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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A vontade de vencer na trapaça

Reproduzo do Blog do Ernani de Paula, para leitura e reflexão:

"A campanha de José Serra à Presidência da República sucumbe a diversos fatores. Alguns controláveis, outros fruto da própria trajetória do PSDB e os caminhos que a legenda escolheu. E, por fim, a situações do momento históricos que fogem completamente ao controle dos tucanos, como a grande popularidade do governo do presidente Lula e, ainda, os resultados inquestionáveis dos últimos oito anos.

A falta de um posicionamento crítico como oposição certamente foi a principal derrapada de José Serra e do PSDB como um partido que tinha tudo para polarizar com o PT as eleições. Se esta disputa foi polarizada em algum momento, na atualidade da campanha, a soberania do PT e do projeto de Lula e Dilma é soberana e a suposta oposição já não tem fôlego e nem motivos para resistir.

Numa comparação dos dois partidos são nítidas as diferenças conceituais. Em 1994, o PT criticava e movimentava sua bancada de oposição de forma incessante. Foram uma pedra enorme no sapato do governo FHC. Conseguiram encontrar defeitos e motivos pra criticar até mesmo o então intocável Plano Real. O Brasil pós-2002, com a mudança de eixo no governo federal não teve a mesma troca de posições na oposição. FHC, que deveria funcionar como grande líder tucano, se ausentou do debate – ou foi deixado esquecido por uma nova geração, e o partido simplesmente não ocupou os espaços de oposição.

O PSDB não quis assumir esta trincheira. E quando o fez, foi um trabalho mal feito de quem não está acostumado a viver na adversidade da falta de cargos, espaços para apaniguados e outras benesses. E assim foi deslizando a sua imagem e deixando o PT e Lula mais à vontade ainda para seguir o seu projeto de governo.

E a tese da oposição mal feita seguiu seu curso até a campanha deste ano. Serra adotou a covarde – e injusta – estratégia de ser um “aliado” de Lula. Como se isso fosse possível, o tucano se negou a atacar o governo petista. Está querendo ser um aliado de última hora, bancando a idéia de que é diferente, mas que pode fazer igual. Enquanto isto, acusa Dilma – a legítima herdeira e integrante das conquistas políticas nacionais – de usar a imagem de Lula. Serra é do PSDB e cita Lula em seus discursos, programas de rádio e TV e até mesmo no seu jingle. Como Dilma é quem seria a usurpadora da imagem alheia?

Portanto, o fiasco está formado.

No meio deste mato alto, onde os tucanos se confundem e se perdem, ainda há espaço para um tipo de movimentação rasteira: a tentativa de levar a eleição, e o Brasil, na base do golpe. O recente caso de uma possível falsificação de assinatura e quebra de sigilo da vida fiscal de uma filha de José Serra tem todos os traços de um golpe baixo para que o PSDB e Serra sejam vitimizados perante a opinião pública.

Ao insinuar, e em outras pontas do emaranhado de discursos tucanos até mesmo acusar, o PT, Dilma e o comando de campanha de estarem revirando ilegalmente a vida de sua filha, Serra pretende ganhar pontos como o coitado que está sendo injustiçado perante a máquina. O ex-governador de São Paulo não conseguiu implantar um discurso, não conseguiu ser oposição, não conseguiu encontrar um ponto de ataque contra Lula e nem contra Dilma. Mas, agora, quer encontrar um jeito de se tornar mártir do povo brasileiro.

O caso, longe de ser um delírio de parte a parte dos envolvidos, tem lastros de investigação intensos em Brasília. Tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas ligadas à investigação que garantem ser tudo uma grande armação interna para que Serra tenha a imagem arranhada, a família atingida. É como se auto-flagelar em busca de comiseração, pena.

Assim, tentando ganhar o governo do Brasil na marra, na base do golpe, o PSDB somente reafirma que longe de ser uma legenda ligada a novas práticas é na verdade um partido mesquinho, golpista e que está vivendo sua agonia e desespero para retomar o poder a qualquer custo: nem que para isto seja preciso enganar a opinião pública nacional."

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