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quarta-feira, 26 de maio de 2010

A campanha nos Estados

É na política que se ganham – e se perdem – eleições. Numa eleição nacional, o sucesso ou o fracasso está condicionado à capacidade de os candidatos e candidatas costurarem alianças que lhe dêem sustentação política nos Estados. Há outros fatores, claro, mas este é fundamental.

Eu diria que, de uma maneira geral, nossa pré-candidata Dilma e nosso partido estão bem posicionados, já que na grande maioria dos Estados estamos construindo bons acordos com a base aliada e teremos a possibilidade do palanque único na disputa presidencial.

Há aqueles, porém, em que as disputas locais e os interesses imediatos têm grande peso e podem falar mais alto. A tendência à regionalização é sempre uma dificuldade quando se pensa em uma campanha nacional, mas temos de trabalhar para superar essa dificuldade, unificando discursos, palanques e projetos.

E só existem três maneiras de fazer isso: conversa, conversa e mais conversa...

No caso da candidatura Dilma, não há grandes problemas entre os partidos da base, com exceção de cinco ou seis Estados onde provavelmente haverá mais de um palanque. São os casos do Amazonas e da Paraíba, por exemplo. E nós temos de saber usar o bambolê da política para trabalhar essa diversificação.

Abaixo, faço uma rápida análise das situações no Rio de Janeiro, em Minas, em São Paulo e no Maranhão.

RIO – Fechamos com a reeleição do governador Sérgio Cabral, mas o Garotinho, que também é candidato, já manifestou a intenção de igualmente apoiar Dilma. Há quem ache que não deveríamos aceitar, mas não tem sentido, do ponto de vista político, recusar apoio.

MINAS: É um Estado em que precisamos ter uma política unificada entre nós e com o PMDB. Se for necessário que o senador Hélio Costa seja o candidato a governador, eu apoio. E tem mais: nesse caso, o PT tem obrigação política de oferecer a vice, para não suscitar absolutamente nenhuma dúvida sobre nosso apoio e nosso engajamento. De toda maneira, a situação se encaminha para entendimento, como é típico dos mineiros. Os problemas lá ocorrem sobretudo por erros nossos. A disputa (legítima) pelos espaços internos do PT começou antes do PED de 2009. É sempre bom lembrar que no PED de 2007 o grupo do Pimentel veio para a direção nacional trazido pelo nosso grupo, o Unidade na Luta. Foi o Unidade na Luta que me convenceu que deveríamos apoiar o Reginaldo Lopes e não apresentar candidato para a disputa interna em 2007. Não consigo entender por que é que nós discutimos tanto naquela ocasião para unificar em torno do Reginaldo, e depois, por questões eleitorais, se mudou de opinião e saíram dois candidatos. Precisamos lembrar também da polêmica que houve em relação ao apoio ao Célio de Castro, que era do PSB, nos anos 90. O problema é que dentro do PT a gente esquece as coisas com muita facilidade, ou faz que esquece. Acontece que eu não esqueço fácil. Apesar da idade, tenho uma memória razoavelmente ativa. Então sei que a coisa vem de longe. Mas com certeza chegaremos a bom termo. Quanto aos erros acumulados, espero que sejam colocados na mesa com muita clareza após as eleições.

MARANHÃO: É nosso maior problema hoje. Mas, na política, os maiores problemas mostram para que serve a direção do partido. Temos de tomar uma decisão política no caso do Maranhão. Uma decisão de direção, que deixe claro o apoio do PT à candidatura da Roseana. Independentemente do apreço que temos ao PCdoB e ao Flávio Dino, temos um compromisso político, e é compromisso mesmo, com o apoio que o senador José Sarney nos dá desde 2002. Independentemente da avaliação que cada um possa se fazer do Sarney, o fato é que com o governo, com as políticas do governo e até com o PT, o Sarney tem sido um parceiro correto. Pode ter os erros dele, mas aí cada um que avalie dentro da sua visão política. Eu analiso do ponto de vista do comportamento que ele teve conosco desde 2002. Portanto, a direção do partido tem de tomar uma posição muito clara e muito firme. E não só em relação à questão eleitoral. É uma questão política mais ampla. Eu já havia sugerido, lá atrás, que o Maranhão não tivesse PED no ano passado e que a direção nacional criasse uma comissão provisória para tocar as demandas do Maranhão. E, depois das eleições, faríamos um processo de renovação da direção estadual. Agora é preciso pulso muito firme para tomar as rédeas na questão partidária, não só eleitoral. Precisa de uma correção em relação a algumas pessoas, principalmente o Domingos Dutra e de vários outros. E eu espero que essa direção que está aí, que foi eleita por uma larga maioria, tenha a sensibilidade de perceber que chegou o momento de se fazer isso. Não aceito o argumento das desavenças locais. Problemas locais existem em todos os Estados e continuarão existindo. Não se trata disso. Se trata de cumprir acordos com quem tem sido correto com a gente. E o partido tem que tomar essa decisão.

SÃO PAULO – Embora Minas seja muito importante e prioritária, não concordo com a tese de que, se perder em Minas, perde a eleição. Não podemos é perder muito feio em São Paulo. Aliás, acho que aqui podemos até ganhar. Aqui, com as candidaturas do Aloísio, do Skaf e do Russomano, deveremos ter segundo turno. E a queda do Alckmin nas pesquisas já aponta claramente nessa direção. Segundo turno é outra eleição. Vamos fazer um movimento aqui em São Paulo para deixar os tucanos pelados, vamos tirar todas as penas deles. Temos de trabalhar os palanques da base de apoio de modo a não dar chance ao PSDB de achar que é dono do Estado. Temos de discutir a política da enganação que eles fazem aqui, em relação às enchentes, aos pedágios, à segurança pública. Espero que essas e outras questões sejam colocadas claramente, até porque as últimas duas campanhas foram água com açúcar. Agora tem que ser água e óleo, mostrando claramente as diferenças entre nós e eles. O que os tucanos tem feito aqui é só enganação. Nós sempre tivemos chances de ganhar em São Paulo, mas as últimas duas campanhas foram muito tímidas. Não enfrentamos o tucanato como deveríamos. Espero que agora seja diferente. No momento em que colocarmos em xeque a política da enganação, a população vai entender que há muita coisa a ser corrigida no Estado.

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