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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Caiu a máscara: A conspiração tramada por Temer e seus corruptos para efetuar o golpe é reconhecida no mundo inteiro

Passados nada mais do que quinze dias da tomada do poder por um governo impopular ilegítimo e corrupto, a trama aos poucos vai sendo desmascarada pelos próprios golpistas, seja através da tentativa de desmonte do Estado para atender exclusivamente à ambição do mercado financeiro predador e internacional; seja através da tentativa de eliminar direitos adquiridos pela sociedade como um todo; seja através de um projeto entreguista de privatização nunca visto na história, começando pelo pré-sal; seja através de extinguir ministérios que estavam à frente de várias ações sociais, como por exemplo Cultura, Direitos Humanos, Igualdade Racial, Mulheres e Juventude. Tudo isso faz parte de uma ação combinada com a elite dos setores mais atrasados e conservadores da sociedade.

Está claro que a conspiração conduzida por Temer tem o intuito de assegurar às oligarquias o status quo sobre a corrupção sistêmica que foi utilizada desde a fundação da República, além de acordar com instituições que teriam o dever de zelar pela Constituição e pela lisura do Estado uma vista grossa, um cala boca, através do engavetamento de investigações e processos, práticas ocorridas em governos recentes antes da gestão petista dos últimos 13 anos. A própria revista britânica The Economist trata deste tema em reportagem publicada na data de hoje mostrando que foi dado “um jeitinho” na Constituição para afastar a presidenta Dilma sem nenhuma prova concreta de crimes. Aí fica a pergunta: onde estão os guardiães da Constituição?

Uma das provas cabais de que o processo de impeachment da presidenta Dilma não tinha absolutamente nada a ver com pedaladas ou questões fiscais está definitivamente comprovada nas primeiras gravações, pois outras virão, de Sérgio Machado com várias figuras políticas que comandam o Parlamento brasileiro. Pelo menos por enquanto, já que correm boatos de que no processo irão aparecer novos nomes. Além da trama política, as gravações chamuscam imagens de instituições até pouco tempo respeitadas pela sociedade, como o Supremo Tribunal Federal e outros órgãos, dando a impressão de não serem apenas conversas normais entre figuras responsáveis pelos poderes, conforme argumentou o presidente do STF, mas que passam sim a conotação de acertos e conchavos.

Vivemos uma das trajetórias mais difíceis da vida política do Brasil. Em parte, até a crise econômica serviu como pretexto para a montagem de uma trama política para derrubar o governo da presidenta Dilma. O centro de decisão política do governo interino está em boa parte perdido, tanto no campo político como no administrativo, na gestão das políticas públicas. Vários ministros estão sendo citados ou investigados em várias operações por corrupção e malfeitorias. Na verdade, não é surpresa porque estão seguindo o legado da direita e da velha oligarquia política que dominou o Brasil pelo menos nos últimos cem anos.

Além disso, o falastrão ministro da Justiça do governo Temer apregoa aos incautos que irá levar para o âmbito federal figuras que atuam na segurança pública do estado de São Paulo, que é marcado por toda a sorte de violência contra os cidadãos e que tem crimes hediondos ainda não esclarecidos, como é o caso da chacina de Osasco, o assassinato de torcedores corintianos, entre tantos outros crimes até então impunes. Para ilustrar, aqui em São Paulo os mais de vinte anos de governo tucano não construíram escolas, creches ou algo que beneficie à população de baixa renda, mas foi o campeão na construção de cadeias e penitenciárias para entupir de presos.

Ao lado disso, o abandono das políticas públicas que priorizam a defesa de gênero acende um alerta em todo o país quando assistimos à brutalidade monstruosa de casos como o estupro coletivo praticado por bandidos contra uma adolescente no Rio de Janeiro. O que me chama mais atenção é que os trinta e três monstros que estupraram uma criança são chamados pela mídia escrita, falada e pelos órgãos do governo como “trinta e três homens”. Que homens, eu pergunto?

Concluo este texto em que eu poderia dar vários outros exemplos sobre o descalabro que estamos vivendo aonde o governo e o Congresso Nacional começam a votar várias matérias, algumas delas encaminhadas pelo governo anterior e rejeitadas pela oposição, mas que tiveram inclusive a cara de pau de inflar o valor do ajuste fiscal de noventa bilhões para cento e setenta bilhões. Com certeza, se constitui em mais uma trama destinada para onde vão gastar.

Na verdade, temos um governo ilegítimo, corrupto e impopular totalmente repudiado pela população que tudo indica que enquanto durar – que na minha opinião será por pouco tempo -  ficará sitiado em Brasília porque não terá condições políticas sequer de inaugurar uma obra, diga-se de passagem, todas elas iniciadas durante o governo Dilma Rousseff.

Faço um apelo aos setores democráticos da sociedade brasileira, especialmente aos jovens, para que cerremos fileiras na organização de um combate direto e frontal a este governo golpista.


Francisco Rocha da Silva, Rochinha

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Em conversa gravada, Renan defende mudar lei da delação premiada; ouça


Eduardo Anizelli/Folhapress
Renan Calheiros preside sessão do Senado para decidir sobre a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse em conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que apoia uma mudança na lei que trata da delação premiada de forma a impedir que um preso se torne delator -procedimento central utilizado pela Operação Lava Jato.
Renan sugeriu que, após enfrentar esse assunto, também poderia "negociar" com membros do STF (Supremo Tribunal Federal) "a transição" de Dilma Rousseff, presidente hoje afastada.
Machado e Renan são alvos da Lava Jato. Desde março, temendo ser preso, Machado gravou pelo menos duas conversas entre ambos. A reportagem obteve os áudios. Machado negocia um acordo de delação premiada.
Ele também gravou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), empossado ministro do Planejamento no governo Michel Temer. A revelação das conversas pelaFolha na segunda (23) levou à exoneração de Jucá.
Em um dos diálogos com Renan, Machado sugeriu "um pacto", que seria "passar uma borracha no Brasil". Renan responde: "antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação".
A mudança defendida pelo peemedebista, se efetivada, poderia beneficiar Machado. Ele procurou Jucá, Renan e o ex-presidente José Sarney (PMDB) porque temia ser preso e virar réu colaborador.
"Ele está querendo me seduzir, porra. [...] Mandando recado", disse Machado a Renan em referência ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Renan, na conversa, também ataca decisão do STF tomada ano passado, de manter uma pessoa presa após a sua segunda condenação.
O presidente do Senado também fala em negociar a transição com membros do STF, embora o áudio não permita estabelecer com precisão o que ele pretende.
Machado, para quem os ministros "têm que estar juntos", quis saber por que Dilma não "negocia" com os membros do Supremo. Renan respondeu: "Porque todos estão putos com ela".
Para Renan, os políticos todos "estão com medo" da Lava Jato. "Aécio [Neves, presidente do PSDB] está com medo. [me procurou] 'Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa'", contou Renan, em referência à delação de Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que fazia citação ao tucano.
Renan disse que uma delação da empreiteira Odebrecht "vai mostrar as contas", em provável referência à campanha eleitoral de Dilma. Machado respondeu que "não escapa ninguém de nenhum partido". "Do Congresso, se sobrar cinco ou seis, é muito. Governador, nenhum."
O peemedebista manifestou contrariedade ao saber, pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esteve com Michel Temer em março.
Em dois pontos das conversas, Renan e Machado falam sobre contatos do senador e de Dilma com a mídia, citando o diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, e o vice-presidente Institucional e Editorial do Grupo Globo, João Roberto Marinho. Renan diz que Frias reconheceu "exageros" na cobertura da Lava Jato e diz que Marinho afirmou a Dilma que havia um "efeito manada" contra seu governo.
OUTRO LADO
Por meio de sua assessoria, o presidente do Senado informou que os "diálogos não revelam, não indicam, nem sugerem qualquer menção ou tentativa de interferir na Lava Jato ou soluções anômalas. E não seria o caso porque nada vai interferir nas investigações."
Segundo a assessoria, "todas as opiniões do senador foram publicamente noticiadas pelos veículos de comunicação, como as críticas ao ex-presidente da Câmara, a possibilidade de alterar a lei de delações para, por exemplo, agravar as penas de delações não confirmadas e as notícias sobre delações de empreiteiras foram fartamente veiculadas".
"Em relação ao senador Aécio Neves, o senador Renan Calheiros se desculpa porque se expressou inadequadamente. Ele se referia a um contato do senador mineiro que expressava indignação –e não medo– com a citação do ex-senador Delcídio do Amaral."
A nota diz ainda que "o senador Renan Calheiros tem por hábito receber todos aqueles que o procuram. Nas conversas que mantém habitualmente defende com frequência pontos de vista e impressões sobre o quadro. Todas os pontos de vista, evidentemente, dentro da Lei e da Constituição".
A assessoria do STF informou que o presidente do tribunal, Ricardo Lewandowski, "jamais manteve conversas sobre supostas 'transição' ou 'mudanças na legislação penal' com as pessoas citadas", isto é, Renan Calheiros e Sérgio Machado.
Segundo a nota, o STF "mantém relacionamento institucional com os demais Poderes" e o ministro Lewandowski "participou de diversos encontros, constantes de agenda pública, com integrantes do Poder Executivo para tratar do Orçamento do Judiciário e do reajuste dos salários de servidores e magistrados".
Também por meio de nota, a Executiva Nacional do PSDB informou que vai "acionar na Justiça" o ex-presidente da Transpetro. A sigla diz ser "inaceitável essa reiterada tentativa de acusar sem provas em busca de conseguir benefícios de uma delação premiada".
"Fica cada vez mais clara a tentativa deliberada e criminosa do senhor Sérgio Machado de envolver em suspeições o PSDB e o nome do senador Aécio Neves, em especial, sem apontar um único fato que as justifique. As gravações se limitam a reproduzir comentários feitos pelo próprio autor, com o objetivo específico de serem gravados e divulgados."
"Sobre a referência ao diálogo entre os senadores Aécio Neves e Renan Calheiros, o senador Aécio manifestou a ele o que já havia manifestado publicamente inúmeras vezes: a sua indignação com as falsas citações feitas ao seu nome."
Sérgio Machado não é localizado desde a semana passada.
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OUÇA E LEIA TRECHOS DOS DIÁLOGOS

Primeira conversa:
SÉRGIO MACHADO - Agora, Renan, a situação tá grave.
RENAN CALHEIROS - Grave e vai complicar. Porque Andrade fazer [delação], Odebrecht, OAS. [falando a outra pessoa, pede para ser feito um telefonema a um jornalista]
MACHADO - Todos vão fazer.
RENAN - Todos vão fazer.
MACHADO - E essa é a preocupação. Porque é o seguinte, ela [Dilma] não se sustenta mais. Ela tem três saídas. A mais simples seria ela pedir licença...
RENAN - Eu tive essa conversa com ela.
MACHADO - Ela continuar presidente, o Michel assumiria e garantiria ela e o Lula, fazia um grande acordo. Ela tem três saídas: licença, renúncia ou impeachment. E vai ser rápido. A mais segura para ela é pedir licença e continuar presidente. Se ela continuar presidente, o Michel não é um sacana...
RENAN - A melhor solução para ela é um acordo que a turma topa. Não com ela. A negociação é botar, é fazer o parlamentarismo e fazer o plebiscito, se o Supremo permitir, daqui a três anos. Aí prepara a eleição, mantém a eleição, presidente com nova...
[atende um telefonema com um jornalista]
RENAN - A perspectiva é daquele nosso amigo.
MACHADO - Meu amigo, então é isso, você tem trinta dias para resolver essa crise, não tem mais do que isso. A economia não se sustenta mais, está explodindo...
RENAN - Queres que eu faça uma avaliação verdadeira? Não acredito em 30 dias, não. Porque se a Odebrecht fala e essa mulher do João Santana fala, que é o que está posto...
[apresenta um secretário de governo de Alagoas]
MACHADO - O Janot é um filho da puta da maior, da maior...
RENAN - O Janot... [inaudível]
MACHADO - O Janot tem certeza que eu sou o caixa de vocês. Então o que que ele quer fazer? Ele não encontrou nada nem vai encontrar nada. Então ele quer me desvincular de vocês, mediante Ricardo e mediante e mediante do Paulo Roberto, dos 500 [mil reais], e me jogar para o Moro. E aí ele acha que o Moro, o Moro vai me mandar prender, aí quebra a resistência e aí fudeu. Então a gente de precisa [inaudível] presidente Sarney ter de encontro... Porque se me jogar lá embaixo, eu estou fodido. E aí fica uma coisa... E isso não é análise, ele está insinuando para pessoas que eu devo fazer [delação], aquela coisa toda... E isso não dá, isso quebra tudo isso que está sendo feito.
RENAN - [inaudível]
MACHADO - Renan, esse cara é mau, é mau, é mau. Agora, tem que administrar isso direito. Inclusive eu estou aqui desde ontem... Tem que ter uma ideia de como vai ser. Porque se esse vagabundo jogar lá embaixo, aí é uma merda. Queria ver se fazia uma conversa, vocês, que alternativa teria, porque aí eu me fodo.
RENAN - Sarney.
MACHADO - Sarney, fazer uma conversa particular. Com Romero, sei lá. E ver o que sai disso. Eu estou aqui para esperar vocês para poder ver, agora, é um vagabundo. Ele não tem nada contra você nem contra mim.
RENAN - Me disse [inaudível] 'ó, se o Renan tiver feito alguma coisa, que não sei, mas esse cara, porra, é um gênio. Porque nós não achamos nada.'
MACHADO - E já procuraram tudo.
RENAN - Tudo.
MACHADO - E não tem. Se tivesse alguma coisa contra você, já tinha jogado... E se tivesse coisa contra mim [inaudível]. A pressão que ele quer usar, que está insinuando, é que...
RENAN - Usou todo mundo.
MACHADO -...está dando prazos etc é que vai me apartar de vocês. Mesma coisa, já deu sinal com a filha do Eduardo e a mulher... Aquele negócio da filha do Eduardo, a porra da menina não tem nada, Renan, inclusive falsificaram o documento dela. Ela só é usuária de um cartão de crédito. E esse é o caminho [inaudível] das delações. Então precisa ser feito algo no Brasil para poder mudar jogo porque ninguém vai aguentar. Delcídio vai dizer alguma coisa de você?
RENAN - Deus me livre, Delcídio é o mais perigoso do mundo. O acordo [inaudível] era para ele gravar a gente, eu acho, fazer aquele negócio que o J Hawilla fez.
MACHADO - Que filho da puta, rapaz.
RENAN - É um rebotalho de gente.
MACHADO - E vocês trabalhando para poder salvar ele.
RENAN - [Mudando de assunto] Bom, isso aí então tem que conversar com o Sarney, com o teu advogado, que é muito bom. [inaudível] na delação.
MACHADO - Advogado não resolve isso.
RENAN - Traçar estratégia. [inaudível]
MACHADO - [inaudível] quanto a isso aí só tem estratégia política, o que se pode fazer.
RENAN - [inaudível] advogado, conversar, né, para agir judicialmente.
MACHADO - Como é que você sugeriria, daqui eu vou passar na casa do presidente Sarney.
RENAN - [inaudível]
MACHADO - Onde?
RENAN - Lá, ou na casa do Romero.
MACHADO - Na casa do Romero. Tá certo. Que horas mais ou menos?
RENAN - Não, a hora que você quiser eu vou estar por aqui, eu não vou sair não, eu vou só mais tarde vou encontrar o Michel.
MACHADO - Michel, como é que está, como é que está tua relação com o Michel?
RENAN - Michel, eu disse pra ele, tem que sumir, rapaz. Nós estamos apoiando ele, porque não é interessante brigar. Mas ele errou muito, negócio de Eduardo Cunha... O Jader me reclamou aqui, ele foi lá na casa dele e ele estava lá o Eduardo Cunha. Aí o Jader disse, 'porra, também é demais, né'.
MACHADO - Renan, não sei se tu viu, um material que saiu na quinta ou sexta-feira, no UOL, um jornalista aqui, dizendo que quinta-feira tinha viajado às pressas...
RENAN - É, sacanagem.
MACHADO - Tu viu?
RENAN - Vi.
MACHADO - E que estava sendo montada operação no Nordeste com Polícia Federal, o caralho, na quinta-feira.
RENAN - Eu vi.
MACHADO - Então, meu amigo, a gente tem que pensar como é que encontra uma saída para isso aí, porque isso aí...
RENAN - Porque não...
MACHADO - Renan, só se fosse imbecil. Como é que tu vai sentar numa mesa para negociar e diz que está ameaçado de preso, pô? Só quem não te conhece. É um imbecil.
RENAN - Tem que ter um fato contra mim.
MACHADO - Mas mesmo que tivesse, você não ia dizer, porra, não ia se fragilizar, não é imbecil. Agora, a Globo passou de qualquer limite, Renan.
RENAN - Eu marquei para segunda-feira uma conversa inicial com [inaudível] para marcar... Ela me disse que a conversa dela com João Roberto [Marinho] foi desastrosa. Ele disse para ela... Ela reclamou. Ele disse para ela que não tinha como influir. Ela disse que tinha como influir, porque ele influiu em situações semelhantes, o que é verdade. E ele disse que está acontecendo um efeito manada no Brasil contra o governo.
MACHADO - Tá mesmo. Ela acabou. E o Lula, como foi a conversa com o Lula?
RENAN - O Lula está consciente, o Lula disse, acha que a qualquer momento pode ser preso. Acho até que ele sabia desse pedido de prisão lá...
MACHADO - E ele estava, está disposto a assumir o governo?
RENAN - Aí eu defendi, me perguntou, me chamou num canto. Eu acho que essa hipótese, eu disse a ele, tem que ser guardada, não pode falar nisso. Porque se houver um quadro, que é pior que há, de radicalização institucional, e ela resolva ficar, para guerra...
MACHADO - Ela não tem força, Renan.
RENAN - Mas aí, nesse caso, ela tem que se ancorar nele. Que é para ir para lá e montar um governo. Esse aí é o parlamentarismo sem o Lula, é o branco, entendeu?
MACHADO - Mas, Renan, com as informações que você tem, que a Odebrecht vai tacar tiro no peito dela, não tem mais jeito.
RENAN - Tem não, porque vai mostrar as contas. E a mulher é [inaudível].
MACHADO - Acabou, não tem mais jeito. Então a melhor solução para ela, não sei quem podia dizer, é renunciar ou pedir licença.
RENAN - Isso [inaudível]. Ela avaliou esse cenário todo. Não deixei ela falar sobre a renúncia. Primeiro cenário, a coisa da renúncia. Aí ela, aí quando ela foi falar, eu disse, 'não fale não, pelo que conheço, a senhora prefere morrer'. Coisa que é para deixar a pessoa... Aí vai: impeachment. 'Eu sinceramente acho que vai ser traumático. O PT vai ser desaparelhado do poder'.
MACHADO - E o PT, com esse negócio do Lula, a militância reacendeu.
RENAN - Reacendeu. Aí tudo mundo, legalista... Que aí não entra só o petista, entra o legalista. Ontem o Cassio falou.
MACHADO - É o seguinte, o PSDB, eu tenho a informação, se convenceu de que eles é o próximo da vez.
RENAN - [concordando] Não, o Aécio disse isso lá. Que eu sou a esperança única que eles têm de alguém para fazer o...
MACHADO - [Interrompendo] O Cunha, o Cunha. O Supremo. Fazer um pacto de Caxias, vamos passar uma borracha no Brasil e vamos daqui para a frente. Ninguém mexeu com isso. E esses caras do...
RENAN - Antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação e estabelece isso.
MACHADO - Acaba com esse negócio da segunda instância, que está apavorando todo mundo.
RENAN - A lei diz que não pode prender depois da segunda instância, e ele aí dá uma decisão, interpreta isso e acaba isso.
MACHADO - Acaba isso.
RENAN - E, em segundo lugar, negocia a transição com eles [ministros do STF].
MACHADO - Com eles, eles têm que estar juntos. E eles não negociam com ela.
RENAN - Não negociam porque todos estão putos com ela. Ela me disse e é verdade mesmo, nessa crise toda –estavam dizendo que ela estava abatida, ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável, ela está gripada, muito gripada– aí ela disse: 'Renan, eu recebi aqui o Lewandowski,
querendo conversar um pouco sobre uma saída para o Brasil, sobre as dificuldades, sobre a necessidade de conter o Supremo como guardião da Constituição. O Lewandowski só veio falar de aumento, isso é uma coisa inacreditável'.
MACHADO - Eu nunca vi um Supremo tão merda, e o novo Supremo, com essa mulher, vai ser pior ainda. [...]
MACHADO - [...] Como é que uma presidente não tem um plano B nem C? Ela baixou a guarda. [inaudível]
RENAN - Estamos perdendo a condição política. Todo mundo.
MACHADO - [inaudível] com Aécio. Você está com a bola na mão. O Michel é o elemento número um dessa solução, a meu ver. Com todos os defeitos que ele tem.
RENAN - Primeiro eu disse a ele, 'Michel, você tem que ficar calado, não fala, não fala'.
MACHADO - [inaudível] Negócio do partido.
RENAN - Foi, foi [inaudível] brigar, né.
MACHADO - A bola está no seu colo. Não tem um cara na República mais importante que você hoje. Porque você tem trânsito com todo mundo. Essa tua conversa com o PSDB, tu ganhou uma força que tu não tinha. Então [inaudível] para salvar o Brasil. E esse negócio só salva se botar todo mundo. Porque deixar esse Moro do jeito que ele está, disposto como ele está, com 18% de popularidade de pesquisa, vai dar merda. Isso que você diz, se for ruptura, vai ter conflito social. Vai morrer gente.
RENAN - Vai, vai. E aí tem que botar o Lula. Porque é a intuição dele...
MACHADO - Aí o Lula tem que assumir a Casa Civil e ser o primeiro ministro, esse é o governo. Ela não tem mais condição, Renan, não tem condição de nada. Agora, quem vai botar esse guizo nela?
RENAN - Não, [com] ela eu converso, quem conversa com ela sou eu, rapaz.
MACHADO - Seguinte, vou fazer o seguinte, vou passar no presidente, peço para ele marcar um horário na casa do Romero.
RENAN - Ou na casa dele. Na casa dele chega muita gente também.
MACHADO - É, no Romero chega menos gente.
RENAN - Menos gente.
MACHADO - Então marco no Romero e encontra nós três. Pronto, acabou. [levanta-se e começam a se despedir] Amigo, não perca essa bola, está no seu colo. Só tem você hoje. [caminhando] Caiu no seu colo e você é um cara predestinado. Aqui não é dedução não, é informação. Ele está querendo me seduzir, porra.
RENAN - Eu sei, eu sei. Ele quem?
MACHADO - O bicho daqui, o Janot.
RENAN - Mandando recado?
MACHADO - Mandando recado.
RENAN - Isso é?
MACHADO - É... Porra. É coisa que tem que conversar com muita habilidade para não chegar lá.
RENAN - É. É.
MACHADO - Falando em prazo... [se despedem]
Segunda conversa:
MACHADO - [...] A meu ver, a grande chance, Renan, que a gente tem, é correr com aquele semi-parlamentarismo...
RENAN - Eu também acho.
MACHADO -...paralelo, não importa com o impeach... Com o impeachment de um lado e o semi-parlamentarismo do outro.
RENAN - Até se não dá em nada, dá no impeachment.
MACHADO - Dá no impeachment.
RENAN - É plano A e plano B.
MACHADO - Por ser semi-parlamentarismo já gera para a sociedade essa expectativa [inaudível]. E no bojo do semi-parlamentarismo fazer uma ampla negociação para [inaudível].
RENAN - Mas o que precisa fazer, só precisa tres três coisas: reforma política, naqueles dois pontos, o fim da proibição...
MACHADO - [Interrompendo] São cinco pontos:
[...]
RENAN - O voto em lista é importante. [inaudível] Só pode fazer delação... Só pode solto, não pode preso. Isso é uma maneira e toda a sociedade compreende que isso é uma tortura.
MACHADO - Outra coisa, essa cagada que os procuradores fizeram, o jogo virou um pouco em termos de responsabilidade [...]. Qual a importância do PSDB... O PSDB teve uma posição já mais racional. Agora, ela [Dilma] não tem mais solução, Renan, ela é uma doença terminal e não tem capacidade de renunciar a nada. [inaudível]
[...]
MACHADO - Me disseram que vai. Dentro da leniência botaram outras pessoas, executivos para falar. Agora, meu trato com essas empresas, Renan, é com os donos. Quer dizer, se botarem, vai dar uma merda geral, eu nunca falei com executivo.
RENAN - Não vão botar, não. [inaudível] E da leniência, detalhar mais. A leniência não está clara ainda, é uma das coisas que tem que entrar na...
MACHADO -...No pacote.
RENAN - No pacote.
MACHADO - E tem que encontrar, Renan, como foi feito na Anistia, com os militares, um processo que diz assim: 'Vamos passar o Brasil a limpo, daqui para frente é assim, pra trás...' [bate palmas] Porque senão esse pessoal vão ficar eternamente com uma espada na cabeça, não importa o governo, tudo é igual.
RENAN - [concordando] Não, todo mundo quer apertar. É para me deixar prisioneiro trabalhando. Eu estava reclamando aqui.
MACHADO - Todos os dias.
RENAN - Toda hora, eu não consigo mais cuidar de nada.
[...]
MACHADO - E tá todo mundo sentindo um aperto nos ombros. Está todo mundo sentindo um aperto nos ombros.
RENAN - E tudo com medo.
MACHADO - Renan, não sobra ninguém, Renan!
RENAN - Aécio está com medo. [me procurou] 'Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa.'
MACHADO - Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan.
[...]
MACHADO - Não dá pra ficar como está, precisa encontrar uma solução, porque se não vai todo mundo... Moeda de troca é preservar o governo [inaudível].
RENAN - [inaudível] sexta-feira. Conversa muito ruim, a conversa com a menina da Folha... Otavinho [a conversa] foi muito melhor. Otavinho reconheceu que tem exageros, eles próprios tem cometido exageros e o João [provável referência a João Roberto Marinho] com aquela conversa de sempre, que não manda. [...] Ela [Dilma] disse a ele 'João, vocês tratam diferentemente de casos iguais. Nós temos vários indicativos'. E ele dizendo 'isso virou uma manada, uma manada, está todo mundo contra o governo.'
MACHADO - Efeito manada.
RENAN - Efeito manada. Quer dizer, uma maneira sutil de dizer "acabou", né.
[...]

terça-feira, 24 de maio de 2016

responsável 'É possível dialogar com o PSDB sobre reforma política', diz Edinho Silva

Rochinha: "Discordo frontalmente com Edinho Silva e na minha avaliação ele esta sem sintonia com a base do partido".


Alberto Bombig
O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) Edinho Silva afirma que a atuação do PT como oposição a Michel Temer não pode se dar na linha do chamado quanto pior, melhor. Segundo ele, os petistas devem abrir canais de comunicação com o PSDB em busca de reformas importantes, como a política.
Edinho, que é ex-presidente do PT-SP e deve disputar a Prefeitura de Araraquara (SP) este ano, avalia que o debate em torno do parlamentarismo precisa ser levado a sério a partir de agora no País e que ainda não está na hora de o partido falar em candidatura a presidente em 2018. A seguir os principais pontos da entrevista dele ao Estado.
Como o PT deve enfrentar o debate da ética?
Nós temos de fazer uma avaliação dos erros que nós cometemos. Nós reproduzimos, grosso modo, o modelo político de financiamento eleitoral existente no Brasil. Esse foi o nosso erro. Em síntese, tirando as acusações de enriquecimento pessoal, as demais são do modelo de financiamento político e partidário, que pega a todos. Nós temos de dizer o seguinte: o PT, que tinha uma expectativa de fazer diferente, reproduziu o mesmo modelo de financiamento político e partidário. O PT tem de levantar a bandeira da reforma político-partidária de forma muito consistente e não fazer disso só um discurso. Temos de dialogar com forças políticas que são, muitas vezes, antagônicas a nós. Em alguns momentos, vamos ter afinidade com o PSDB, muito mais do que com o PMDB, com que há tempos atrás nós chegamos a discutir o assunto. Em outros pontos, podemos ter afinidade com o PSOL, com a Rede. 
Edinho Silva, ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social
Edinho Silva, ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social
Mas ainda há possibilidade de PT e PSDB dialogarem?
Em relação a algumas reformas, sim. Se o PT quer restabelecer o diálogo que nós perdemos com uma parcela da sociedade brasileira, essas bandeiras da reforma, independentemente do desfecho no Senado, há pontos da reforma político-partidária sobre os quais é possível dialogar com o PSDB, sim, como é possível dialogar com o PDT, o PMDB. 
Foi o quando o PT liderou o "Fora FHC"...
Ali criou-se uma polarização, um antagonismo que distanciou os dois partidos, mas eu penso que tem ambiente para o PT se sentar e dialogar com o PSDB. Uma reforma fiscal e tributária, por exemplo. O PT terá de ser o oposição com a difícil tarefa de debater todas as iniciativas que o atual governo tiver. Não pode debater só do ponto de vista do confronto parlamentar. Ele vai ter de qualificar cada intervenção que ele fizer, é isso que a sociedade quer.
O sr. acha, então, que a sociedade não entende mais o que o PT fez com FHC e o que o PSDB fez com Dilma?
Não entende. O que o PSDB ganhou com a oposição pela oposição? As pesquisas mostram que o senador Aécio Neves não é alternativa eleitoral. Eles erraram muito. A sociedade brasileira espera que o PT hoje seja oposição ao governo interino, mas que apresente propostas.
E se, eventualmente, alguma proposta de Temer estiver em acordo com o que pensa o PT?
Nós temeremos de ver. O PT não pode ser oposição pela oposição porque é um partido que governou o Brasil por 13 anos. Mas, neste momento, o que pode sair desse pacote de reforma que vem aí pode ser algo que arrebente com vitórias históricas da sociedade brasileira. O que foi feito no Brasil, e é grave, foi um ataque frontal ao presidencialismo. A presidenta Dilma foi afastada politicamente. Quando você utiliza o afastamento de uma governante para superação das crises política e econômica, você está utilizando um instrumento do parlamentarismo. No médio e no longo prazos, isso vai reacender o debate do modelo de governo. O sistema presidencialista sai enfraquecido, afrontado, desgastado. O debate do parlamentarismo estará colocado novamente no Brasil.
O PSDB nasceu com proposta do parlamentarismo. Esse pode ser mais um vaso comunicante entre os dois partidos?
É uma pauta que estará colocada. Temos de ver o decorrer dela, como o PT vai se posicionar.
É possível o PT defender o parlamentarismo tendo Lula com chances de vencer em 2018?
Não é hora de falar em candidatura. O centro neste momento deve ser a defesa de Dilma e um processo de discussão e reformulação interna do PT. Penso que 2018 será consequência de tudo isso.
Qual a avaliação do sr. do afastamento da presidente Dilma?
Estamos falando de uma mulher honrada e honesta, que do ponto de vista de caracterização do impeachment, não cometeu nenhum crime de responsabilidade. O quadro de afastamento da presidente foi construído não só nas últimas semanas, mas nos últimos meses. Não tenho nenhuma dúvida de que a queda de popularidade se deu por conta da crise econômica e da agenda do ajuste econômico que ela teve de implementar. 
De que forma a Lava Jato influenciou o processo?
Tornou-se um fator importante na construção do ambiente que culminou no afastamento da presidenta, mas principalmente pelo aumento da instabilidade política e por cadeias produtivas importantes terem sido atingidas, paralisando e aumentando o desemprego, com impacto em regiões importantes do País.
O que o sr. tem a dizer sobre a citação a seu nome pelo delator Ricardo Pessoa (dono da UTC)?
Eu fui convidado para ser o coordenador da campanha da presidenta quando a Lava Jato já estava em pleno andamento, para que eu pudesse blindar, proteger a campanha da presidenta Dilma desse processo que já estava contaminando boa parte da esfera empresarial do País. O que me surpreendeu é que se criou uma tese de que toda doação para a campanha da presidenta Dilma foi resultado de um processo de pressão, ou seja, eu fazia pressão para que os empresários doassem, isso foi uma tese que se criou. Em relação ao Ricardo Pessoa, se você pegar a fita da delação, não o que está documentado, mas a gravação do depoimento dele, ele mesmo me isenta, dizendo que jamais se sentiu pressionado por mim, que doaria de qualquer forma, inclusive faz elogios à minha postura, diz aos procuradores que eu sou um “gentleman”. As doações que saíram dessas contas correntes para a campanha da presidenta são ilegais, e as que saíram para os demais candidatos são legais. Como você pode identificar o dinheiro que está numa conta corrente é ilegal? 
O sr. incluiria aí a delação do Otávio Azevedo Marques (da Andrade Gutierrez)?
Eu procurei o Otávio Azevedo como procurei dezenas de empresários brasileiros, o papel de um coordenador financeiro é buscar contribuição financeira, no Brasil e em qualquer país do mundo. Eu procurei a Andrade Gutierrez, não fui recebido pelo Otávio, não entendi se havia algum problema político. Eu saí do prédio e ele veio atrás de mim, passei uma hora dentro do prédio sem ser recebido por ele. Eu disse que tinha um outro compromisso e não poderia ficar mais, o que era verdade. Uma semana depois, ele ligou para o Giles Azevedo (assessor da presidente afastada), pediu uma audiência com o Giles no comitê de campanha em Brasília, portanto ele vai espontaneamente e se reúne com o Giles. Eu sou chamado ao final da reunião, quando ele tenta se explicar por que não me recebeu, e disse que faria uma contribuição de campanha. Disse que doaria R$ 10 milhões naquele momento e outros R$ 10 milhões se parcelado. Disse que estava com problema de bônus eleitoral e afirmou que se a campanha terminasse com alguma dívida, ele trabalharia para ajudar a sanar essas dívidas. A campanha não terminou com dívida, eu nunca mais conversei sobre dívida eleitoral com ele, os R$ 10 milhões iniciais ocorreram, os outros R$ 10 milhões eu me reuni umas duas vezes com ele para tentar conversar sobre o fluxo. Doou no mesmo patamar de outras empresas, como a própria OAS, a Odebrecht, não fez nada diferente, e ainda era uma doação semelhante à campanha do Aécio. Aí ele diz que eu pedi R$ 100 milhões para ele em doações. Eu nunca pedi isso, seria um absurdo, jamais trabalhei com esse patamar de doação por empresa, ele disse que eu mencionou sete empresas que doariam R$ 100 milhões cada uma. Nunca tive esse tipo de diálogo com ele e quero que ele apresente quem são esses sete empresários, local e dia em que estive com eles. Isso é mentira, nunca existiu. 
O que o senhor acha dessa tese do Temer de separar as campanhas?
Eu posso tranquilizar o vice-presidente Michel Temer de que mesmo se não houver separação, nada de irregular será encontrado nas contas de campanha. Ele pode ficar bem tranquilo quanto a isso, ele me conhece e conhece a minha postura. Eles sabem que nada de irregular vai aparecer. 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O combate ao antigoverno do conspirador Temer precisa ser frontal e direto

Na agenda social cercado por corruptos e malfeitores; na agenda política e diplomática verdadeiros falcões a serviço do capital predador e dos interesses dos Estados Unidos

Vivemos um dos momentos mais cruciais da história política do Brasil. As forças da oligarquia reacionária e do atraso engendraram uma ação de impeachment contra a presidenta Dilma sem nenhuma prova concreta de crime, contando com o apoio de parte do estado policial. A elite brasileira que há muito tempo se encontrava fora do poder, derrotada pelo voto popular em 2014, sentiu na pele a impossibilidade de tão cedo retomar o poder.

O candidato do PSDB que disputou a presidência da República com o apoio das forças mais retrógadas do país, ao ser derrotado não aceitou o resultado das eleições e a vitória de um projeto há 13 anos no poder. Ele então organizou um Centrão dentro das casas legislativas da Câmara e do Senado, sob o comando de corruptos, ladrões e malfeitores para inviabilizar o resultado vitorioso do pleito de 2014. Conseguiram na base do tapetão afastar a presidenta eleita e colocar no seu lugar um vice conspirador e golpista.

As primeiras iniciativas deste (des)governo impopular e ilegítimo começam a deixar em pânico parcelas da sociedade que até então propunham a saída da presidenta Dilma Rousseff. Em ritmo acelerado, o governo interino do conspirador vai desmontando as políticas sociais que durante 13 anos levaram milhões e milhões de brasileiros à condição de cidadania, e tudo indica que se assim continuar entraremos em um perigoso ciclo de retrocesso e possivelmente de autoritarismo.

As próximas ações dos golpistas apontam para inviabilizar os programas Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida; na área da educação o FIES e o Prouni, e ainda propõem o pagamento de mensalidades em universidades públicas. Na área da saúde um verdadeiro retrocesso em relação ao atendimento do SUS, Farmácia Popular e do Mais Médicos. Pasmem! Para dizer que iriam fazer a diferença reduzindo ministérios, eles misturaram várias áreas incompatíveis umas com as outras transformando o modelo do estado brasileiro num verdadeiro furdunço político. Acabaram como o Ministério da Cultura que há anos representava o pensamento, a criatividade e a produção dos setores da arte e do meio cultural brasileiro. Na área da economia de mercado trouxeram para a Fazenda, Planejamento e Banco Central verdadeiros falcões que vivem exclusivamente sob o manto do capital privado e predador que atende aos interesses de banqueiros, empresários golpistas e da agenda financista norte-americana. No Itamaraty puseram um chanceler que na verdade olha para o Brasil com a visão voltada para os interesses do grande capital e tenta enterrar a política multilateral que priorizava políticas para o terceiro mundo, países latino-americanos, mais os membros do BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul), além do continente africano.

As forças democráticas e de esquerda precisam encarar este acinte de forma frontal e direta, não só com palavras de ordem, mas se contrapondo junto com a sociedade brasileira e os movimentos organizados a este desmonte antidemocrático e autoritário.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Dilma e a Reforma Agrária: ‘Demos mais um passo para diminuir a desigualdade'


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Presidenta Dilma assina atos para reforma agrária e desapropriação de terras para comunidades quilombolas no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Discursando no evento da assinatura de Atos para a Reforma Agrária e Comunidades Quilombolas, nesta sexta-feira (1º) no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que o país acaba de dar um passo para diminuir ainda mais a imensa desigualdade da Nação. Dilma ressaltou que os decretos de reforma agrária e posse de terras às comunidades quilombolas ajudam a produzir bem-estar para as famílias.
O acesso à terra bem cultivada significa riqueza para brasileiros e brasileiras”, disse a presidenta.
No total, serão destinados 55 mil hectares de terra para reforma agrária (34 mil hectares) e comunidades quilombolas (21 mil hectares). A medida deve beneficiar 1.844 famílias, sendo 680 de remanescentes de escravos e 1.164 de trabalhadores rurais sem terra.
As 21 áreas desapropriadas para reforma agrária estão em 13 estados: três em Goiás, uma em Pernambuco, três no Maranhão, uma em Minas Gerais, uma em Tocantins, uma no Rio Grande do Norte, uma no Pará, três no Ceará, uma no Mato Grosso do Sul, duas em Sergipe, uma na Paraíba, duas na Bahia e uma no Paraná. “Desde 2011 nós conseguimos assentar 134,4 mil famílias e foram criados 592 assentamentos”, assinalou Dilma Rousseff.
Os quatro decretos de regularização de territórios quilombolas vão beneficiar famílias nos estados do Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Sergipe. As comunidades beneficiadas são: Caraíbas, de Sergipe; Gurupá, do Pará; Macambira, do Rio Grande do Norte; e Monge Belo, do Maranhão.

Com acesso à terra, essas famílias quilombolas, famílias também de agricultores e agricultoras, vão ter a oportunidade de construir uma nova história de vida. Um novo tempo em que terão a segurança de um lugar para viver, a terra para produzir e gerar renda e para preservar a sua cultura com dignidade e autonomia”, afirmou a presidenta.
Durante o evento, também foi lançado o edital do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que disponibiliza mais de R$ 4 milhões para projetos que promovam a igualdade racial. Os recursos serão direcionados para três áreas de financiamento: fortalecimento de órgãos de promoção da igualdade racial; apoio a políticas públicas de ação afirmativa e a políticas para comunidades tradicionais.

quarta-feira, 23 de março de 2016

sexta-feira, 18 de março de 2016

O mandato é legítimo! Nem impeachment e nem renúncia, aqui também o couro é grosso.


Temos consciência do momento difícil pelo qual passa o Brasil. Se o país tivesse partidos sólidos e uma consciência política amadurecida possivelmente facilitaria para que as lideranças assumissem as suas responsabilidades e contribuíssem de maneira responsável na busca de uma saída para a crise política e econômica. Infelizmente não é isto que assistimos. A elite política, setores do empresariado conservador, o estado policial e a mídia fascista e golpista contribuem cotidianamente para levar o país a uma situação de convulsão social.

Não aceitaram o resultado das urnas, a eleição democrática, a participação direta da população e querem derrubar o governo na base da chantagem, da pressão e do medo policial. É bom deixar claro mais uma vez que este filme não é novo, pois em vários outros momentos da vida política brasileira já passamos por ditaduras, estado policial e pressão do empresariado conservador e de direita.

As mais recentes notícias mostram com clareza a intervenção direta do mundo financeiro, através de entidades empresariais, multinacionais e dos empresários nacionais de conotação fascista, na tentativa clara de chantagear o mandato de uma presidenta eleita legitimamente. Querem derrubar a chefe de Estado pela força do poder financeiro com o apoio da grande mídia.

Há muito tempo que insistimos que o modelo político vigente em nosso país representado, sobretudo, nos executivos e legislativos pelo poder das grandes oligarquias, deveria ser substituído por outro que priorizasse a participação popular, e fosse regulamentado através de uma assembleia nacional constituinte exclusiva. Um novo modelo aonde a população tivesse ampla representação, tanto do ponto de vista de disputar cargos eletivos quanto da escolha dos seus representantes em todas as instâncias, no Legislativo e no Executivo.

É lamentável que neste momento de grave crise estejamos vivendo em um Brasil dividido, não propriamente pela política, mas pela insuflação do ódio entre os brasileiros. É claro que não podemos escamotear a gravidade da crise, mas já passamos em tempos recentes por situações econômicas muito mais difíceis do que a atual. Cabe principalmente à classe empresarial contribuir para que a crise econômica, que em boa parte me parece algo planejado, não faça uso de um boicote cujos reflexos influenciem as decisões políticas.

Com relação à corrupção somos os primeiros a defender que ela seja combatida no seu cotidiano e em todas as esferas de poder, sabendo que ela não nasceu ontem ou hoje. As velhas oligarquias políticas e empresariais sempre foram as grandes beneficiárias das malfeitorias praticadas impunemente durante anos e anos no seio do estado brasileiro.

Estamos atentos para todas as manobras de caráter golpista e saibam que pela nossa história e trajetória jamais nos submeteremos aos caprichos de uma elite fascista.

O Brasil espera de todos nós responsabilidade e amadurecimento para que encontremos caminhos para sair da crise.

Francisco Rocha da Silva, Rochinha

segunda-feira, 7 de março de 2016

A ação policial contra Lula serve de alerta; justiça não existe, sobretudo para os mais pobres


(Com cópia para o Supremo Tribunal Federal, Tribunal Superior Eleitoral e PGR)

Dos três poderes constituídos, Executivo, Legislativo e Judiciário, a instituição chamada Justiça, desde o seu nascedouro, sempre esteve a serviço da elite, inclusive foi de onde ela nasceu.

Em vários momentos da história política e social do Brasil, ela sempre se posicionou a favor da Casa Grande, lógico que com exceções. Jamais seremos contra investigações e punições contra quem as comete, seja do ponto de vista do cidadão comum ou do agente de Estado. É uma pena que o símbolo da balança só penda para o lado da nobreza.

O caso da operação Lava Jato, na minha opinião, deveria desde o primeiro momento ir a fundo nos relatos dos funcionários de carreira da Petrobras que roubaram grandes montantes de dinheiro e que confessaram que tais atos de corrupção começaram bem antes de 2003, quando o Brasil era governado por outras forças políticas. Mas, lamentavelmente, esta parte das delações até agora não foi sequer levada em consideração.

É justo que tanto executivos que foram os corruptores e aqueles que aceitaram a corrupção paguem o seu devido preço, porém também é justo que se preserve o estado de direito e se evite vazamentos seletivos e a destruição de reputações de pessoas, antes das devidas apurações de cada caso. Mas não é isso que vem acontecendo.

Dizem que nas quarenta ou mais delações feitas até o momento, mais de oito delas estão eivadas de mentiras, meias verdades ou histórias mal contadas. Qual é a razão que justifica um processo nesta dimensão estar centrado em meia dúzia de agentes públicos? A que interesses eles servem?

Os jornais de hoje trazem manchetes de que o principal objetivo da chamada Lava Jato é imputar uma ação cível contra o ex-presidente Lula para que ele não possa concorrer às eleições em 2018. Pergunto ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral como fica o preceito constitucional que garante a cada cidadão com raras exceções o direito de votar e ser votado.

Os últimos acontecimentos, sobretudo os de sexta-feira passada, de 04 de março, trazem um alerta especialmente às pessoas de vocação democrática, principalmente aos que participaram ativamente ou acompanharam de perto os chamados anos de chumbo (ditadura militar) no Brasil. Nos fatos anteriores ocorridos desde Getúlio Vargas, passando por Juscelino Kubistchek e João Goulart, o traçado do mapa político não foi diferente do que estamos assistindo hoje.

Espero que a Suprema Corte garanta o direito individual dos cidadãos brasileiros e puna quem cometeu malfeitorias, mas garanta o respeito à Constituição Federal da República.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Por um PT mais insurgente, de esquerda e que os governos petistas trabalhem em favor dos mais pobres

O surgimento do PT ativou a perseguição da elite com apoio da grande mídia
 

No momento em que se aproximam a comemoração dos 36 anos do PT e a reunião do Diretório Nacional, no Rio de Janeiro, os petistas e setores da sociedade não se surpreendam se surgir na véspera desses eventos armações arquitetadas por parte da mídia e orquestradas por setores da polícia que se utilizam de resquícios autoritários que sobraram da ditadura militar, numa tentativa de espalhar versões para criar fatos na opinião pública numa tentativa de destruir a reputação de figuras de esquerda que foram forjadas na luta.

Chamo a atenção sobre isso porque casos assim já se tornaram fatos corriqueiros nos momentos em que o PT se organizava para realizar as suas atividades político-partidárias.

A intimidação, a tentativa de provocar medo e a perseguição não vem de hoje, pois assistimos a isso desde o surgimento do PT no cenário político nacional.

Para relembrar os mais antigos e atualizar os mais jovens podemos citar como ilustrativos, entre outros, três episódios:

1 - A greve dos canavieiros em Guariba, São Paulo, no dia 4 de janeiro de 1985, que envolveu 6 mil trabalhadores rurais, mobilizados em torno de melhores condições de vida e trabalho. O movimento tomou corpo e atingiu muitos municípios vizinhos. A PM foi chamada a intervir e transformou o pequeno município em um cenário de guerra. Resultado: bombas, gás lacrimogênio, centenas de feridos e, infelizmente, um canavieiro morto. Tentaram colocar a culpa da tragédia no PT, que começava a ocupar espaço político e já incomodava o poder econômico;

2 – O sequestro do empresário Abílio Diniz, em São Paulo, por um grupo de ativistas chilenos em 11 de dezembro de 1989, alguns dias antes da realização do segundo turno da primeira eleição direta após a ditadura militar no Brasil. Lula e Collor disputavam então a Presidência da República. Grandes jornais da época acusaram o envolvimento do PT na ação, usando fontes da própria polícia. Chegaram a fotografar os sequestradores presos usando camisetas da campanha Lula Presidente. Curiosamente, após a vitória de Collor, todas as acusações ao PT foram desmentidas;

3 – A disputa das eleições presidenciais em 1989 entre Lula e Collor. Quem se lembra jamais esquecerá a descarada gestão fraudulenta da TV Globo em favor do então candidato Fernando Collor, das manipulações ao vivo e em cores no último debate entre os dois candidatos e das próprias notícias distorcidas veiculadas dia e noite contra o projeto político defendido pelo PT e pela Frente Popular. E a violação das normas eleitorais que na verdade foram fraudadas pela Rede Globo, que repetiu exaustivamente as imagens do debate quando não era mais permitido por lei, já que estava fora do horário eleitoral.

Alerto aos companheiros que após 36 anos as maquinações de hoje por parte da mídia, da elite e da polícia não são absolutamente diferentes do que foram nestes exemplos que acabo de relatar. Infelizmente, tivemos e temos petistas que, em determinados momentos, se utilizam das arapucas armadas pela mídia, mas os que assim o fizeram ou fazem tem se dado muito mal.

Tenho insistido que mudaram as versões, mas os fatos continuam os mesmos por parte dos nossos inimigos. Enganam-se aqueles que acham que depois da queda da Cortina de Ferro acabou a luta de classes. Pelo contrário, ela apenas mudou de face no Brasil e no mundo. Os fatos perversos continuam os mesmos, só que mais sofisticados e nesta sofisticação a tentativa hoje em relação à esquerda e ao PT não é com o objetivo de nos encurralar e enfraquecer. Ao contrário, a intenção agora é nos destruir e aniquilar.

Na minha opinião, a unidade do PT e dos movimentos de esquerda é o caminho ideal para que possamos enfrentar o poder de fogo do inimigo.

Vamos em frente, companheiros e companheiras!



Francisco Rocha da Silva, Rochinha