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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

VI Congresso do PT

Os desafios que temos que enfrentar...
Para estar à altura do povo brasileiro, do legado de nossos governos e da militância petista, esse é o desafio!
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VI Congresso do PT: os desafios que temos que enfrentar

   Em sua reunião de setembro de 2016, foi apresentada e aprovada no Diretório Nacional do PT a proposta de realizarmos em maio de 2017 o VI Congresso do PT, em substituição ao Encontro Extraordinário do PT. Nessa mesma reunião, foi aprovada a proposta de renovação de todas as direções partidárias no primeiro semestre de 2017.
Somos um partido de esquerda, democrático e de massas. Frente aos desafios que vivemos, em que a contraofensiva conservadora no país nos impôs uma profunda derrota ao cassar o legitimo mandato da Presidenta Dilma e, que,  mais recentemente, tenta criminalizar um dos maiores líderes populares da história brasileira, o Presidente Lula, é natural e necessário um profundo balanço de nossa trajetória, erros e acertos, Ainda mais importante, definir rumos estratégicos que nosso Partido deverá seguir no novo período histórico que vivemos no país, na América Latina e no mundo. Recentemente explicitamos essa nossa opinião sobre o então Encontro Extraordinário.  Como diz o Presidente Lula: vamos reconstruir a possibilidade de que as pessoas possam sonhar de novo.
A CNB, tendência interna do PT, já vínhamos discutindo internamente a necessidade de , ao mesmo tempo em que fazemos esse balanço e discussão das perspectivas estratégicas para o futuro, fazer culminar esse processo com a eleição de novas direções partidárias em todos os níveis, do zonal/municipal ao nacional. Esse é o caminho natural  em um partido de esquerda:  um processo de balanço e de definições de nova estratégia deve ser seguido pela eleição de  novas direções em todos o níveis.
Como agora trata-se de um Congresso, que inclusive pode ter como pauta alterações organizativas e estatutárias, desde que assim convocado e com a devida transparência,  teremos a oportunidade e o dever de refletir e debater sobre quais as mudanças organizativas que devemos fazer em nosso Partido.  
Temas tais como por exemplo, aprofundar a participação dos/as filiados/as, aprofundar a democracia interna combatendo os  métodos de direção pouco coletivos, criar  novos mecanismos e formas  de participação e organização junto a juventude brasileira para que se sinta atraída para a militância partidária,   tornar relevantes internamente os debates que faz a intelectualidade progressista de nosso país, combinar melhor a atuação institucional de nossos parlamentares e governos  com a mobilização e organização do partido desde a base, dentre outros.
O PT está organizado em 5.038 municípios brasileiros (3.948 Diretórios Municipais e 1.090 Comissões Provisórias) o que representa 90% dos municípios brasileiros. De longe, é o partido mais enraizado no país, e hoje possui 1.765.624 filiados.  Apesar de todo o ataque e do cerco midiático-judicial que vem sofrendo, o PT cresce em número de filiações. Para se ter uma ideia da importância e força do PT, em   2015, ano que o Partido sofreu o maior ataque, mais de 49.000 mil pessoas se filiaram ao PT, contra 23.000 desfiliações e em 2016, até julho, 23 mil pessoas se filiaram ao PT, enquanto, 9 mil se desfiliaram. Isto significa durante este período de ataque para cada pessoa que deixa o PT, duas entram no lugar.
Se já dizíamos que é esse o conjunto do Partido que deveria  ser profundamente envolvido no debate do nosso Encontro Extraordinário, mais ainda na realização do VI Congresso. Não será um momento qualquer, ou mais um congresso partidário com baixa participação de uma militância aguerrida que vem lutando  contra o golpe, que se organiza ao mesmo tempo para as disputas municipais, que luta em defesa de Lula e do PT,  tendo sempre no horizonte a construção de uma nova sociedade.
Entretanto, não podemos concordar com aqueles que, derrotados há quinze meses atrás no Congresso de Salvador, venham outra vez re-colocar, e ao que parece,  no centro do debate congressual , a questão de se rever as Diretas do PT para  eleição das  direções partidárias. O que mudou nos últimos quinze meses que exija diminuir a participação direta dos filiados na eleição das direções partidárias? Muito pelo contrário, para enfrentar o golpismo presente na sociedade brasileira, é preciso mais democracia, mais participação direta! Não é à toa que, em resposta ao golpe, nosso partido unanimemente encampou a bandeira das Diretas Já.
Recuperando a história, em 2005, primeiro ano  das tentativas de golpe contra o Governo Lula e contra o PT, foi a participação de cerca de 315 mil filiados nas Eleições Diretas do PT em novembro daquele ano que deu uma vigorosa resposta de nossa militância àqueles que diziam querer “exterminar nossa raça”.  Em 2013, quando,  para alguns articulistas da grande imprensa, as mobilizações de junho colocavam em dúvida a capacidade de mobilização do partido, mais de 420 mil pessoas participaram das Diretas do PT. Em 2017, os quase 2 milhões de  filiados e filiadas  do nosso partido com certeza darão a mesma forte, corajosa e vigorosa resposta àqueles que querem criminalizar o PT, querem cassar o registro partidário, querem impedir que Lula seja candidato.
Aliás, é bom lembrar que, dos atuais 1.765.624 filiados , mais de 1.500.000 se filiaram de  2001 (inclusive) para cá, ano em que realizamos as primeiras Eleições Diretas dentro do PT. O que dizer para 83% de nossos filiados pós 2000 que agora eles não tem mais o direito de votar diretamente nas suas direções?  
              Quando o PT realizou  as primeiras Diretas do PT , em 2001, foi destaque em todos os partidos de esquerda do mundo.  A concepção que está subjacente ao fim das Diretas do PT é retirar  o direito de voto de um filiado ter o mesmo valor do  voto do chamado capa preta . Hoje os filiados votam nas direções  e presidentes locais, estaduais e nacional. Com o fim das Diretas do PT, o filiado só votaria na sua direção local, ficando a nobre tarefa de eleger a direção estadual aos iluminados do estado, e apenas os nobres, nobilíssimos ungidos  escolheriam a direção e o presidente nacional. Dessa maneira, teríamos 3 tipos de filiados:  1- aquele  que só pode decidir o destino do PT no seu Município ; 2- os semi- iluminados que  podem decidir no Município e no Estado, e 3- a nobre casta que tem a sabedoria para decidir os/as dirigentes  do PT em nível municipal, estadual e nacional.
Os defensores do Fim das Diretas do PT argumentam que esse processo das diretas no PT  dificulta a construção da uma necessária unidade interna que devemos buscar, por que se cristalizariam as diferenças ao longo do processo. De que unidade estamos falando? Os mais velhos devem lembrar-se de como ocorriam os processos eleitorais congressuais do PT, com um pequeno grupo de “caciques” das tendências enfurnado em alguma sala negociando a chapa enquanto corria o debate no plenário do Congresso. É dessa unidade que precisamos?
Como falar de unidade se, quinze meses depois de um congresso,  especificamente convocado para isso , que reafirmou   as Diretas no PT com cerca  de 65% dos votos, reaparece o mesmíssimo debate e mesmíssima proposta de Fim das Diretas do PT? Alguém tem dúvida de que isso  pode tornar-se  o principal debate do PT nesse Congresso, deixando de lado as importantes reflexões de balanço e definições de nova estratégia tão necessários ao Partido?
A unidade de que precisamos deve ser construída a partir do debate politico, do franco e fraterno confronto de idéias ( e não confronto de pessoas ou cargos que ocupem), não de um mecanismo artificial de construção de uma chapa para direção nas salas escuras dos bastidores de um congresso onde se dividem os cargos e posições. A unidade de que precisamos precisa ser construída no dia a dia no partido em todos os níveis, superando o mandonismo, o deslocamento do centro decisório e o esvaziamento das instâncias partidárias. Esses métodos, aliás, além da própria conjuntura complexa para a qual não se vê no horizonte nenhuma resposta totalmente completa de nenhuma parte, são também  responsáveis pelas  dificuldades  das atuais direções.
A unidade de que precisamos deve ser construída a partir de um debate aberto com a nossa militância, aberto aos movimentos sociais, às organizações populares, à intelectualidade, através de mecanismos de tribunas livres no site do PT, de realização de etapas livres, de conferencias abertas com parceiros políticos de outros países, com a participação de nossa militância no exterior e nossa Fundação Partidária a FPA.  
           O PT inovou na esquerda mundial com a construção de um partido de esquerda, socialista, de massas, com um projeto de país e de sociedade que nos permitiu , nos últimos 13 anos, liderar no país a implementação de um projeto democrático-popular cujos números espetaculares atraíram olhares de lideranças e pensadores em todo o mundo.
Um partido que se abre a qualquer brasileiro ou brasileira que  a ele se filie, aderindo ao seu programa e estatutos,  e que queira  contribuir com a construção do partido e de um novo país: homens e mulheres, brancos e não brancos, jovens e adultos, gente do povo que não precisa de uma expressiva conta bancária ou uma família abastada para ter cidadania política e participação nos rumos de seu bairro, cidade, estado ou país. Um partido politico que fez história ao aprovar a paridade  de gênero, as cotas étnico- raciais e de jovens, num claro e decisivo  movimento de resgate e compensação frente à triste herança misógina, escravagista  e autoritária do país, garantindo-lhes espaços de poder no Partido.  Um partido que se nutre dos movimentos sociais e populares sem querer que sejam sua correia de transmissão, ou sua “frente de massas”, dirigido por uma direção plenipotenciária eleita em um congresso plenipotenciário.
 Com a responsabilidade que temos como direção partidária desse grande partido, que liderou um governo que tirou 40 milhões de pessoas da miséria, que colocou o Brasil no protagonismo da cena mundial, não tememos o debate ou o confronto de ideias, mas  tampouco concordamos  que esse congresso se transforme em um ajuste interno de contas fratricida e  desagregador , cujo principal debate é o mesmo de 15 meses atrás, como se não tivéssemos um golpe e um governo neoliberal a combater.
Para estar à altura do povo brasileiro, do legado de nossos governos e da militância petista, esse é o desafio!
Diretas Já! Nenhum Direito a Menos!
Fora Temer!

Jorge Coelho e Monica Valente
(militantes da CUT e do  PT , atuais membros da CEN/PT)


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Um bom texto do ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff, Eugênio Aragão.

A semana que passou foi seguramente das mais tristes em minha vida de 57 anos.
Comparo à tristeza do falecimento de um pai maravilhoso que tive, do falecimento de minha amorosa mãe que tanto me ensinou, à prisão injusta e infame de José Genoíno, um dos mais consequentes, consistentes, coerentes e honestos políticos que conheci na minha vida e à perda da confiança que depositei no atual procurador-geral da república, que mostrou não ter o tamanho e a coragem que pensei que tivesse quando movi montanhas para auxiliar em sua indicação.

A cassação ignóbil do mandato popular de Dilma à traição, para satisfazer a ganância, a ambição desmedida e o ódio pelo que ela e seu governo significam para uma corja de politiqueiros desqualificados lembra-me a paixão de Cristo, traído por seu discípulo por dinheiro, entregue ao ódio de Caifás, o sumo sacerdote de Jerusalém, e deixado à própria sorte por Pôncio Pilatos, que o fez crucificar ao lado de bandidos.

Nos dias atuais, é o STF e o PGR que assumem o papel de Pilatos. Não mexeram um dedo para poupar uma pessoa que sabiam inocente, honesta, corajosa e sem qualquer compromisso com a bandidagem que diariamente a chantageava.

Pelo contrário: praticaram verdadeiro populismo judicial ao manejarem um inquérito fajuto por obstrução de justiça contra si às vésperas da votação da admissibilidade do processo pelo senado, para misturá-la aos bandidos aos quais nunca deu trégua como governante.

No governo, vi como usavam vazamentos de depoimentos que comprometiam a governabilidade, muitos sem qualquer substância jurídica. Vazamentos seletivos, em momentos calculados, que só se destinavam a colocar gasolina na fogueira.

Depois, quando houve um "descontrole" do noticiário alimentado pelos vazamentos seletivos a atingir atores do outro lado do rio, passou a haver a indignação seletiva de quem antes aplaudia vazamentos contra inimigos.

Finalmente, ao se dar o nefasto resultado da condenação da presidenta, com a esperta exclusão da pena de perda dos direitos políticos, passou-se a urdir a seletividade da aplicação da doutrina já previamente estabelecida na obra dos algozes de Dilma...

Isso, definitivamente, não é justiça, é um circo, um show do ratinho para animar os canalhas e os que são providos de dois ou menos neurônios apenas.

Mas domingo o sol voltou a raiar entre as espessas nuvens. A manifestação de mais de 100.000 cidadãos corajosos que não se deixaram intimidar pelo aparato golpista alimentou-me com a esperança por dias melhores.

Como disse Dilma ao se despedir por ora, VOLTAREMOS. E não esperem os mesmos erros. Aprendemos que conchavo com o inimigo de classe só pode levar a isso: traição, descompromisso com a causa pública e pilhagem do patrimônio que é de todos nós.

Não haverá perdão aos omissos e aos traidores, a história será severa em seu julgamento que começa agora. Serão reconhecidos, sim, os que lutaram e resistiram sem pensar na causa própria, os que se imolaram pela democracia.

E cabe a cada um de nós zelar com carinho e honestidade por essa narrativa, que não é nossa, mas do povo brasileiro, que teve seu voto pisoteado com sapatos Salamander e Gucci de políticos corruptos, como em 1964 pisotearam-nos com os coturnos de militares feitos instrumentos dessa mesma casa grande.

Avante Brasil, perdemos uma batalha, mas não a Guerra e eles terão seu Estalingrado mais cedo ou mais tarde, porque somos muitos e temos a vontade de projetar este País à posição das grandes nações do mundo e não reduzi-lo a um anão feito marionete dos grandes.

(Postado por Emanoel Messias, que admira a lealdade, sabedoria, honestidade e coragem do autor).

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Carlos Araújo, ex-marido da presidenta: "O PT quer se ver livre da Dilma"

(O advogado Carlos Araújo em sua casa em Porto Alegre. Reparem na foto do Che com Jango atrás)
Ao entrar na simpática casa do advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo à beira do rio Guaíba, conto que, na primeira vez que estive em Porto Alegre, em 1988, ele era candidato a prefeito pelo PDT. E que, por algum destes mistérios da memória, nunca esqueci o jingle de sua campanha, que cantarolo: “Carlos Araújo é pra valer/Araújo e Carrion é o PDT/Carlos Araújo vem na frente/Depois é o Brizola presidente”. Ele ri gostosamente e diz que a musiquinha realmente pegou e que até hoje, quase 30 anos depois, muita gente, como eu, a sabe de cor.
Carlos Araújo perdeu aquela eleição para Olivio Dutra e o gaúcho Leonel Brizola nunca se tornou presidente. Quem chegou ao poder foi a ex-mulher de Carlos, Dilma Vana Rousseff. O advogado e a presidenta eleita do Brasil militaram juntos na resistência à ditadura, formaram um casal durante 25 anos e do relacionamento nasceu a única filha de Dilma, Paula. Mesmo separados, Dilma e Carlos continuam amicíssimos, e o ex-marido tem sido, ao longo dos anos, um dos principais confidentes da presidenta.
Na última quinta-feira, Carlos Araújo falou ao blog sobre o golpe que arrancou Dilma do poder, que diz estar enfrentando, como a ex-mulher, com uma “indignação serena”, mas sem ilusões. “É irreversível”. Carlos opina que as elites estão “dando um tiro no pé” e vão se arrepender de impichar Dilma. O ex-marido de Dilma também faz duras críticas ao PT por ter, afirma, abandonado a presidenta. “O PT nunca suportou a Dilma. Quer se ver livre dela para atribuir a ela todos os problemas que estão enfrentando.” Leia.
Socialista Morena – Durante muitos anos a Dilma foi “a mulher do Carlos” e hoje você se tornou “o ex-marido da Dilma”. Como foi para você essa inversão?
Carlos Araújo – Eu não ligo para isso. Primeiro, fico muito orgulhoso da Dilma ter tido toda essa ascensão política, muito justa, por sinal. Me orgulha, não me atinge em nada, muito pelo contrário. Me comove. É normal isso na vida, não vejo nada de excepcional. Nós sempre fomos parceiros, como somos até hoje.
Não foi a separação que acabou com essa parceria.
CA – Não, nós somos parceiros. A Dilma nos últimos tempos vem todos os finais de semana para cá, almoça sábado e domingo, se dá muito bem com a minha mulher… A gente é parceiro e parceiro taí para isso, para ajudar o outro em qualquer circunstância.
Como que você está vivendo este momento? Qual que é o teu principal sentimento hoje?
CA – O principal sentimento é de indignação com esse crime que estão fazendo com a Dilma, é uma coisa absurda. A Dilma, que não tem nada contra ela, é julgada por um bando de ladrões, vigaristas e pessoas sem escrúpulos. Essa é a inversão dos fatores, uma coisa inacreditável. O New York Times publicou uma matéria longa dizendo exatamente isso, é inconcebível. A história vai marcar isso e pode ser ainda na nossa era. Dois sentimentos ao menos haverá: o de que a Dilma foi o único presidente que deixou apurar tudo, nunca protegeu ninguém, nunca impediu nenhuma investigação. Isso nunca tinha havido. E o segundo é que ela manteve sempre essa postura de dignidade, correta. Ficam inventando formalismos para poder justificar o injustificável. Minha atitude é de indignação, mas é serena, porque a gente sabe que isso faz parte do processo. E a indignação renova nossas energias.
O poder econômico se voltou contra ela, não é?
CA – Em parte. O Trabuco e o pessoal do Itaú a apoiaram, mesmo nessa crise. Quem se voltou contra ela, e essa é uma questão que o Brasil tem que examinar, foi a Fiesp. Foi a Fiesp quem comandou isso aí tudo. A Fiesp vem sendo um baluarte reacionário desde 1932. Por ali que passam as coisas mais reacionárias e também mais indignas. Veja que a Fiesp foi uma das principais financiadoras doDOI-Codi, hoje todo mundo sabe, está provado. E a Fiesp continua nessa marcha. E quem é a Fiesp? Um antro de corruptos. Agora mesmo foi revelado que um de seus diretores há 30 anos está devendo 6 bilhões à União e não vai pagar.
Em 1989, a Fiesp também jogou um papel importante na derrota do Lula…
CA – Sim, dizia que mil empresários iam deixar o Brasil se Lula ganhasse. Então a Fiesp hoje no Brasil é o símbolo do conservadorismo e de comportamentos indignos. Uma grande parte da burguesia nacional vai se arrepender do que fez. Se eles levarem adiante o arrocho que querem fazer –acho que não vão conseguir, toda essa questão da reforma trabalhista, o arrocho salarial, isso aí tudo vai mostrar à própria burguesia que deram um tiro no pé. Vai restringir o mercado interno incrivelmente e sem mercado interno nossas elites não têm como prosperar, a base é aqui dentro, mesmo. Hoje não tem mais aquele capitalismo concebido por Getúlio Vargas, que tinha base neste aspecto social e que foi apoiado na época pelos grandes empresários brasileiros, Ermírio de Moraes, Matarazzo, e grandes banqueiros também, que tinham uma visão de desenvolvimento mais autônoma. Hoje não tem mais isso, a não ser pequenos setores. Hoje eles estão por aí para o que der e vier, querem ganhar dinheiro não interessa aonde, se é aqui ou nas ilhas Cayman. De certa forma, para as elites brasileiras hoje também está faltando projeto, porque este projeto neoliberal não é um projeto delas, é contra elas. Podem até ter ilusão que é favorável, mas é um projeto que é construído e dirigido pelos grandes conglomerados internacionais.
É um projeto para quem especula na bolsa.
CA – Exato, para o capital especulativo. Quem produz vai acabar sofrendo. Então acho que eles estão dando um tiro no pé. Tem um componente ideológico na Fiesp que explica isso, não é um componente econômico. É o anti-povo, o que não quer colocar em risco nenhum privilégio. Acho que é um equívoco, agora mesmo, com essa gangue que está no governo as pessoas mais corruptas do Brasil estão no governo, a maioria está ali. Veja o que estão fazendo: acabar com o Mercosul, uma vergonha, um projeto fundamental para nós, nossa autonomia internacional. E não duvido que saiam do Brics. Entrega total ao capital internacional, absoluta. O Serra é isso aí. Mas o grande complicador é que tem eleição daqui a dois anos. Todos nós sabemos que Aécio é candidato, irreversível porque domina a estrutura do PSDB; Alckmin vai sair do PSDB e concorrer pelo PSB; e o Serra está negociando com o PMDB para ser o candidato do PMDB, por isso botaram ele ali, para ter uma vitrine.
O Serra pode até sair com o Temer de novo como vice, né?
CA – Sim, pode. Mas é uma dificuldade muito grande que eles têm, superar isso, é impossível eles fazerem uma aliança, tamanho é o ódio, principalmente entre o Aécio e o Alckmin. Veja agora na eleição para prefeito de São Paulo o que eles fizeram. Essa questão vai estar presente em todos os atos daqui a dois anos. E tem a questão do Lula, se deixarem o Lula solto é capaz de ele ganhar a eleição, com toda essa carga negativa que o PT tem.
Mas você acha que Lula vai mesmo ser candidato ou vai apoiar o Ciro?
CA – Tenho certeza que Lula vai se candidatar se deixarem. Se não deixarem, ele apoia o Ciro. Mas Lula já declarou que quer ser candidato.
Uma das questões que não se comentam nessa história da Dilma é ela ficar inelegível por 8 anos. Uma pessoa que não cometeu crime algum!
CA – Eu vejo que a sociedade vai compreender essa injustiça mais rápido do que se pensa. Na eleição, já agora, vai ser difícil de explicar: como é que este monte de ladrões, vigaristas, estão julgando uma pessoa séria, honesta? Como explicar isso? Cada dia que passa, Dilma recupera mais o seu prestígio. E acho que muito do prestígio dela caiu por conta de uma incompreensão da sociedade sobre o tamanho da crise. Não era um ato dela, era a crise mesmo. Vai demorar essa crise para sair, não se sai assim de uma crise dessas. A Europa já está no mínimo há oito anos na crise e não consegue sair. A Dilma vai acabar sendo prestigiada no fim dessa história toda. Tenho convicção disso. Ela vai ser um marco de pessoa injustiçada, como Jango. Não na dimensão de Getúlio, porque ninguém nunca vai se igualar a ele, mas semelhante.
O PT está dando o apoio devido a Dilma?
CA – Não. O PT está tentando fugir de sua responsabilidade, é vergonhoso isso. Quer atribuir a Dilma todos os problemas dele. Tudo que houve com ele, parece que não houve, é só por causa da Dilma que está mal. Quando a questão é inversa: o PT está mal pelos atos que cometeu, não puniu ninguém, não tomou atitudes, providências em relação aos bandidos que tinha dentro do partido, na direção do partido. Uma bandidagem. Tem que fazer um mea culpa e levar às últimas consequências, explicar para a sociedade, deve explicações para a sociedade. E, diante disso, trataram a Dilma muito mal, desde que começou esse rolo aí, sempre trataram mal.
Acho que vem de mais para trás, eles não queriam a Dilma candidata, não é?
CA – Não, embora não tivessem candidato. Eles não queriam a Dilma, mas não tinham candidato. Porque o único candidato que se apresentava eles também não queriam, que era o Tarso Genro. E na reeleição não queriam ela de jeito nenhum, mas não conseguiram se opor porque a Dilma tinha índices de apoio muito elevados. E agora mesmo lidam muito mal com as divergências com a Dilma. É natural que haja divergências entre o governo e o partido, mas tem que saber tratar a questão.
Por exemplo.
CA – A questão do plebiscito. A Dilma lança uma proposta, pode até ser equivocada, mas o partido tem que tratar adequadamente, não tem que chegar e dizer: “somos contra”. Parece que é um inimigo. Tem que tratar a questão, trabalhar, ver como é. O PT tem que perder um pouco daquela arrogância que ele sempre teve, desde a sua origem. O PT sempre foi muito arrogante, dono da verdade. E isso num certo tempo diminuiu bastante, quando o Lula estava no poder. Agora, acossado, a arrogância retornou.
Dilma está muito sozinha neste momento?
CA – Muito sozinha, muito abandonada. Conta com meia dúzia de pessoas ali que apoiam ela, dão força. O PT não faz nada para apoiá-la. O Lula apoia, tem dado força, mas o resto não. Querem se ver livres dela, que vá para longe. Para atribuir a ela, querem atribuir a ela todos os problemas que estão enfrentando. Um verdadeiro absurdo. Uma cúpula cheia de ladrões que o PT tem, roubaram uma enormidade e ninguém é culpado, ninguém é punido, ninguém faz nada? Como é que pode? Como pode ser respeitado pela sociedade? Não pode.
Tinham tudo para fazer a reforma política quando Lula estava no poder e resolveram passar a agir igual aos outros partidos.
CA – Tinha que ter aprofundado aquilo ali, tinha que ter aproveitado aquela força, botado o povo na rua para fazer isso aí. Na verdade, talvez não desse, mas eu acho que isso é uma lição muito grande. Essa é uma nova forma de golpe, o golpe parlamentar. Então um partido de esquerda que vá para o governo, isso aí deixou para nós uma lição, ele tem que desde o início se apoiar no povo, botar o povo na rua. Chamar o povo, chamar o povo. Getúlio fazia isso: quando apertavam as coisas, fazia um baita comício no campo do Vasco da Gama, para explicar para a população. Um partido de esquerda que vá pro governo no mundo inteiro hoje tem que fazer isso, senão vão derrubar. É uma coisa que pode ocorrer em qualquer país onde o presidente não tenha base parlamentar, inventam uma coisa qualquer de impeachment e fica por isso. Partido de esquerda não governa sem o povo na rua, sem o povo apoiando, sem entender o que está acontecendo, sem explicar sempre as coisas para a população.
Qual a sua expectativa para segunda-feira, quando a presidenta Dilma for ao Senado?
CA – Nenhuma. Zero.
É irreversível?
CA – Acho irreversível. Mas acho que a Dilma fez muito bem em ir lá se defenderdefender entre aspas, né? Defender de quê? Mas sobretudo ela fez bem em dizer que responde a qualquer pergunta que queiram fazer.
E vai causar algum constrangimento nos golpistas a presença dela lá.
CA – Esse pessoal não tem constrangimento nenhum. Eles não têm mais isso, já passou. O capitalismo hoje é muito diferente de 50 anos atrás. Toda a sociedade quando começa a chegar no seu crepúsculo os primeiros valores que desaparecem são seus valores éticos. Não estou dizendo que o capitalismo vai desaparecer daqui a 100, 500 anos. Estou dizendo que ele começou a sua marcha para o crepúsculo. Quais são os sintomas disso? Qual o maior setor de ponta hoje na indústria? A indústria aeroespacial. O Obama já declarou que não vai fabricar mais nada porque o governo não tem dinheiro para colocar mais nada. Se o privado quiser fazer, que faça. O americano só vai para o espaço hoje em nave russa ou chinesa. Ou seja, o que quer dizer isso aí? Que hoje as relações de produção dos EUA, de propriedade, estão travando o processo. Os EUA não são líderes em nenhum setor de ponta hoje. Para que interessa os EUA para a humanidade hoje? Interessa muito como mercado de consumo, é um mercado de consumo excepcional.
Assim como o Brasil…
CA – Exatamente. Então os EUA interessam para isso, mas não estão puxando mais nada e não sabem lidar com as situações também. Não sabem lidar com a China direito. Tentam fazer um acordo Pacífico-Pacífico para tentar bloquear a China, quando devem 13 trilhões de dólares para a China… Vejo que os EUA cada vez mais terão dificuldades. Quem vai ter mais desenvolvimento será a China e a Rússia, quer se queira ou não. 
carlosaraujo2
E o papel da mídia nisso tudo? Ela também foi uma grande inimiga da Dilma.
CA – É verdade, essa mídia é a mesma desde 1930, não mudou nada. Eles massacraram Getúlio também. Agora veja o seguinte: a mídia é isso aí, tem toda essa força, mas eu não posso atribuir muito valor à mídia. Porque com toda essa mídia aí, eles perderam quatro eleições. Como explicar isso? Perderam quatro eleições com toda essa mídia apoiando eles. São incompetentes? Talvez tenha esse aspecto, mas a gente sabe que quando as correntes são bem conduzidas supera isso.
O povo é mais importante.
CA – Sim. A mídia tem aspectos lastimáveis que são contra o povo, mas ela não resolve. O que resolve é uma política correta, adequada.
Mas eles conseguiram colocar na cabeça das pessoas que a Dilma roubou sem ter roubado…
CA – Tudo bem, mas isso faz parte. Daqui a pouco vai ser esclarecido. Não adianta, a mídia deles fica na mão deles. A gente nunca conseguiu, foi um equívoco muito grande do Lula, ser contra uma mídia própria. Mesmo assim não teria condições de enfrentar essa grande mídia, que é muito mais poderosa.
Dilma volta para o PDT?
CA – Acho que ela fica no PT, mesmo sendo muito vilipendiada. É palpite, nunca conversamos sobre isso. Acho que por causa do Lula, por quem a Dilma é grata, ela continua. Esse sentimento de gratidão a gente tem que ter na vida. Um dos piores sentimentos que existem é a ingratidão.
Mas Lula queria que a Dilma se candidatasse à reeleição ou queria se candidatar no lugar dela?
CA – No dia 31 de dezembro de 2010, a gente estava na Granja do Torto com o Lula e a dona Marisa e veio à baila a reeleição da Dilma. Lula falou: ‘se ela tiver bem avaliada, não há dúvida nenhuma’. Isso eu acho que ele respeitou sempre.
Era o PT quem não queria.
CA – De um modo geral, o PT nunca suportou a Dilma, por essa história de “ela não é nossa desde a origem”. Depois usaram o argumento de que, no governo, ela não valorizava o partido. Mas era preconceito, o PT é muito preconceituoso com pessoas que não são afinadas com certas práticas, certos pensamentos. Ela sempre teve um pensamento autônomo, sempre quebrou o pau e nunca pertenceu a nenhum grupo. Ou seja, estava sujeita a receber bala de tudo que é lado. Ela tinha o poder de escolher sua equipe e escolheu mesmo. Assim como o PT a criticava, ela se sentia autorizada a governar do jeito dela.
Você fala que o PT é preconceituoso, mas e o preconceito das elites com o PT?
CA – É verdade, mas o PT agravou isso com o seu comportamento. O governo Lula e Dilma também beneficiaram muito as elites e por outro lado os despossuídos. Era quase um campesinato que havia antes do PT chegar ao poder no Brasil. E quem se sentiu prejudicado foi a classe média, especialmente a classe média alta. Daí vieram aquelas coisas como “aeroporto parece rodoviária”, “as cotas baixaram o nível da universidade”… Estes espaços eram territórios dessa classe média, espaços que achavam que eram dela e que não queriam dividir. Deveria ter se olhado mais para essa classe média.
E os erros da Dilma, quais foram?
CA – A Dilma cometeu equívocos no final do primeiro governo e no início do segundo. A exoneração da folha, por exemplo, na tentativa de ter mais dinheiro para investimento, quando não passava por aí. A forma como ela fez hoje se vê que não foi acertada.
Você falou isso para ela? Uma das críticas que se fazia a Dilma era que não aceitava conselho de ninguém.
CA – Sou amigo, confidente, não sou conselheiro dela nem nada. E aceitar conselhos do time que estava por perto dela talvez não fosse muito conveniente…
Escolher Joaquim Levy para a Fazenda não foi um erro?
CA – O Levy foi uma tentativa dela, equivocada, de superar a crise o mais rápido possível. O que Dilma tinha de ter feito era se dirigir ao povo, pedir a ajuda do povo para mexer em algumas coisas. O Levy foi uma tentativa ilusória.
O que nos espera daqui para a frente?
CA – Muita luta, se nós quisermos transformações. Temos uma grande liderança que é o Lula e as cartas têm de ser jogadas com ele. Esse negócio de partido ideológico nunca existiu. O que existiu foram líderes. Churchill, De Gaulle, Lenin, foram os porta-vozes da ideologia. O povo trabalhador é uma coisa inacreditável, o líder emerge, sempre foi assim. É preciso também formar quadros para que o líder tenha um grupo em torno dele que o ajude a pensar.
A esquerda na América Latina acabou, como defende a direita?
CA – Não acredito, a esquerda é muito sólida na América Latina. Eles vão tentar, mas não vão conseguir. O Sanders nos EUA é uma prova, ele vai formar um partido de esquerda lá. É típico das fases de crise do capitalismo que a direita apresente propostas de cunha popular, mas esse espaço é limitado, embora significativo. Onde a direita tem uma história de fato é na Áustria. Nos demais países, alcança 30%, mas não passa disso. Por que a direita não existe no Nordeste? Porque onde tem uma luta mais intensa pela sobrevivência, a direita não tem proposta, é preciso ter uma política social e a direita não tem uma política social a apresentar.
Se Dilma vai passar à história como uma pessoa injustiçada, como ficará Temer?
CA – Como um golpista traidor e será execrado. É um Joaquim Silvério dos Reis da era moderna.
*A jornalista Cynara Menezes viajou a Porto Alegre a convite da militância do PT no Rio Grande do Sul para participar de um debate sobre as redes sociais.

Carlos Araújo, ex-marido da presidenta: "O PT quer se ver livre da Dilma"

(O advogado Carlos Araújo em sua casa em Porto Alegre. Reparem na foto do Che com Jango atrás)
Ao entrar na simpática casa do advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo à beira do rio Guaíba, conto que, na primeira vez que estive em Porto Alegre, em 1988, ele era candidato a prefeito pelo PDT. E que, por algum destes mistérios da memória, nunca esqueci o jingle de sua campanha, que cantarolo: “Carlos Araújo é pra valer/Araújo e Carrion é o PDT/Carlos Araújo vem na frente/Depois é o Brizola presidente”. Ele ri gostosamente e diz que a musiquinha realmente pegou e que até hoje, quase 30 anos depois, muita gente, como eu, a sabe de cor.
Carlos Araújo perdeu aquela eleição para Olivio Dutra e o gaúcho Leonel Brizola nunca se tornou presidente. Quem chegou ao poder foi a ex-mulher de Carlos, Dilma Vana Rousseff. O advogado e a presidenta eleita do Brasil militaram juntos na resistência à ditadura, formaram um casal durante 25 anos e do relacionamento nasceu a única filha de Dilma, Paula. Mesmo separados, Dilma e Carlos continuam amicíssimos, e o ex-marido tem sido, ao longo dos anos, um dos principais confidentes da presidenta.
Na última quinta-feira, Carlos Araújo falou ao blog sobre o golpe que arrancou Dilma do poder, que diz estar enfrentando, como a ex-mulher, com uma “indignação serena”, mas sem ilusões. “É irreversível”. Carlos opina que as elites estão “dando um tiro no pé” e vão se arrepender de impichar Dilma. O ex-marido de Dilma também faz duras críticas ao PT por ter, afirma, abandonado a presidenta. “O PT nunca suportou a Dilma. Quer se ver livre dela para atribuir a ela todos os problemas que estão enfrentando.” Leia.
Socialista Morena – Durante muitos anos a Dilma foi “a mulher do Carlos” e hoje você se tornou “o ex-marido da Dilma”. Como foi para você essa inversão?
Carlos Araújo – Eu não ligo para isso. Primeiro, fico muito orgulhoso da Dilma ter tido toda essa ascensão política, muito justa, por sinal. Me orgulha, não me atinge em nada, muito pelo contrário. Me comove. É normal isso na vida, não vejo nada de excepcional. Nós sempre fomos parceiros, como somos até hoje.
Não foi a separação que acabou com essa parceria.
CA – Não, nós somos parceiros. A Dilma nos últimos tempos vem todos os finais de semana para cá, almoça sábado e domingo, se dá muito bem com a minha mulher… A gente é parceiro e parceiro taí para isso, para ajudar o outro em qualquer circunstância.
Como que você está vivendo este momento? Qual que é o teu principal sentimento hoje?
CA – O principal sentimento é de indignação com esse crime que estão fazendo com a Dilma, é uma coisa absurda. A Dilma, que não tem nada contra ela, é julgada por um bando de ladrões, vigaristas e pessoas sem escrúpulos. Essa é a inversão dos fatores, uma coisa inacreditável. O New York Times publicou uma matéria longa dizendo exatamente isso, é inconcebível. A história vai marcar isso e pode ser ainda na nossa era. Dois sentimentos ao menos haverá: o de que a Dilma foi o único presidente que deixou apurar tudo, nunca protegeu ninguém, nunca impediu nenhuma investigação. Isso nunca tinha havido. E o segundo é que ela manteve sempre essa postura de dignidade, correta. Ficam inventando formalismos para poder justificar o injustificável. Minha atitude é de indignação, mas é serena, porque a gente sabe que isso faz parte do processo. E a indignação renova nossas energias.
O poder econômico se voltou contra ela, não é?
CA – Em parte. O Trabuco e o pessoal do Itaú a apoiaram, mesmo nessa crise. Quem se voltou contra ela, e essa é uma questão que o Brasil tem que examinar, foi a Fiesp. Foi a Fiesp quem comandou isso aí tudo. A Fiesp vem sendo um baluarte reacionário desde 1932. Por ali que passam as coisas mais reacionárias e também mais indignas. Veja que a Fiesp foi uma das principais financiadoras doDOI-Codi, hoje todo mundo sabe, está provado. E a Fiesp continua nessa marcha. E quem é a Fiesp? Um antro de corruptos. Agora mesmo foi revelado que um de seus diretores há 30 anos está devendo 6 bilhões à União e não vai pagar.
Em 1989, a Fiesp também jogou um papel importante na derrota do Lula…
CA – Sim, dizia que mil empresários iam deixar o Brasil se Lula ganhasse. Então a Fiesp hoje no Brasil é o símbolo do conservadorismo e de comportamentos indignos. Uma grande parte da burguesia nacional vai se arrepender do que fez. Se eles levarem adiante o arrocho que querem fazer –acho que não vão conseguir, toda essa questão da reforma trabalhista, o arrocho salarial, isso aí tudo vai mostrar à própria burguesia que deram um tiro no pé. Vai restringir o mercado interno incrivelmente e sem mercado interno nossas elites não têm como prosperar, a base é aqui dentro, mesmo. Hoje não tem mais aquele capitalismo concebido por Getúlio Vargas, que tinha base neste aspecto social e que foi apoiado na época pelos grandes empresários brasileiros, Ermírio de Moraes, Matarazzo, e grandes banqueiros também, que tinham uma visão de desenvolvimento mais autônoma. Hoje não tem mais isso, a não ser pequenos setores. Hoje eles estão por aí para o que der e vier, querem ganhar dinheiro não interessa aonde, se é aqui ou nas ilhas Cayman. De certa forma, para as elites brasileiras hoje também está faltando projeto, porque este projeto neoliberal não é um projeto delas, é contra elas. Podem até ter ilusão que é favorável, mas é um projeto que é construído e dirigido pelos grandes conglomerados internacionais.
É um projeto para quem especula na bolsa.
CA – Exato, para o capital especulativo. Quem produz vai acabar sofrendo. Então acho que eles estão dando um tiro no pé. Tem um componente ideológico na Fiesp que explica isso, não é um componente econômico. É o anti-povo, o que não quer colocar em risco nenhum privilégio. Acho que é um equívoco, agora mesmo, com essa gangue que está no governo as pessoas mais corruptas do Brasil estão no governo, a maioria está ali. Veja o que estão fazendo: acabar com o Mercosul, uma vergonha, um projeto fundamental para nós, nossa autonomia internacional. E não duvido que saiam do Brics. Entrega total ao capital internacional, absoluta. O Serra é isso aí. Mas o grande complicador é que tem eleição daqui a dois anos. Todos nós sabemos que Aécio é candidato, irreversível porque domina a estrutura do PSDB; Alckmin vai sair do PSDB e concorrer pelo PSB; e o Serra está negociando com o PMDB para ser o candidato do PMDB, por isso botaram ele ali, para ter uma vitrine.
O Serra pode até sair com o Temer de novo como vice, né?
CA – Sim, pode. Mas é uma dificuldade muito grande que eles têm, superar isso, é impossível eles fazerem uma aliança, tamanho é o ódio, principalmente entre o Aécio e o Alckmin. Veja agora na eleição para prefeito de São Paulo o que eles fizeram. Essa questão vai estar presente em todos os atos daqui a dois anos. E tem a questão do Lula, se deixarem o Lula solto é capaz de ele ganhar a eleição, com toda essa carga negativa que o PT tem.
Mas você acha que Lula vai mesmo ser candidato ou vai apoiar o Ciro?
CA – Tenho certeza que Lula vai se candidatar se deixarem. Se não deixarem, ele apoia o Ciro. Mas Lula já declarou que quer ser candidato.
Uma das questões que não se comentam nessa história da Dilma é ela ficar inelegível por 8 anos. Uma pessoa que não cometeu crime algum!
CA – Eu vejo que a sociedade vai compreender essa injustiça mais rápido do que se pensa. Na eleição, já agora, vai ser difícil de explicar: como é que este monte de ladrões, vigaristas, estão julgando uma pessoa séria, honesta? Como explicar isso? Cada dia que passa, Dilma recupera mais o seu prestígio. E acho que muito do prestígio dela caiu por conta de uma incompreensão da sociedade sobre o tamanho da crise. Não era um ato dela, era a crise mesmo. Vai demorar essa crise para sair, não se sai assim de uma crise dessas. A Europa já está no mínimo há oito anos na crise e não consegue sair. A Dilma vai acabar sendo prestigiada no fim dessa história toda. Tenho convicção disso. Ela vai ser um marco de pessoa injustiçada, como Jango. Não na dimensão de Getúlio, porque ninguém nunca vai se igualar a ele, mas semelhante.
O PT está dando o apoio devido a Dilma?
CA – Não. O PT está tentando fugir de sua responsabilidade, é vergonhoso isso. Quer atribuir a Dilma todos os problemas dele. Tudo que houve com ele, parece que não houve, é só por causa da Dilma que está mal. Quando a questão é inversa: o PT está mal pelos atos que cometeu, não puniu ninguém, não tomou atitudes, providências em relação aos bandidos que tinha dentro do partido, na direção do partido. Uma bandidagem. Tem que fazer um mea culpa e levar às últimas consequências, explicar para a sociedade, deve explicações para a sociedade. E, diante disso, trataram a Dilma muito mal, desde que começou esse rolo aí, sempre trataram mal.
Acho que vem de mais para trás, eles não queriam a Dilma candidata, não é?
CA – Não, embora não tivessem candidato. Eles não queriam a Dilma, mas não tinham candidato. Porque o único candidato que se apresentava eles também não queriam, que era o Tarso Genro. E na reeleição não queriam ela de jeito nenhum, mas não conseguiram se opor porque a Dilma tinha índices de apoio muito elevados. E agora mesmo lidam muito mal com as divergências com a Dilma. É natural que haja divergências entre o governo e o partido, mas tem que saber tratar a questão.
Por exemplo.
CA – A questão do plebiscito. A Dilma lança uma proposta, pode até ser equivocada, mas o partido tem que tratar adequadamente, não tem que chegar e dizer: “somos contra”. Parece que é um inimigo. Tem que tratar a questão, trabalhar, ver como é. O PT tem que perder um pouco daquela arrogância que ele sempre teve, desde a sua origem. O PT sempre foi muito arrogante, dono da verdade. E isso num certo tempo diminuiu bastante, quando o Lula estava no poder. Agora, acossado, a arrogância retornou.
Dilma está muito sozinha neste momento?
CA – Muito sozinha, muito abandonada. Conta com meia dúzia de pessoas ali que apoiam ela, dão força. O PT não faz nada para apoiá-la. O Lula apoia, tem dado força, mas o resto não. Querem se ver livres dela, que vá para longe. Para atribuir a ela, querem atribuir a ela todos os problemas que estão enfrentando. Um verdadeiro absurdo. Uma cúpula cheia de ladrões que o PT tem, roubaram uma enormidade e ninguém é culpado, ninguém é punido, ninguém faz nada? Como é que pode? Como pode ser respeitado pela sociedade? Não pode.
Tinham tudo para fazer a reforma política quando Lula estava no poder e resolveram passar a agir igual aos outros partidos.
CA – Tinha que ter aprofundado aquilo ali, tinha que ter aproveitado aquela força, botado o povo na rua para fazer isso aí. Na verdade, talvez não desse, mas eu acho que isso é uma lição muito grande. Essa é uma nova forma de golpe, o golpe parlamentar. Então um partido de esquerda que vá para o governo, isso aí deixou para nós uma lição, ele tem que desde o início se apoiar no povo, botar o povo na rua. Chamar o povo, chamar o povo. Getúlio fazia isso: quando apertavam as coisas, fazia um baita comício no campo do Vasco da Gama, para explicar para a população. Um partido de esquerda que vá pro governo no mundo inteiro hoje tem que fazer isso, senão vão derrubar. É uma coisa que pode ocorrer em qualquer país onde o presidente não tenha base parlamentar, inventam uma coisa qualquer de impeachment e fica por isso. Partido de esquerda não governa sem o povo na rua, sem o povo apoiando, sem entender o que está acontecendo, sem explicar sempre as coisas para a população.
Qual a sua expectativa para segunda-feira, quando a presidenta Dilma for ao Senado?
CA – Nenhuma. Zero.
É irreversível?
CA – Acho irreversível. Mas acho que a Dilma fez muito bem em ir lá se defenderdefender entre aspas, né? Defender de quê? Mas sobretudo ela fez bem em dizer que responde a qualquer pergunta que queiram fazer.
E vai causar algum constrangimento nos golpistas a presença dela lá.
CA – Esse pessoal não tem constrangimento nenhum. Eles não têm mais isso, já passou. O capitalismo hoje é muito diferente de 50 anos atrás. Toda a sociedade quando começa a chegar no seu crepúsculo os primeiros valores que desaparecem são seus valores éticos. Não estou dizendo que o capitalismo vai desaparecer daqui a 100, 500 anos. Estou dizendo que ele começou a sua marcha para o crepúsculo. Quais são os sintomas disso? Qual o maior setor de ponta hoje na indústria? A indústria aeroespacial. O Obama já declarou que não vai fabricar mais nada porque o governo não tem dinheiro para colocar mais nada. Se o privado quiser fazer, que faça. O americano só vai para o espaço hoje em nave russa ou chinesa. Ou seja, o que quer dizer isso aí? Que hoje as relações de produção dos EUA, de propriedade, estão travando o processo. Os EUA não são líderes em nenhum setor de ponta hoje. Para que interessa os EUA para a humanidade hoje? Interessa muito como mercado de consumo, é um mercado de consumo excepcional.
Assim como o Brasil…
CA – Exatamente. Então os EUA interessam para isso, mas não estão puxando mais nada e não sabem lidar com as situações também. Não sabem lidar com a China direito. Tentam fazer um acordo Pacífico-Pacífico para tentar bloquear a China, quando devem 13 trilhões de dólares para a China… Vejo que os EUA cada vez mais terão dificuldades. Quem vai ter mais desenvolvimento será a China e a Rússia, quer se queira ou não. 
carlosaraujo2
E o papel da mídia nisso tudo? Ela também foi uma grande inimiga da Dilma.
CA – É verdade, essa mídia é a mesma desde 1930, não mudou nada. Eles massacraram Getúlio também. Agora veja o seguinte: a mídia é isso aí, tem toda essa força, mas eu não posso atribuir muito valor à mídia. Porque com toda essa mídia aí, eles perderam quatro eleições. Como explicar isso? Perderam quatro eleições com toda essa mídia apoiando eles. São incompetentes? Talvez tenha esse aspecto, mas a gente sabe que quando as correntes são bem conduzidas supera isso.
O povo é mais importante.
CA – Sim. A mídia tem aspectos lastimáveis que são contra o povo, mas ela não resolve. O que resolve é uma política correta, adequada.
Mas eles conseguiram colocar na cabeça das pessoas que a Dilma roubou sem ter roubado…
CA – Tudo bem, mas isso faz parte. Daqui a pouco vai ser esclarecido. Não adianta, a mídia deles fica na mão deles. A gente nunca conseguiu, foi um equívoco muito grande do Lula, ser contra uma mídia própria. Mesmo assim não teria condições de enfrentar essa grande mídia, que é muito mais poderosa.
Dilma volta para o PDT?
CA – Acho que ela fica no PT, mesmo sendo muito vilipendiada. É palpite, nunca conversamos sobre isso. Acho que por causa do Lula, por quem a Dilma é grata, ela continua. Esse sentimento de gratidão a gente tem que ter na vida. Um dos piores sentimentos que existem é a ingratidão.
Mas Lula queria que a Dilma se candidatasse à reeleição ou queria se candidatar no lugar dela?
CA – No dia 31 de dezembro de 2010, a gente estava na Granja do Torto com o Lula e a dona Marisa e veio à baila a reeleição da Dilma. Lula falou: ‘se ela tiver bem avaliada, não há dúvida nenhuma’. Isso eu acho que ele respeitou sempre.
Era o PT quem não queria.
CA – De um modo geral, o PT nunca suportou a Dilma, por essa história de “ela não é nossa desde a origem”. Depois usaram o argumento de que, no governo, ela não valorizava o partido. Mas era preconceito, o PT é muito preconceituoso com pessoas que não são afinadas com certas práticas, certos pensamentos. Ela sempre teve um pensamento autônomo, sempre quebrou o pau e nunca pertenceu a nenhum grupo. Ou seja, estava sujeita a receber bala de tudo que é lado. Ela tinha o poder de escolher sua equipe e escolheu mesmo. Assim como o PT a criticava, ela se sentia autorizada a governar do jeito dela.
Você fala que o PT é preconceituoso, mas e o preconceito das elites com o PT?
CA – É verdade, mas o PT agravou isso com o seu comportamento. O governo Lula e Dilma também beneficiaram muito as elites e por outro lado os despossuídos. Era quase um campesinato que havia antes do PT chegar ao poder no Brasil. E quem se sentiu prejudicado foi a classe média, especialmente a classe média alta. Daí vieram aquelas coisas como “aeroporto parece rodoviária”, “as cotas baixaram o nível da universidade”… Estes espaços eram territórios dessa classe média, espaços que achavam que eram dela e que não queriam dividir. Deveria ter se olhado mais para essa classe média.
E os erros da Dilma, quais foram?
CA – A Dilma cometeu equívocos no final do primeiro governo e no início do segundo. A exoneração da folha, por exemplo, na tentativa de ter mais dinheiro para investimento, quando não passava por aí. A forma como ela fez hoje se vê que não foi acertada.
Você falou isso para ela? Uma das críticas que se fazia a Dilma era que não aceitava conselho de ninguém.
CA – Sou amigo, confidente, não sou conselheiro dela nem nada. E aceitar conselhos do time que estava por perto dela talvez não fosse muito conveniente…
Escolher Joaquim Levy para a Fazenda não foi um erro?
CA – O Levy foi uma tentativa dela, equivocada, de superar a crise o mais rápido possível. O que Dilma tinha de ter feito era se dirigir ao povo, pedir a ajuda do povo para mexer em algumas coisas. O Levy foi uma tentativa ilusória.
O que nos espera daqui para a frente?
CA – Muita luta, se nós quisermos transformações. Temos uma grande liderança que é o Lula e as cartas têm de ser jogadas com ele. Esse negócio de partido ideológico nunca existiu. O que existiu foram líderes. Churchill, De Gaulle, Lenin, foram os porta-vozes da ideologia. O povo trabalhador é uma coisa inacreditável, o líder emerge, sempre foi assim. É preciso também formar quadros para que o líder tenha um grupo em torno dele que o ajude a pensar.
A esquerda na América Latina acabou, como defende a direita?
CA – Não acredito, a esquerda é muito sólida na América Latina. Eles vão tentar, mas não vão conseguir. O Sanders nos EUA é uma prova, ele vai formar um partido de esquerda lá. É típico das fases de crise do capitalismo que a direita apresente propostas de cunha popular, mas esse espaço é limitado, embora significativo. Onde a direita tem uma história de fato é na Áustria. Nos demais países, alcança 30%, mas não passa disso. Por que a direita não existe no Nordeste? Porque onde tem uma luta mais intensa pela sobrevivência, a direita não tem proposta, é preciso ter uma política social e a direita não tem uma política social a apresentar.
Se Dilma vai passar à história como uma pessoa injustiçada, como ficará Temer?
CA – Como um golpista traidor e será execrado. É um Joaquim Silvério dos Reis da era moderna.
*A jornalista Cynara Menezes viajou a Porto Alegre a convite da militância do PT no Rio Grande do Sul para participar de um debate sobre as redes sociais.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Impeachment sem crime é golpe e eleição indireta, diz Dilma em carta

Em mensagem aos brasileiros, senadores e senadoras, presidenta eleita pede que não seja feita uma injustiça. “Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo”

A presidenta Dilma Rousseff apresentou, nesta terça-feira (16), mensagem dirigida às senadoras, senadores e ao povo brasileiro. Em fala à imprensa no Palácio da Alvorada, ela leu o documento que fala em golpe, destaca a necessidade de fortalecimento da democracia brasileira e de evitar um impeachment sem crime de responsabilidade.
“A democracia é o único caminho para sairmos da crise”, reforçou.
Além disso, a presidenta Dilma reafirmou o compromisso com o plebiscito para consulta à população sobre a antecipação da eleição e para a reforma política.
“Se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado. […] Entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social”, afirmou Dilma.
Ela ainda reforçou que não cometeu crime de responsabilidade. “A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime. Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo”, lembrou.
“Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora. Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição”, continuou a presidenta.
Na mensagem, Dilma propôs um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social, que, segundo ela, permitirá a pacificação do País.
A presidenta ainda reafirmou o compromisso integral com à Constituição Federal e persistiu com o lema “Nenhum direito a menos”.
Também faz parte da carta o compromisso com as políticas sociais que transformaram a vida dos brasileiros.
“Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúdepública, ampliar o acesso e elevar a qualidade daeducação, assegurar o direito à moradia e expandir amobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil. Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o País voltar a crescer e gerar empregos”, disse.
Ao fim do documento, Dilma pede que os senadores e senadoras não façam “injustiça”. “O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura”.
“Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça. Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes Presidenta. Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo. A democracia há de vencer”, finalizou.
Leia a mensagem, na íntegra:
Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do site Dilma.com.br