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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Brasil rico e para todos

Reproduzo abaixo artigo da ministra Tereza Campello publicado no jornal O Globo de ontem (15):

Brasil rico e para todos
Com o Brasil Sem Miséria o país se lança num desafio coletivo, que nasce imerso em um clima de expectativa, confiança e otimismo. Nestes oito anos o país provou que pode ousar. Crescemos distribuindo renda, com a retirada de 28 milhões de pessoas da pobreza e a inclusão de 36 milhões na classe média. Esta história bem-sucedida é que motiva a presidente Dilma, governadores e prefeitos a assumir o novo compromisso de retirar 16 milhões de brasileiros da extrema pobreza e integrá-los neste Brasil que cresce cheio de oportunidades.

O Brasil Sem Miséria parte deste sólido acúmulo, dando continuidade às experiências internacionalmente reconhecidas do governo do presidente Lula, buscando aperfeiçoá-las. É o caso do Bolsa Família, considerado o maior e mais bem focalizado programa de transferência de renda do mundo. Hoje são poucos os que desconhecem e ignoram seus méritos para o país e para a população pobre, em especial os benefícios ligados ao desempenho escolar das crianças.

Vamos aperfeiçoar o Bolsa Família em dois pontos: com a busca ativa dos que têm perfil de receber transferência de renda e ainda não recebem, incluiremos mais 800 mil famílias; e com a ampliação de três para cinco filhos por família que recebem a parcela variável, serão beneficiadas 1,3 milhão de crianças e adolescentes.

O plano inova e parte da certeza de que não há escolhas fáceis em políticas com este grau de complexidade. Os 16 milhões de pobres extremos têm nome, endereço e direitos. Desses, 40% têm até 14 anos, 71% são negros e 47% vivem no campo. Estão espalhados por esta imensa nação, refletindo sua diversidade nas diferentes caras da miséria. Déficits sociais históricos explicam por que os extremamente pobres não têm usufruído deste Brasil repleto de oportunidades que o desenvolvimento econômico tem apresentado, e justificam uma ação contundente do Estado para ampliar suas capacidades.

No meio rural, onde a miséria acomete um em cada quatro moradores, vamos ampliar capacidades em três frentes. Oferecemos assistência técnica adequada com acompanhamento sistemático, recursos a fundo perdido, sementes resistentes e insumos para aumentar a produção de alimentos e incluir essa população nos mercados da agricultura familiar. O Bolsa Verde será um pagamento para a conservação de florestas nacionais e reservas extrativistas, aliando combate à extrema pobreza com agenda ambiental. Atuaremos com força junto às cadeias do agronegócio para alterar a situação dos trabalhadores rurais assalariados, muitos não só em extrema pobreza, mas em condições degradantes de trabalho.

No meio urbano vamos aliar intensa oferta de vagas para cursos de qualificação profissional - a meta é atender 1,7 milhão de adultos - ao apoio técnico e de crédito aos que têm um pequeno negócio e à economia solidária. Essa ampliação da oferta de políticas de inclusão produtiva, com foco na extrema pobreza, será orientada pelo levantamento do mais completo mapa de oportunidades de cada local. Outras dezenas de medidas na área de inclusão produtiva e ampliação de serviços públicos, direitos e cidadania que compõem o complexo desenho do plano enfrentarão a miséria nas suas múltiplas dimensões.

Este é um momento de ação, de construção de alianças necessárias à implementação do plano. Não se busca o consenso, mas o aperfeiçoamento crítico através de contribuições da sociedade e daqueles que estão engajados na luta pela justiça social.

Muitos países têm fracassado na produção de políticas inclusivas. O Brasil tem tido uma trajetória vitoriosa nos últimos anos. Cabe-nos avançar, resgatando os que estão em maior vulnerabilidade. O plano conta com o conhecimento adquirido em experiências positivas de inclusão em todos os níveis, com a disposição já demonstrada de governadores e prefeitos, independentemente de suas opções partidárias e, por fim, com o desejo do povo brasileiro de buscar uma vida melhor e construir um país verdadeiramente rico, que é um país sem pobreza.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O fogo-amigo contra Antonio Palocci

Não é nem nunca foi segredo pra ninguém que Antonio Palocci tem boas relações no meio empresarial e no mercado de capitais – relações estas que já existiam muito antes de ele virar ministro da Fazenda, em 2003.

Na campanha de 2002, Palocci foi um dos principais interlocutores do partido com a burguesia industrial e financeira. Ele ajudou a construir pontes para o entendimento político-econômico que a conjuntura iria exigir, em caso de vitória do PT.

Por ter esse perfil – e ter cumprido esse papel – Palocci sempre foi visto por muita gente, dentro do PT inclusive, como um quadro conservador. Em compensação, e justamente por causa disso, ele ganhou a simpatia das grandes empresas de comunicação, virou o preferido delas, o amigo do “outro lado”.

Palocci, um político habilidoso como poucos, não rejeitou as novas amizades, nem deveria, mas acho que exagerou ao confiar demais em algumas delas.

Nestes dias em que todos os jornalistas de política de todos os jornais do Brasil só falam em “fogo-amigo contra Palocci”, eu me pergunto: será que eles estão se referindo ao PT ou a eles mesmos?

Porque declarações de autoridades petistas contra Palocci, até agora, eu só vi foi em off. Quem “fala” nas matérias é sempre uma “fonte do governo”, uma “pessoa muito ligada ao Palácio”, um “parlamentar descontente”, um sujeito oculto qualquer.

Se é que essas pessoas misteriosas realmente existem, o que elas fazem não é fogo-amigo, é apenas coisa de gente miúda querendo sair das sombras. Porque fogo-amigo, pra mim, tem que ter nome e RG, tem que ter assinatura.

Não vejo a assinatura do PT nos recentes episódios envolvendo Antonio Palocci. Pelo contrário, quem partiu pra cima do ministro e o ataca todos os dias são pessoas do seu novo círculo de relações, fora do governo e fora do partido.

Os dados sigilosos da empresa de Palloci foram vazados, segundo dizem, por um secretário tucano da Prefeitura de São Paulo, administrada pelo “neogovernista” Gilberto Kassab. E quem transformou as informações em fato escandaloso foi um jornal paulista com histórico bem consolidado de oposição aos governos no PT – o mesmo valendo para o restante da velha mídia impressa e eletrônica, que não pensou duas vezes antes de jogar o “amigo” na fogueira.

Mas atenção: nenhum desses amigos-da-onça quer realmente derrubar Palocci.

Os setores da mídia que há três semanas chafurdam no tema tem como foco, na verdade, enfraquecer o governo Dilma, atacar o PT e desestabilizar a base de apoio, exatamente como fizeram em 2005.

O jogo é o mesmo e continua sendo jogado.

Por isso não cabem aqui falsas ilusões, como a de que o ex-presidente Lula, com todo seu capital político, ficaria sentado em casa, assistindo pela TV ao bombardeio contra o governo do nosso partido.

Lula está aí é pra isso mesmo, pra fazer política e dialogar com sociedade e os movimentos sociais, como sempre fez, exercendo agora um importante papel de mediação. Ao contrário do que dizem alguns colunistas “amigos” de Palocci, a atuação de Lula só fortalece a presidenta Dilma e o nosso Governo.

Estão redondamente enganados os que acreditam que provocarão cizânias entre nós com fofocas, picuinhas e intrigas. O PT não pode e não vai entrar nessa. É muito importante que os petistas façam uma profunda reflexão sobre fatos passados para melhor compreender o presente.

Sou pela permanência de Palocci na Casa Civil. Não falo pela presidenta nem pelo governo. Falo por mim. E assino embaixo.

Francisco Rocha da Silva (Rochinha).