 4º congresso extraordinário, realizado em setembro, mostrou que o conjunto do PT, de suas lideranças e de suas bases, está consciente deste desafio, aprovando reformas internas que, para a realidade política brasileira, podem ser consideradas revolucionárias. A principal delas, em minha opinião, foi o estabelecimento da chamada cota geracional para as instâncias decisórias do partido – o que garantiu a participação de 20% de jovens entre 16 e 29 anos em todos os níveis de direção.

Um grande avanço. Mas este é um desafio de mão dupla, porque passa também pelo amadurecimento político de uma garota que, até aqui, tem gasto energia excessiva em disputas horizontais, dentro dos espaços próprios da juventude, principalmente, como não poderia deixar de ser, no movimento estudantil.

É hora de os jovens do PT começarem a alargar seus horizontes –para conduzir o partido de fato e também para ampliar o diálogo com parcelas importantes da juventude brasileiraque se identificam com nosso projeto geral, mas não se reconhecem no dia-a-dia da militância partidária ou da intervenção política organizada. Entre estes estão os trabalhadores das fábricas, do comércio e do campo, ligados ou não a entidades como CUT, Contag,Fetraf, MST e outros.

Com grande satisfação, vejo que esse movimento já começa a acontecer. Três meses depois do congresso do partido e às vésperas do 2º Congresso da JPT, que vai definir a nova direção da secretaria, os jovens da corrente que ajudo a organizar, a CNB, deram uma grande prova de amadurecimento político ao escolher seu candidato por consenso, após um longo processo de debate, diálogo e, sobretudo, respeito entre as pessoas e grupos em disputa.

Numa democracia amadurecida, é essencial que os atores reconheçam a legitimidade dos diferentes interesses em jogo. Dentro do mesmo campo político (como é o caso de todos os que militam no PT), o ideal é que se busque sempre o máximo de consenso, fortalecendo a unidade e guardandoas energias para queimá-lasno embate maior com as demais forças sociais e políticas do país.

Faço votos para que, durante o 2º congresso da JPT, que começa no sábado, dia 12, todasas correntes internas do partido e seus delegados, eleitos democraticamente nas bases, caminhem no sentido de um amplo entendimento, de maneira que a juventude do PT saia do processo ainda mais fortalecida, em condições de dar conta do desafio histórico colocado diante dela, qual seja: tomar o leme do partido, segurá-lo com firmeza e trabalhar para que o Brasil siga avançando no rumo iniciado por aqueles que, como eu, daqui a pouco estarão se aposentando.

Que as discussões do encontro sejam pautadas por temas de abrangência nacional, com conteúdo político e programático.

A todos e todas, desejo um bom congresso.

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