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quarta-feira, 25 de maio de 2011

As aves de mau agouro voltaram

Depois de três derrotas consecutivas, a oposição ficou tão atordoada que até ensaiou, nesse início de governo Dilma, mudar a qualidade do enfrentamento para níveis mais civilizados – algo como rever suas relações com a sociedade, apresentar projetos ao país, discutir abertamente as grandes questões contemporâneas etc.

Ocorre que o lobo perde as pele, mas não perde o vício. E aí estão eles de novo, lobos em pele de tucano, empenhados em roubar do urubu o título de símbolo nacional de ave de mau agouro.

Começaram agourando as obras da Copa e o combate à inflação. Agora decidiram partir para ataques mais incisivos, repetindo a tática que os caracterizou nos últimos oito anos, qual seja: de um lado, apostar no quanto pior, melhor; de outro, criar factóides para desestabilizar, quando não criminalizar, o governo e o PT.

Seus parceiros nos meios de comunicação estão em festa. Alardeiam nos jornais de hoje o que chamam de “primeira grande derrota” do governo Dilma, expressão que vem colada a outra que também se tornou comum nos últimos dias, a da “primeira grande crise”.

A “grande derrota” teria se dado na votação do novo Código Florestal na Câmara, o que não é verdade. Derrota haveria se o texto aprovado, bem como a polêmica emenda que anistia desmatadores, tivessem origem na oposição. Mas tanto um como outro vieram da própria base aliada. Portanto, o caso é mais complexo, tão complexo quanto à composição da base (sabidamente instável em determinados temas) e quanto à própria questão da terra no Brasil.

Gostemos ou não, o agronegócio tem grande poder, poder assentado em bases históricas, econômicas e políticas, que se reflete em sua alta representação no Congresso Nacional. Muitos desses congressistas fazem parte da base de apoio do governo, mas é natural que, em questões como essa, defendam primeiro seus interesses mais imediatos.

O mesmo ocorre com os pequenos produtores e as entidades que os defendem, que buscam condições para aumentar sua produção e atender necessidades de sobrevivência.

É extremamente louvável a preocupação com a preservação ambiental. Por outro lado, há a necessidade de garantir alimento farto e barato na mesa dos brasileiros, bem como diminuir o êxodo rural. Uma coisa não exclui a outra, e o governo da presidenta Dilma, partidário de uma posição considerada mais progressista, tem trabalhado para construir o maior número possível de consensos. É uma tarefa complexa, que envolve avanços e recuos dentro da disputa política.

Quem fala em “derrota”, nesse contexto, ou desconhece a realidade brasileira (política, econômica e social) ou apenas se aproveita do episódio para trombetear ao vento suas recorrentes palavras de mau agouro.

É nesse segundo grupo que também se encontram os arautos da “primeira grande crise”, ansiosamente aguardada pelos que estão muito incomodados com o sucesso da presidenta Dilma. Aqui, porém, ao contrário do caso anterior, trata-se de disputa política do mais baixo nível, nos moldes do que se fez contra o governo Lula.

Os vários casos que pipocaram nas últimas semanas indicam que a velha tática está de volta. Os urubus de plantão não estão preocupados com os fatos ou factóides envolvendo este ou aquele agente público. Sua estratégia é, como sempre foi, atingir o governo e o PT – mirando o resultado das eleições de 2012.

Não cabem ilusões. Mais do que nunca, é preciso atenção e unidade, seja no partido, seja na base. Com tranqüilidade, ação política e muito trabalho, não tenho dúvida de que venceremos, mais uma vez, o canto agourento das aves oposicionistas.

sábado, 7 de maio de 2011

Vencer a mentira, sempre


Texto de José Dirceu, publicado em seu blog (www.zedirceu.com.br):

Vencer a mentira, sempre

Desde as eleições de 2010, vem ganhando força uma matiz de discurso que busca criar a ilusão de que um presidente da República do PT  - seja ele Lula ou Dilma Rousseff - está em constante disputa com o próprio partido pelo controle do governo.

Esse discurso imputa ao primeiro a capacidade de "controlar" os assim chamados "radicais petistas", enquanto a segunda estaria à mercê das articulações políticas desse grupo (uma premissa, além de falsa, carregada de machismo e desconhecimento sobre a companheira Dilma).

Nesse processo, tenho sido frequentemente apontado pela imprensa corporativa e pela oposição como aquele que fomenta ou lidera esse grupo fictício de petistas que querem "tomar" o governo, seja para implantar reformas radicais, seja para usar o poder para fins particulares - depende de como querem atacar o PT.

Pelo receio dos conservadores ou apelando ao emocional, ressuscitam, desta feita, a ofensiva oposicionista de 2005. Com mentiras que, sob a luz dos fatos, simplesmente não se sustentam, mas que têm servido de matéria-prima para artigos, editoriais e reportagens eivadas de má-fé.

Basta ver que seguem utilizando como base para sua ficção uma palestra que dei a sindicalistas e à militância do PT na Bahia, no ano passado, em que exaltei a possibilidade de sucesso eleitoral como uma vitória do projeto do PT, já que, pela primeira vez, não contávamos com Lula como candidato.

E reafirmo: Lula é um líder de grande carisma, um dos maiores que se tem notícia no Brasil e que deixou a Presidência como chefe de Estado mais bem avaliado da história do país. Essa condição confere a Lula um diferencial político, algo constatado, inclusive, por seus próprios adversários.

A vitória de Dilma, por outro lado, significou a vitória do crescimento econômico com criação de empregos e distribuição de renda, do combate à miséria, do incentivo à participação dos trabalhadores nas decisões dos rumos do país, da soberania de nossa política externa diante das potências internacionais.

Venceram as conquistas que somente um governo popular e progressista como o do PT é capaz de propiciar, e que, infelizmente, ainda enfrentam a resistência de determinados grupos da elite econômica brasileira. Venceu, portanto, a continuidade do projeto de Brasil que iniciamos a partir de 2003.

Não é a primeira vez que distorcem parte do que eu disse na ocasião: nas eleições, por conta da disputa política parcial encampada pela grande mídia, manipularam o conteúdo de minhas palavras para dar a entender que eu era contra a liberdade de expressão, enquanto o que eu havia dito era justamente o oposto: "quem passou por uma ditadura sabe que nunca vai existir excesso de liberdade de imprensa". A mentira ruiu graças a um vídeo com a fala na íntegra, disponível na Internet.

Está claro que, impotente diante da aprovação popular recorde que o nosso projeto reuniu junto ao povo, a parcela conservadora da elite, por meio de seus órgãos de comunicação, tenta colocar em dúvida o futuro do Governo Dilma.Tenta, de forma canhestra, transfigurar o partido que ajudou a mudar o Brasil em ameaça a esse programa de crescimento econômico e social, quando o que se dá é exatamente o contrário.

Por isso, os brasileiros que têm orgulho de nosso país e do acelerado processo de desenvolvimento que vivemos desde 2003, temos de estar atentos: quando a luta política extrapola a disputa partidária pelo voto e se torna justificativa para deturpações intencionais dos fatos, o risco que há é o de ameaçar o futuro que se aproxima cada vez mais de nós.

Nestes casos, o caminho é um só, ir a campo denunciar tais práticas e defender o projeto de melhoria do país ora em curso.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O PT não tem dono

É inacreditável como determinados setores da imprensa dão mais valor à intriga e à fofoca do que aos fatos que estão à vista de todos.

A eleição de Rui Falcão para a Presidência do PT, na semana passada, fez brotar mais uma vez esse tipo de matéria que despreza as regras básicas do bom jornalismo e se agarra a especulações fantasiosas que não tem qualquer lastro na realidade.

Todos os jornalistas presentes à reunião do Diretório Nacional estavam dentro do plenário quando Rui foi eleito. Eles viram, portanto, que o nome de Rui foi defendido por representantes de TODAS as correntes partidárias e que sua eleição se deu por UNANIMIDADE dos integrantes do DN.

Quem conhece minimamente a política, sabe que não se chega a um consenso desses sem que todos os envolvidos no processo sejam previamente consultados e estejam de acordo. No caso do PT, essa consulta inclui, evidentemente, o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma.

Se não houvesse acordo, os membros do Diretório teriam, como sempre tiveram, total liberdade para se expressar e votar conforme suas convicções.

Desconsiderando tudo isso, um jornal de circulação nacional insiste, desde sexta-feira passada (28 de abril), na versão de que o nome de Rui teria sido “imposto” pelo ex-ministro José Dirceu e por seu suposto “grupo”, num movimento que, segundo a tese sem pé nem cabeça do jornal, teria contrariado a vontade de Lula, de Dilma e do próprio PT!

As correntes no PT são regulamentadas estatutariamente. Dirceu faz parte da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB). Dentro da CNB, não existe “grupo de Dirceu” nem de qualquer outro integrante. No Diretório Nacional, a CNB integra a chapa Partido que Muda o Brasil (PMB), da qual também fazem parte as correntes Novo Rumo e PT de Luta e de Massa. Com a concordância de Lula e Dilma, o nome de Rui foi discutido democraticamente na nossa chapa, depois com as demais chapas/correntes e depois votado no Diretório, tendo a imprensa por testemunha.

É assim que se faz política no PT, com democracia, transparência e respeito à opinião de todas as suas forças internas. Jamais uma só pessoa ou um grupo teriam força, no PT, para impor sua vontade ao conjunto do partido, sobretudo numa questão como essa.

Minha única dúvida é se o veículo em questão insiste no erro por incapacidade jornalística e analítica ou se perpetua barrigadas movido por interesses outros.