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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Cai a máscara tucana

A grande imprensa nunca deu destaque nem investigou a fundo as maracutais dos governos do PSDB de São Paulo. Mas a moleza parece que está acabando. Alguns veículos, como a revista IstoÉ e a TV Record, decidiram romper a blindagem que protege os tucanos desde que eles chegaram ao poder no Estado, há 16 anos.

A edição da IstoÉ que começa a circular hoje continua investigando as relações obscuras de Paulo Preto com o governo Serra. Desta vez descobriram que a mãe e um genro dele são donos de uma empresa que prestou serviços ao Rodoanel. Para ler, clique aqui.

E ontem o Jornal da Record levou ao ar extensa reportagem de Rodrigo Viana sobre as muitas denúncias de corrupção envolvendo não só as aobras do Rodoanel como também do Metrô. Assista abaixo:

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A hora é de disputar voto a voto

Tudo o que NÃO precisamos, a poucos dias da eleição, é repetir alguns erros primários do primeiro turno.

O principal deles é usar pesquisa de intenção de voto como combustível para acender a churrasqueira antes da hora.

Pesquisas apontam tendências de opinião pública e servem para orientar a campanha, mas para a carne assar o que conta mesmo é voto na urna.

Neste segundo turno, a mobilização da militância, de movimentos sociais e de vários setores da sociedade foi fundamental para que nossa candidata voltasse a abrir vantagem sobre o adversário.

É uma vantagem razoável (entre 12 e 14 pontos), porém ainda insuficiente para nos dar a tranqüilidade da vitória. Além disso, o Vox divulgado nesta segunda-feira (25) mostra que ainda existem 7% de eleitores indecisos e outros 6% que declaram voto branco ou nulo. O total (13%) é igual à nossa vantagem, dentro da margem de erro.

Portanto, nada de colocar a cerveja pra gelar ou encostar o burro na sombra.

A hora é de ir pra rua e disputar voto a voto, como sempre fizemos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Emprego: quem procura acha

Este é o retrato do Brasil real, após oito anos de governo do PT: o índice de desemprego divulgado hoje (21) pelo IBGE é o menor da história. Segundo o instituto, entre a chamada população ativa, apenas 6,2% estava desocupada em setembro.

Outro dado interessante: o IBGE afirma que, de agosto para setembro, foram criadas 147 mil vagas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (Recife, Salvador, BH, Rio de Janeiro, SP e Porto Alegre), enquanto o crescimento do total de pessoas empregadas foi de 120 mil. Ou seja, todos os que procuraram emprego no período foram absorvidos pelo mercado de trabalho, desde que qualificados paras as funções requisitadas.

Os tucanos costumam ter chiliques quando falamos em comparar governos (mais do que quando são atacados por bolinhas de papel). Mas não tem como ignorar esse fato real e concreto, principalmente quando sabemos, segundo o mesmo IBGE, que a taxa de desemprego em setembro de 2002 (último ano do desgoverno deles) era quase o dobro da atual: 11,5%.

É isso o que temos de jogar na cabeça deles. Todos os dias.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PF desmascara a Folha

Reproduzo do site do PT:

Em nota divulgada agora à tarde, a Polícia Federal desmentiu o jornal Folha de S.Paulo desta quara-feira (20), que estampou, em manchete, o seguinte título: “PF liga quebra de sigilo fiscal de tucano à pré-campanha de Dilma”.

Segundo a nota, a PF concluiu que a quebra de sigilo “ocorreu entre setembro e outubro de 2009” (quando não havia pré-campanha) e que o levantamento das informações foi utilizado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. “no interesse de investigações próprias”.

A nota diz ainda que não foi comprovada a utilização dos dados em campanha política.

“A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação”, afirma o texto.

Leia a íntegra:

NOTA À IMPRENSA 

Sobre as investigações para apurar suposta quebra de sigilo de dados da Receita Federal, a Polícia Federal esclarece que:

1- O fato motivador da instauração de inquérito nesta instituição, quebra de sigilo fiscal, já está esclarecido e os responsáveis identificados. O inquérito policial encontra-se em sua fase final e, depois de concluídas as diligências, será encaminhado à 12ª Vara Federal do Distrito Federal;

2- Em 120 dias de investigação, foram realizadas diversas diligências e ouvidas 37 pessoas em mais de 50 depoimentos, que resultaram, até o momento, em 7 indiciamentos;

3- A investigação identificou que a quebra de sigilo ocorreu entre setembro e outubro de 2009 e envolveu servidores da Receita Federal, despachantes e clientes que encomendavam os dados, entre eles um jornalista;

4- As provas colhidas apontam que o jornalista utilizou os serviços de levantamento de informações de empresas e pessoas físicas desde o final de 2008 no interesse de investigações próprias;

5- Os dados violados foram utilizados para a confecção de relatórios, mas não foi comprovada sua utilização em campanha política;

6- A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Falou e disse

Belísssimo depoimento do escritor Fernando Morais em apoio à nossa candidata Dilma Rousseff.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Todos à luta!

A pesquisa Datafolha divulgada agora à noite no Jornal Nacional, em que Dilma se mantém oito pontos à frente de Serra (54% a 46%, nos válidos), indica claramente que estancou a sangria provocada pela onda de calúnias e mentiras espalhadas nas últimas semanas pelos adversários.

Mas isso não é motivo pra gente sair comemorando antes da hora. Espero que todos já tenham aprendido com as lições do primeiro turno. E quando digo todos, são todos mesmo, do dirigente partidário ao militante de base, passando pelo comando da campanha.

Temos duas semanas de muito trabalho e muita atenção. Mais do que nunca é hora de ir pras ruas, mobilizando, convencendo as pessoas e fazendo o debate político às claras, de peito aberto.

Temos muito pra mostrar e mais ainda a oferecer ao povo brasileiro.

À luta, companheiros e companheiras.

Nossos apavorados são um perigo

Recomendo a leitura, abaixo, de texto distribuído por Valter Pomar, dirigente nacional do PT:
 
Nossos apavorados são um perigo

Por Valter Pomar

O nosso" apavorado é aquele cidadão que, em 4 de janeiro de 2010, achava que Dilma não tínha chance; que em 4 de setembro de 2010 acreditava que ganharíamos a presidência no primeiro turno; e que acordou no dia 4 de outubro achando que Serra venceu o segundo turno.

O apavorado cumpre, no nosso meio, um papel mais perigoso que o tucano-de-baixo-astral cumpriu na campanha do Serra, em setembro de 2010. Naquele momento, Dilma passou à frente nas pesquisas, desmoralizando o discurso tucano segundo o qual ela não tinha chances. Parte do eleitorado tucano se acovardou e Serra começou a cair nas pesquisas.

A diferença é que não haverá terceiro turno. Portanto, o "nosso" apavorado é um perigo, um "quinta-coluna sem saber". Desorganiza nossas fileiras e ajuda o inimigo.

Que devemos fazer? Algo parecido com o que o Estado-Maior tucano fez: ir com tudo na jugular do adversário. E dizer para o apavorado: ao invés de perguntar se vamos ganhar, responda quando votos voce ganhou hoje.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

E agora, Serra?

Pubicado no Portal R7

“Homem-bomba” do PSDB vira preocupação na campanha de Serra

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, trocou o estilo defensivo que marcou o primeiro turno da campanha e subiu o tom das críticas e cobranças contra o adversário José Serra (PSDB), no debate da TV Bandeirantes no último domingo (10). A mudança pegou Serra de surpresa. Num dos momentos mais tensos do confronto, logo no primeiro bloco, a petista colocou o tucano contra a parede ao questioná-lo sobre um “calote” de R$ 4 milhões do homem de confiança do PSDB, o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto ou Negão.

Ao ser questionada sobre a criação do Ministério da Segurança Pública, bandeira de Serra, a petista aproveitou o tempo que lhe sobrou para dizer que fica “indignada com a questão da Erenice” [Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil que deixou o ministério após ver seu filho envolvido em denúncias de tráfico de influência], e mencionou suspeitas de corrupção que envolvem um ex-assessor de Serra.

- É bom você lembrar, eu fico indignada com a questão da Erenice, mas você devia lembrar também o Paulo Vieira de Souza, seu assessor que fugiu com R$ 4 milhões.

Serra não respondeu à pergunta e não voltou ao assunto. Assessores e pessoas próximas ao candidato tucano estranharam as críticas de Dilma e o tom da presidenciável petista.

Em agosto, reportagem da revista IstoÉ trouxe a denúncia do calote e informou ainda que Paulo Preto tem uma relação estreita com Aloysio Nunes, tucano que acabou de obter uma vaga no Senado por São Paulo e era chefe da Casa Civil de Serra. Não por acaso, o senador recém-eleito deixou o debate de domingo entre os segundo e terceiro blocos e saiu falando ao telefone evitando falar com jornalistas.

“As relações de Aloysio e Paulo Preto são antigas e extrapolam a questão política. Em 2007, familiares do engenheiro fizeram um empréstimo de R$ 300 mil para Aloysio. No final do ano passado, o ex-chefe da Casa Civil afirmou que usou o dinheiro para pagar parte do apartamento adquirido no bairro de Higienópolis e que tudo já foi quitado”, diz a reportagem da IstoÉ.

A revista diz que “segundo dois dirigentes do primeiro escalão do PSDB, o engenheiro arrecadou “antes e depois de definidos os candidatos tucanos às sucessões nacional e estadual”. Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores”, relata a revista

A IstoÉ diz ainda que “até abril, Paulo Preto ocupou posição estratégica na administração tucana do Estado de São Paulo”. Foi diretor de engenharia da Dersa, estatal responsável por obras como a do Rodoanel, “empreendimento de mais de R$ 5 bilhões, e a ampliação da marginal Tietê, orçada em R$ 1,5 bilhão – ambas verdadeiros cartões-postais das campanhas do partido”. Mas, segundo a reportagem, “Paulo Preto foi exonerado da Dersa oito dias depois de participar da festa de inauguração do Rodoanel”. A portaria, publicada no Diário Oficial em 21 de abril, não explica os motivos da demissão, “mas deputados tucanos ouvidos por IstoÉ asseguram que foi uma medida preventiva. O nome do engenheiro está registrado em uma série de documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a chamada Operação Castelo de Areia, que investigou a construtora Camargo Corrêa entre 2008 e 2009.”

A reportagem da revista ouviu tucanos que o acusaram de ter arrecadado os tais R$ 4 milhões em nome do PSDB para as campanhas eleitorais deste ano e de não ter levado o dinheiro ao caixa do comitê do presidenciável Serra. A IstoÉ também ouviu Paulo Preto, que nega a arrecadação de recursos e diz que virou “bode expiatório”.

O engenheiro não é filiado ao PSDB, mas tem uma longa trajetória ligada aos governos tucanos. A revista conta que ele ocupou cargos no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso e, em São Paulo, atuou na linha 4 do Metrô, no Rodoanel e na marginal Tietê.

Outra acusação que pesa sobre o “homem-bomba” tucano, segundo definição da revista Veja, é o envolvimento do seu nome na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investigou a empreiteira Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. Embora não tenha sido indiciado, Paulo Preto é citado em uma série de documentos. Um dos papéis indica que o ex-diretor da Dersa teria recebido quatro pagamentos mensais de pouco mais de R$ 400 mil, o que ele nega.

Paulo Preto foi exonerado da diretoria da Dersa em abril deste ano quando Alberto Goldman assume o governo de São Paulo no lugar de Serra. Em entrevista à IstoÉ, o ex-diretor diz que até hoje não foi informado sobre o motivo da demissão.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Como conquistar uma vitória que é certa

Alguns instrumentos são fundamentais para se obter bons resultados num enfrentamento eleitoral. O mais importante deles é a força do partido, sua capilaridade, seu grau de unidade interna, a capacidade política de seus quadros dirigentes e o envolvimento de sua militância.

O PT sempre teve tudo isso, às vezes mais, às vezes menos. Na presente campanha eleitoral, teve também (e tem ainda) outros importantes instrumentos, como a liderança do presidente Lula, a boa avaliação do governo e uma ampla coligação partidária.

São estas as razões que fizeram com que nosso partido obtivesse um grande resultado eleitoral no último domingo (3). Elegemos quatro governadores, podendo chegar a seis; passamos de oito para 14 senadores, podendo chegar a 15; e fizemos a maior bancada da Câmara Federal.

Uma grande vitória política, sem dúvida, mas que para muitos teve sabor de derrota pelo fato de Dilma não ter ganhado no primeiro turno. Ficou realmente faltando isso para que a vitória fosse completa. Mas precisamos ter cabeça fria para analisar os resultados, fazer nossa autocrítica e definir (ou redefinir) as estratégias a partir de agora.

Adversidades
Temos de lembrar que concorremos com forças poderosas e que uma eleição presidencial é algo sempre muito complexo. Estamos falando de um país continental que tem 135 milhões de eleitores, boa parte deles sem acesso às informações do processo político-eleitoral – o que faz com que, muitas vezes, questões laterais acabem ganhando o centro do debate e embaralhando a cabeça das pessoas.

Nestas eleições, por exemplo, as questões que realmente interessam ao país foram encobertas pelo clima de denuncismo e moralismo criado por grande parte da mídia durante toda a campanha. Assistimos a muita demagogia e enfrentamos ataques do mais baixo nível repercutidos por vários candidatos do PSDB – o que sem dúvida barrou nossa vitória no primeiro turno.

Por outro lado, nossa candidata obteve 47 milhões de votos e ficou a apenas 3 pontos de vencer no domingo. Juntando esse desempenho aos números do quadro geral, eu diria que não temos, em hipótese alguma, o direito de nos sentirmos derrotados.

Mas precisamos, sim, fazer uma rigorosa autocrítica, até porque temos uma disputa duríssima pela frente e não podemos repetir alguns erros.

Plano B
Quero dizer aqui com todas as letras: a campanha presidencial nunca teve um Plano B. Embora soubéssemos com antecedência que enfrentaríamos todo tipo de ataque, nossa militância não foi mobilizada nem preparada para fazer o embate direto com clareza e objetividade.

Faltou até agora, nessas eleições, uma direção que fizesse a conexão entre a campanha nacional e a militância de base. Em vários Estados, as direções se dedicaram única e exclusivamente aos processos locais e não se reuniram para discutir os passos estratégicos da disputa presidencial.

Marina
Da mesma forma, prestamos pouca atenção à força do discurso da ex-candidata Marina Silva. Nós sabíamos exatamente quais seriam suas propostas e tínhamos como debater em pé de igualdade, até porque refletiam questões travadas anos a fio dentro do governo e do próprio PT – ao qual ela esteve filiada por três décadas.

Mas nos calamos, possivelmente porque acreditamos em excesso na tese de que esta seria uma eleição meramente plebiscitária. E demoramos a perceber que, na verdade, havia três candidatos com grande capacidade de interlocução junto à sociedade.

Sem jamais ser exposta ao contraditório de suas propostas, Marina passou a ser elogiada (em alguns momentos, até endeusada) por aquela parcela da mídia que via nela a chance de levar Serra ao segundo turno – a mesma mídia que antes a chamava de “atrasada” e de “inimiga do crescimento”.

Agora que se inicia o segundo turno, temos obrigação de retomar e aprofundar esse debate, mostrando nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e, mais do que isso, as inúmeras ações de nosso governo em defesa do meio ambiente – em acordo com as propostas históricas do PT e dos milhares de militantes dessa área que continuam engrossando as fileiras do partido.

Isso terá um papel importante na definição de apoios nessa nova etapa, já que nosso opositor deverá se apropriar das bandeiras da ex-candidata – ainda que o faça com a demagogia de sempre – na tentativa de conquistar os eleitores dela.

Temas polêmicos
Não temos por que continuar fugindo de temas polêmicos. Queiramos ou não, eles fazem parte do dia-a-dia da vida das pessoas. Não precisamos trazê-los para o centro da disputa, mas temos de encará-los, seja no discurso, seja nos debates, seja no programa de televisão. Tudo sendo feito, evidentemente, com responsabilidade e no tempo certo.

Alguns desses temas já surgiram no primeiro turno e com certeza surgirão outros a partir de agora, verdadeiros ou inventados – como os boatos infames sobre defesa do aborto e fechamento de igrejas evangélicas.

Nesse campo temos de agir com total transparência.

Um dos principais méritos do governo Lula tem sido o encaminhando democrático de temas que não encontram consenso na sociedade. A população sabe disso. Não faz sentido, portanto, temer o debate sobre estes temas se eles vierem à tona.

Próximos passos
Nesse segundo turno, temos que aproximar muito mais a militância do PT e dos aliados da campanha da candidata, incluindo aí a participação direta dos movimentos sociais e de todos os setores da sociedade.

Precisamos também manter mobilizados os comitês dos candidatos que encerram as eleições no domingo, eleitos ou não, colocando suas estruturas a serviço da candidatura Dilma.

No debate de idéias, temos de investir na ênfase à construção de políticas públicas em vários setores, em especial o meio ambiente, e aprofundar a comparação entre os 8 anos de Lula e os 8 de FHC – lembrando não só das privatizações, mas de todas as políticas e ações que tornaram o Brasil mais justo, mais democrático, mais desenvolvido e, principalmente, mais respeitado em todo mundo.

A comunicação é outro ponto que precisa ser melhorado, agindo com mais firmeza no contra-ataque à guerra suja que se desenvolve na internet e acaba ganhando as ruas. A campanha concentrou demais sua estratégia nos mecanismos de comunicação de massa. Precisamos melhorar, e muito, nosso relacionamento com as redes sociais que apóiam Dilma.

Para que estas e outras questões se concretizem é fundamental um comando forte e ágil, que tenha capacidade de articular rapidamente o enfrentamento político.

É bom lembrar que temos apenas 25 dias de campanha. Agora é tudo ou nada. Não dá pra jogar fora, por conta de erros facilmente resolvíveis, os sonhos de muitas e muitas gerações que começaram a se concretizar depois que o PT chegou ao poder.

sábado, 2 de outubro de 2010

O voto politizado dos mais pobres

Reproduzo abaixo bom artigo de Maria Rita Kehl publicado neste sábado (2) no Estadão:

Dois pesos...


Maria Rita Kehl

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.